Brasil

Viúva de Marielle Franco pediu proteção à instituição internacional

Ápós episódios de ameaças, Mônica Benício contou ao GLOBO que se sentiu ameaçada

Chico Otávio e Vera Araújo, da Agência O Globo
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A arquiteta Mônica Benício, viúva da ex-vereadora Marielle Franco, pediu à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, órgão vinculado à OEA, que providencie medidas de proteção a sua vida. Mônica contou ao GLOBO que resolveu agir depois de recentes episódios de ameaça e perseguição de carros, à noite. Ela reafirmou a certeza de que a morte de Marielle, ocorrida no dia 14 de março, foi crime político e com o envolvimento de agentes do estado.

— Desde aconteceu a tragédia, me tornei uma pessoa pública, ocupando lugares de fala. Além de carros seguindo a noite, também enfrento um discurso de ódio e uma situação de vulnerabilidade nas redes sociais — lamentou a arquiteta.

O pedido à comissão, explicou, fará a OEA pressionar o governo brasileiro por garantias de segurança. A viúva já recebeu um ofício da Comissão, assinado por Mário Lopez Garelli, em nome do secretario executivo do órgão, informando que a medida cautelar solicitada por ela já foi aprovada, em decisão tomada no dia 3 de agosto.

Foto: Anistia Internacional/Divulgação/Elisângela Leite
Procurada pelo GLOBO, a Secretaria de Estado de Segurança disse que não vai comentar o assunto.

ASSASSINATO OCORREU EM MARÇO

Marielle Franco foi assassinada a tiros na noite do dia 14 de março, na Rua Joaquim Palhares, no Estácio, próximo à Prefeitura do Rio. O motorista que estava com ela, Anderson Pedro Gomes, também foi morto. Eles estavam acompanhados de uma assessora da vereadora, que foi atingida por estilhaços e levada para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro.

No dia 26 de julho, mais dois homens suspeitos de estarem no veículo de onde partiu o tiro que matou a vereadora Marielle Franco (PSOL) e o motorista dela, Anderson Gomes, há quatro meses, tiveram as prisões preventivas decretadas pelo 4º Tribunal do Júri do Rio. William da Silva Sant'Anna, o William Negão e Renato Nascimento dos Santos, Renatinho Problema, foram identificados a partir do depoimento da testemunha-chave do crime, que está sob proteção, mas que não revelou como obteve as informações.

A mesma testemunha já tinha denunciado o ex-PM Alan de Morais Nogueira também pela execução da parlamentar. Apesar disso, os mandados de prisão contra William e Renato não foram expedidos por causa dos homicídios da vereadora e de seu motorista, mas por um assassinato cometido por uma quadrilha de milicianos que está sendo investigada. Todos são acusados de integrarem o grupo paramilitar de Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando da Curicica, preso na Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.