Carnaval

As impressões do iBahia sobre o Carnaval de 2019

Foram mais de dez dias de folia e teve muito assunto

Redação iBahia (redacao@portalibahia.com.br)
- Atualizada em

Da redação ou na rua, a equipe do iBahia ficou online durante todo o Carnaval de Salvador, registrando os principais acontecimentos e encontros da festa. Nesta Quarta-Feira de Cinzas, depois de 11 dias intensos de folia (e muito trabalho), os profissionais envolvidos na cobertura reuniram as impressões da festa em 2019, seja curtindo ou trabalhando. Confira:

Pagode e serviços (Luiz Almeida)
O pagode dominou o Carnaval 2019. Léo Santana, La Fúria, Tony Salles, Igor Kannário e Psirico tiveram aparições marcantes, além de hits tocando em todos os circuitos da festa. Outros destaques da folia ficaram por conta da sensação de segurança, com a ajuda dos efetivos policiais e dos portais de abordagens, e o aumento da frota de ônibus gratuita saindo da Lapa até a Barra, facilitando quem vai, por exemplo, de metrô até as proximidades do circuito Dodô. O pré-carnaval mais uma vez também chamou atenção, mostrando que Salvador sabe fazer festa como poucas cidades do país. 


Um puxador desses, bicho (Lívia Oliveira)
Achei o carnaval bem tranquilo neste ano. Nos dois dias que sai, estava bem organizado, não presenciei nenhuma briga ou confusão. A única coisa que achei fraca foi a revista para entrar no circuito, que ao meu ver tava bem seletiva. Outro ponto é que, para mim, Lincoln também teve destaque como puxador de trio. A galera ficou enlouquecida durante a passagem dele em Ondina.

Modo ativado e muita resenha (Rafael Sena)
Eu destaco, por exemplo, que o pré-carnaval foi tão bom quanto o próprio Carnaval. O Carnaval 2019 também apresentou Bruno Magnata, do La Fúria, para o Brasil inteiro, a julgar pela quantidade de shows que ele fez, principalmente em camarotes. E destacar também que este Carnaval reinventou a carreira de Tony Salles, colocando ele em um novo patamar.

A respeito das resenhas, ouvi e vi muita 'reclamação' das mulheres de que não havia homem em Salvador. Algumas delas disseram que nem viriam mais aqui durante Carnaval por isso. Tenho vídeos, mas melhor não expor as pessoas.

Segurança e mainha presente (Priscila Morais)


Na minha opinião, o Carnaval de Salvador renasceu em 2019. Nos dias que sai pra curtir, não vi briga e achei ótimo o esquema de segurança. Outro fato que marcou, lógico, foi o retorno de Ivete na folia. Ela, como sempre, fez um Carnaval lindo e chamou atenção quando uma ambulante teve o seu material de trabalho perdido. Ivete não só pagou o isopor, como convidou a moça para ficar no carro de apoio durante o percusso. Sem esquecer das músicas do Carnaval, que neste ano teve várias opções para todo tipo de gosto.

Foi no Pelô (Lucas Mascarenhas)
Acredito que o diferencial do carnaval este ano foi a folia no Pelourinho. As atrações potencializaram a mística do bairro, além de trazer diversos gêneros musicais que foram do axé ao samba. Novatos na música se juntaram a grandes conhecidos, o que tornou a festa ainda mais plural.

Eu gosto é de treta (Guinho Santos)
O Carnaval de Salvador neste ano foi recheado de tretas de bastidores envolvendo vários famosos, mas infelizmente a gente não pode compartilhar tudo (sorry). Outro fator que me chamou atenção foi o público que escolheu curtir os blocos de Ivete e Claudinha. Uma legião de bonecos Ken, muitos sem educação e achando que eram donos de Salvador. Em contra-partida, a pipoca da Pabllo trouxe diversidade e uma verdadeira multidão até o fim do percurso. Foi lindo de ver. Arrepiante. 

Pipoca e assédio (Cláudia Callado)
Apesar de ser um movimento de anos anteriores, sempre chama atenção ver as pessoas na rua curtindo grandes artistas sem corda. As pipocas se tornam espaços de inclusão e pertencimento para muitos que não poderiam pagar por um bloco ou camarote. Na pipoca de Saulo, por exemplo, fica marcada a cena de foliões abrindo espaço para uma fã cadeirante do cantor passar e se aproximar do ídolo. Aqui, fica a torcida para que as pipocas tenham cada vez mais espaço.


A forte adesão e debate sobre a campanha 'Não é não' também precisa ser destacada. Em 2019, vivemos o primeiro Carnaval desde que assédio passou a ser considerado crime. Mesmo sem dados oficiais sobre números de violência contra a mulher nesse período, falar sobre o tema, distribuição de cartilhas, artistas aderindo à campanha já são passos importantes para melhorarmos o cenário sobre o assédio nos dias de festa.

Fenômeno (Gabriel Lopes)
É importante destacar a força do bloco 'As Muquiranas' com Psirico, Léo Santana e Tony Salles. O bloco ainda tem o público fiel de anos atrás e a Avenida fica uma loucura quando eles passam. Destacar mais um ano de Léo Santana como 'fenômeno'. Ele esgotou os blocos e os camarotes que participou e a febre 'Léo Santana' se estendeu por mais um ano.

Acredito também que o Carnaval 2019 jogou Tony Salles na mídia de novo. Com uma música relativamente nova, menos de dois meses de lançada oficialmente, ele foi um dos destaques esse ano, seja com Muquiranas ou na pipoca. Outro ponto alto foi a consolidação de Magnata (La Fúria). Ele já estava chamando a atenção fora de Salvador/Bahia e o Carnaval impulsionou ele ainda mais.

A praça e o poeta (Isadora Sodré)


Achei que neste ano muitas pessoas procuraram o Pelourinho como uma opção para curtir o Carnaval de Salvador. O grande leque de atrações nas praças do centro histórico atraiu muito os foliões. Outro quesito que também achei interessante foram os shows do projeto Por do Sol na Praça Castro Alves. Este modelo começou ano passado e teve uma nova edição neste carnaval.

Sem sufoco (Nélio Castro)
Saí apenas na quinta e achei bem tranquilo. Passei por um portal de segurança e não fui revistado nem minha esposa. Nos sentimos muito seguros dentro do circuito de Ondina. Acredito que a ausência de cordas e blocos fez com que as ruas ficassem menos apertadas. A presença de cordas e as provações de cordeiros e foliões de beira de corda sempre geraram confusão e violência. Dessa forma ficou bem mais tranquilo.

Equilíbrio (Naiá Braga)
Eu vi poucas horas da maratona do Carnaval, mas do pouco que acompanhei, achei que foi um ano em que as pessoas viveram a rua, de verdade. O movimento das atrações sem cordas tem sido importante por contribuir para o resgate da festa como uma manifestação de rua, em sua essência, e isso tem acontecido desde o pré-Carnaval de Salvador. Assim como blocos e camarotes também cheios. A sensação foi de uma festa menos violenta e mais assistida, do ponto de vista dos serviços oferecidos pelo poder público, embora eu tenha ouvido queixas sobre a abordagem da Polícia Militar e também do transporte na hora da volta para casa. De uma maneira geral, acredito que o Carnaval de Salvador tem conseguido equilibrar a força popular da "pipoca" assim como as iniciativas privadas que se mantêm com os blocos e os serviços exclusivos dos camarotes.