Carnaval

Manual do Pegador: homens dão dicas de como paquerar no Carnaval

Pegadores contam como paqueram durante a folia e dão dicas: “Vá na moral ou vai se dar mal”

Redação iBahia (redacao@portalibahia.com.br)

Um turbante do bloco Filhos de Gandhy e no bolso cartões de identificação. Assim que o publicitário João Paulo costuma ir paquerar e curtir no Carnaval de Salvador. A tática, como ele mesmo conta, é fatal para conquistar mulheres na folia. Primeiro ele chama atenção pela fantasia do afoxé, que o deixa “cobiçado” na avenida. Em seguida vem a troca de colares do Gandhy por um beijo: “Elas mesmas ficam pedindo para trocar o colar”, conta. E por último ele entrega um cartão com o seu nome, seu perfil nas redes sociais e o contato.

João Paulo garante que a tática funciona e revelou que foi a partir dela que ele conquistou a sua ex-namorada, com quem ficou junto por 10 meses. “Durante o Carnaval em Ondina, ela estava com as amigas. Ficamos naquela gaiatice de tirar foto. Ela queria o colar [de Gandhy], e eu não queria dar o colar. Aí dei o meu cartão. Dois dias depois ela me adicionou no Facebook”, lembra.

Veja as dicas para se dar bem durante o Carnaval:

Festas abertas: João conta que o melhor lugar para paquerar com tranquilidade é na festa Habeas Corpus, que marca o primeiro dia de folia na Barra, e a Pipoca, onde acontece “a verdadeira brincadeira de Carnaval”.

Fantasia: “Sai dois anos no Gandhy, e foram dois anos top de mulher. Porque quando você tá fantasiado você é cobiçado, não precisa sair muita coisa na conversa”, conta. E a fantasia não precisa estar ligada a nenhum bloco, quem quiser pode também inovar e descer para a avenida vestido da forma mais divertida que encontrar.

Foto: arquivo pessoal

Iniciativa: “Dá para poder sentir quando ela se coloca à disposição. As coisas acontecem e você tem que saber aproveitar o momento”, disse João, que gosta também de surpreender as mulheres, nem que seja com um cartão para contato.

Mulheres: se engana quem acha que a iniciativa tem que partir só de um lado: “Tem muita mulher que toma a iniciativa, na troca de olhares, nos amigos que apresentam. As mulheres estão paquerando”, conta o publicitário.

Foto: ilustrativa

Com 1,84m de altura, ele facilmente consegue ser visto no meio da folia. E é assim que Jonnh Harlly, publicitário, gosta de paquerar durante o Carnaval: olho no olho. Ele conta que a folia reserva espaço para todos os gostos, seja no bloco, na pipoca ou no camarote. E quando você consegue achar aquela pessoa que te interessa, é hora de ser notado. “Se você simplesmente está interessado você vai receber um não. Você tem que ver se ela tá te olhando, te curtindo”, explica o pegador.

O passo seguinte após o primeiro contato visual é o da aproximação: “Tendo o feedback, você parte para o ataque”. E a forma de atacar são muitas, mas sempre respeitando o espaço da outra pessoa. Se a outra pessoa não estiver no clima e não quiser paquerar, o jeito é partir para outro, afinal, “no meio de tantas opções, ficar insistindo em uma só não vale”.

Jonnh (à direita) ao lado de um amigo durante o Carnaval de 2015.
Foto: reprodução / arquivo pessoal

Veja as dicas para se dar bem durante o Carnaval:

Público alvo: cada um tem o perfil de gente que te interessa mais, e o Carnaval é a festa que atrai pessoas de todos os tipos e gostos. Por isso, a primeira dica é escolher um local ou bloco que dê mais o seu público alvo.

Aproximação: “Quando você tá no Carnaval e vai ficar com alguém, você tem que esperar ela te notar também. Você chega mais próximo e também fica esperando a pessoa vir. Alguma hora alguém vai ter que chegar”, conta Jonnh Harlly.

Contato: “Chega, se apresenta, e vai puxando papo. Se ela realmente tá afim ela vai fluir o papo. Você já sente ali na conversa se a pessoa deu bola para você e aí você vai”, explica. O contato corporal é a melhor forma para saber a hora certa de tentar o beijo: “Você vai conversando e aí percebe que é a hora de beijar. Precisa nem acabar o assunto, você vai sentindo o momento, até mesmo porque o corpo vai falando. Carnaval não dá para ter muito papo. Carnaval a gente tem que ir para o corpo a corpo”.

Turista: “Geralmente turista quando vem para o Carnaval ele quer ficar com o pessoal daqui. Baiano tem fama de ser pegador, de ser quente. Então a dica é ter inglês, já passei muito perrengue pelo inglês. No meio do Carnaval você vai embolando, até mesmo porque não é para conversar muito”, diz. “Quando rola o olho no olho, é hora da atitude e partir para o ataque. É o olho que vai denunciar se tá afim ou se não tá”.

“Vá na moral ou vai se dar mal”

Vale lembrar que para rolar uma paquera, a vontade tem que ser das duas partes. Então nada de beijar forçado, puxar pelo cabelo, passar a mão ou praticar outra violência (física ou verbal). Tais atitudes são crimes e poderão ser denunciadas através da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Bahia (SPM), que terá uma equipe especial trabalhando com o acolhimento das mulheres vítimas de violência.