Carnaval

Com suas 'rodinhas', Baiana System marca novo capítulo da folia baiana

Misturando o pagode meio eletrônico, meio axé, meio soundsystem, a banda arrastou multidão no circuito Barra-Ondina

Fernanda Lima, do Correio 24h
- Atualizada em

Há oito anos, o Carnaval de Salvador foi abalado por um novo movimento musical. Entre o estranhamento e a admiração, não houve folião indiferente à novidade. Até então, a Baiana System era apenas mais uma a tentar a sorte na música baiana. Dois discos e oito carnavais depois, é uma das que arrastam as multidões mais expressivas (senão a mais) pelos circuitos da folia. Neste sábado (10), no circuito Dodô, o pagode meio eletrônico, meio axé, meio soundsystem invadiu novamente a avenida. E não houve quem ficasse parado.

Foto: Divulgação

rodeado de foliões. Bastou o cantor Russo Passapusso embalar Lucro para que não ficasse pedra sobre pedra na orla da Barra. Do alto do trio, Caetano Veloso acompanhou o pula-pula e viu a formação de rodas entre o público. Ao lado da esposa, Paula Lavigne, e do afilhado, o ator João Vicente, o músico presenciou o que muitos ainda não sabem classificar: o magnetismo do grupo.

Lá embaixo, a atriz Fernanda Paes Leme se juntava à aglomeração. Mas foi Cícero Gabriel Soares, 46, quem tentava entender o fluxo junto à reportagem. “Rapaz, esse negócio é massa. Faltam palavras. É multicultural, para todo tipo de gente”, explicou, enquanto Russo cantava Invisível. Para seguir Baiana, Cristiana Gomes, amiga de Cícero, foi ao circuito com a perna machucada. O único ressentimento era não poder entrar nas rodinhas. “Se eu pudesse eu estava era lá dentro”, falou, apontando para outro aglomerado que se formava.

Caetano subiu no minitrio da banda: "Feliz de estar a bordo pela primeira vez da mais nova força do carnaval da Bahia! Emocionado", escreveu o cantor no seu Instagram. Na foto, ele está ao lado do vocalista Russo Passapusso (Foto: Reprodução/Instagram)

A avenida fica pequena para tanto folião e ambulante na hora que Baiana System passa. Isso ninguém nega. “Mas, qual não fica? Todos são cheios”, tenta justificar o professor de Ciências Ambientais Marcelo Araújo. Um problema de coluna também o impediu de entrar de seguir o trio. Mas, ele decidiu ir mesmo assim. Por que? “O som é muito inovador. As letras são comprometidas. Eu sinto uma diferença em relação às outras bandas”, diz.

Não havia pausa que sossegasse quem acompanhava o trio. Houve espaço para os hits, para o já conhecido É Só Amor, de Russo, e para mensagens políticas, como o momento em que o cantor saudou Carlos Marighella. Só faltava espaço mesmo era para descanso. A ambulante Lucilene Lopes, 21, vê a cena ano após ano, há cinco carnavais. “É isso aqui toda vez. Muito aperto, gente pulando. Loucura”, comenta.

E é loucura total. Com Baiana é: “não sabe brincar, não desce pro play”. Isso tudo porque, para o servidor público Sidney Pinheiro, 39, é porque a banda inaugura uma nova fase da música. “Como o samba reggae, no final dos anos 80. Esse estilo inaugurou um novo momento e a Baiana está trazendo outro agora”, compara. O samba-reggae, inclusive, foi um dos estilos trazidos por Russo durante a apresentação. Mas foi a música instrumental a favorita da noite. “Foi como tudo começou”, relembrou Russo.