Brasil

Imprensa internacional repercute o afastamento de Dilma

Em sua manchete o americano “The New York Times” trouxe: “Senado brasileiro suspende Dilma Roussef”

Redação iBahia
12/05/2016 às 8h16

4 min de leitura
 O afastamento de Dilma Rousseff do cargo de presidente da República aprovado pelo Senado Federal, nesta quarta-feira, tomou conta do noticiário internacional. Publicações de todo o mundo, como o jornal americano “The New York Times” e o espanhol “El País”, destacaram o impacto da abertura do processo de impeachment contra a petista, que enfrenta acusações pelo crime de responsabilidade fiscal, para o governo do país e ocupação do cargo pelo vice-presidente Michel Temer. 

 Em sua manchete o americano “The New York Times” trouxe: “Senado brasileiro suspende Dilma Roussef”. Após explicar que dos 78 senadores presentes na votação, 55 votaram pela admissibilidade da abertura do processo de impeachment e 22 votaram contra, o jornal afirmou que o futuro pode não ser promissor para a presidente. “ Dada a margem de oposição contra ela nesta quinta-feira, os analistas políticos dizem que ela tem poucas chances de vencer o julgamento e terminar os dois anos e meio restantes de seu mandato”.O jornal “El País” destacou a maratona de mais de 20 horas que os senadores levaram para chegar a decisão. A publicação também falou sobre a polarização entre os votantes e apontou: “Os defensores da Rousseff responderam principalmente com um argumento simples: você não pode tomar um presidente eleito pelo povo, com 54 milhões de votos, apelando para manobras fiscais que não constituem um crime”.O jornal francês “Le Monde” indicou a atual rivalidade entre Dilma e Temer, que anteriormente foram aliados políticos. “A presidente deve ser substituída até sexta-feira pelo seu ex-aliado que virou rival, o vice-presidente Michel Temer (…) que, em caso de suspensão permanente de Dilma, assume a presidência até as próximas eleições gerais (presidenciais e legislativas), previstas para 2018”.O alemão “Bild” também comentou o afastamento da presidente e lembrou que a sessão no Senado foi acompanha em todo o país e por manifestantes que se reuniram do lado de fora do prédio. “O debate no Senado ficou sob os confrontos entre manifestantes e polícia. A polícia usou gás lacrimogêneo contra os apoiadores da política de esquerda, que por sua vez jogaram tochas acesas (contra os agentes)”.A publicação italiana “Corriere Della Sera” lembrou que todo o processo para tentar se condenar a presidente tem desgastado o país, que passa por uma grave crise econômica. “O Brasil vive o segundo ano consecutivo de recessão severa e tudo está em um impasse há meses devido à crise política”, destacou.
 Afastamento foi aprovado nesta manhã
Dos 78 senadores presentes na votação, 55 votaram pela admissibilidade da abertura do processo de impeachment e 22 votaram contra. O presidente do Senado, Renan Calheiros, não votou. Ainda hoje, Dilma será notificada e terá que abandonar as funções.A partir de agora, quem assume a presidência do país é Michel Temer, que deve ficar no cargo, a princípio, por 180 dias, prazo máximo para o Senado processar e julgar a presidente. Se ao fim do processo o impeachment for aprovado, então, ele poderá assumir o cargo definitivamente.O peemedebista assume o governo pregando uma pauta diferente da do PT, buscando reformas trabalhista e previdênciária, incentivando a participação do setor privado e, principalmente, estimulando a redução do Estado, como o corte de ministérios.Dilma Rousseff foi primeira mulher eleita presidente do Brasil e seu possível afastamento do governo representa a saída do PT do poder após mais de 13 anos. Desde a redemocratização, essa é a segunda vez que o Senado Federal tomou a decisão de afastar um presidente da República de seu cargo. A primeira foi há 24 anos, com Fernando Collor de Mello, que foi substituído por Itamar Franco.Após ser notificada sobre a decisão do Senado em relação ao processo de impeachment, Dilma deve se pronunciar oficialmente sobre o afastamento, ainda nesta quinta-feira.