Carnaval

Alexandre Peixe avalia mudanças no Carnaval e fala sobre estreia de bloco indoor

Cantor se apresenta na Arena Fonte Nova neste sábado (03), no comando do Bloco Harém

Carolina Dourado e Guinho Santos (redacao@portalibahia.com.br)
- Atualizada em

O cantor Alexandre Peixe já está nos últimos preparativos para comandar a novidade que o Carnaval traz neste ano: o bloco indoor do Harém, na Arena Fonte Nova. A festa acontece neste sábado (03), com Danniel Vieira e mais outras quatro atrações, e promete deixar muita gente surpresa.


A estreia do projeto faz parte de algumas mudanças que devem acontecer na folia baiana neste e também nos próximos anos. Sobre esses rumores de crise, Peixe afirmou ao iBahia não ter medo. "Só o tempo vai mostrar o que vai se firmar, qual modelo está cansado e o que o público quer de novidade", justificou.

O artista, que neste ano se apresenta também no Camarote Harém e em outros estados do país, se mostrou orgulhoso ao representar a Bahia fora daqui durante o Carnaval: "isso que serve para engrandecer nossa música e fortalecer e divulgar a Bahia". Confira entrevista completa com o cantor: 

iBahia: Os ensaios do harém foram especiais neste ano, né? Qual balanço você tira desse projeto e a importância que ele tem para o calendário do verão baiano?
Alexandre Peixe: Estou envolvido nisso há muitos anos. Já temos uma coisa até cultural em relação aos ensaios. Neste ano, mudamos de local e fomos para a Área Verde do Othon. O saldo foi positivo, a questão de um lugar novo, perto do mar, recebendo convidados especiais... A gente também não perdeu a chance de estar próximo do público, o que é muito importante.

iB: Nos ensaios houve também a presença de Danniel Vieira, que é sertanejo. Como você avalia essa mistura atual da música baiana, principalmente durante os ensaios, onde a gente vê muitos artistas de outros ritmos e até de fora da Bahia fazendo parte desses eventos?
AP: Danniel é um parceiro e um amigo muito querido. Essa mistura faz parte principalmente de quem é cria do trio elétrico. O trio nos deu essa oportunidade da gente cantar de tudo, até porque o show é muito longo. Ao longo desses anos que fiz os ensaios, praticamente todos os gêneros passaram pelos ensaios do Harém. Já recebi Diamba, Márcio Mello, Jorge e Mateus, Latino, Aviões e tantos outros... A gente sempre esteve acostumado deste encontro de gêneros também, que eu acho que faz parte desse caldeirão que o trio elétrico faz a gente viver.


iB: Muito se acredita que o Carnaval está em crise e que as mudanças vão vir com mais força no ano que vem. Você tem medo disso?
AP: Acho que a palavra não é medo. A gente até está dando um passo meio que de vanguarda no sábado, que é o primeiro bloco indoor na Arena, com direito a abadá, trio elétrico, princesa... Tudo o que tinha na rua, está lá dentro agora. O que muda é que não estamos no circuito e nem nas datas oficiais do Carnaval. Eu vejo isso muito assim, se existe essa questão de gerar qualquer tipo de coisa criativa, mudança, ou o que for, o tempo vai dar mais clareza se foi positivo ou não e a gente vai se adaptar ao modelo de Carnaval que não tem uma coisa só. O de clube existia, depois deixou de existir, por exemplo. Então isso é um andamento do Carnaval quanto história, que só o tempo vai mostrar o que vai se firmar, qual modelo está cansado e o que o público quer de novidade. Essas coisas vão conviver todas juntas. Vai ter o indoor, ao mesmo tempo os blocos, os trios sem cordas, os circuitos dos bairros... Acho que isso vai acabar convidado de forma natural.

iB: Por falar nisso, esse carnaval teremos muitas mudanças, a começa por essa novidade do bloco Harém, que deixa a Avenida e passa a ser uma festa na Arena Fonte Nova. 
AP: Essa questão de trazer oxigênio, a gente tenta. O que seria o lado negativo? Os saudosos do Carnaval falaram 'ah, agora cadê o Carnaval de rua?'. Calma, a gente está indo para uma área onde o trio vai rodar também. A gente não tem aquele percurso tradicional, mas tem outras coisas positivas, como o acesso, o serviço fica mais tranquilo também, opções de mais atrações. Estamos oferecendo muita coisa bacana também. São 12h de festa, seis atrações, bar fácil de consumir, sem dificuldade... Temos um outro lado de serviço, de entrega. Então temos outra comodidade e conforto pro folião.

iB: Como vai ser a logística lá na Fonte Nova? Explica pra gente?
AP: Vamos ter um minitrio e um pranchão pra festa não parar. Enquanto eu estou tocando em um, a equipe de Danniel já está montando os instrumentos no minitrio, por exemplo. Quando eu sair, ele fica. A ideia é o folião não parar nunca.


iB: Além de puxar trio, você se apresenta também no camarote Harém. Existe uma preparação diferente para um show no trio e o do camarote durante o carnaval?
AP: Eu sou um artista que fiz mais trio elétrico, mas tenho feito muito camarote nos últimos dois anos, e é um show de palco de duas horas. O trio nos proporciona tocar, sei lá, umas cinco horas. Tem essa questão do repertório, uma preparação de hidratação também porque precisa ficar ali seis dias tocando seguido. Esse formato de camarote o show é menor.

iB: Além do carnaval em Salvador você se apresenta também em outros lugares do Brasil. Como é pra você representar a Bahia nesse período tão especial pra música baiana? O show é diferente em outros lugares?
AP: Tenho notado alguns artistas que não saiam de Salvador, fazendo eventos que eu fazia há muitos anos. Geralmente eu fazia dois, três dias em Salvador e 99 das vezes fazia São Paulo e Minas Gerais, então já estava acostumado a mesclar. Nesse ano eu vou fazer também, mas tudo em Minas. Fiz semana retrasada no Carnaval do Rio. Eu nunca tive essa experiência de tocar no trio na Orla do Rio, sem cordas, então a gente começou a ser procurado. Até pra gente como artista, isso é muito novo. Vi o Eva em São Paulo também. Tá acontecendo muito esse movimento de rua que antecede o Carnaval e eu vejo isso que serve para engrandecer nossa música e fortalecer. De alguma forma está ajudando a divulgar a Bahia também.

iB: Soube que há possibilidade de você puxar um trio sem cordas aqui? Pode adiantar isso pra gente?
AP: Tenho feito há dois anos e esse ano estamos bem adiantados pra fazer. Ainda não posso falar muito porque não sabemos o dia, mas espero muito fazer. Acho uma experiência fantástica e não fico fora do circuito. Tomara que consiga repetir essa dose.

iB: O que podemos esperar de Peixe após folia? Quais são seus próximos passos?
AP: Antes disso vou te passar o que vem antes do Carnaval (risos). Sexta eu faço a festa de Iemanjá com Saulo, no Yacht Clube. Sábado tem o Harém na Fonte Nova. Dia 7 eu faço uma festa muito bacana que é o Xupisco, o primeiro bloco da Barra de fanfarra que tem evento após a fanfarra. Então chega ali em frente ao Camarote Harém as pessoas sobem e curtem o meu show e o de Jau. Normalmente depois do Carnaval, a gente faz algumas ressacas. Eu tenho ressaca fechada em Belo Horizonte. Eu também queria estar fazendo aqui, mas é lá. Tem um projeto que vamos lançar no final de março, início de abril, que é justamente para não deixar essa lacuna que as pessoas reclamam. Porque geralmente acontece tudo de vez no Verão e esse ano vai vir um negócio muito bacana que estamos formatando para acontecer neste ano para não perder esse contato corpo a corpo. Vai ser aqui em Salvador, mas não posso passar mais detalhes porque ainda não tenho uma data e local. 

Siga o Peixe:

02/02 - Feijoada do Yacht (Salvador)

03/02 - Harém na Fonte Nova (Salvador)

07/02 - Bloco Xupisco (Salvador)

09/02 - Camarote Harém Revolution (Salvador)

10/02 - Circuito de Trios, Itabirito (MG)

11/02 - Carnaval da Prefeitura de Minas Novas (MG)

12/02 - Bloco da Praia, Ouro Preto (MG)

12/02 - Carnaval da Prefeitura de Brumadinho (MG)

13/02 - Abaeté Folia, Abaeté (MG)