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Seth Kugel, do canal 'Amigo Gringo', fala sobre suas experiências de viagem

Youtuber considera os bares da Mouraria como um dos melhores roteiros de Salvador

Carolina Dourado* (carolina.dourado@redebahia.com.br)
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Foto: Reprodução/ Instagram
O jornalista Seth Kugel, mais conhecido no YouTube como 'Amigo Gringo', não nega a paixão por viajar e viver novas experiências, principalmente, gastronômicas. Ele foi correspondente do jornal The New York Times no Brasil por seis anos e tem o país como um dos seus destinos favoritos.

Em entrevista ao iBahia, Kugel falou um pouco sobre as primeiras impressões dos turistas brasileiros que, para ele, são os melhores. Quando questionado sobre Salvador e algumas dicas de roteiro turístico para fazer na cidade, ele não polpou elogios e até comparou a capital baiana com Nova York, por ter mil roteiros possíveis para todos os gostos. "Salvador é uma cidade única no Brasil, pela cultura afro-brasileira e a comida apimentada, que me faz muita falta quando estou em outras regiões. Dessa vez o que mais tenho gostado é de comer lambretas no bairro de Mouraria, que nunca tinha conhecido antes", contou.

Seth e sua equipe estão com um novo projeto para conhecer pela primeira vez algumas cidades do nordeste. Eles passarão em Recife nos dias 24 a 26 de fevereiro, João Pessoa 27 e 28 de fevereiro, Natal 1 e 2 de março e Fortaleza 2 a 5 de março. Já em Salvador, é possível encontrar e bater um papo com o Youtuber até esta sexta-feira (23), no Farol da Barra, às 18h. Confira entrevista completa do viajante: 

iBahia: Quando foi que começou a sua paixão pelo Brasil? Foi antes mesmo de você virar correspondente do New York Times?

Seth Kugel: Não foi nem pela música brasileira e nem por uma mulher brasileira, como é o caso da maioria de americanos que acabam morando no Brasil! A paixão pelo Brasil foi por causa de várias coincidências. Tinha passado mais de uma década trabalhando com imigrantes de países hispânicos, em Nova York, quando um amigo sugeriu que já era hora de aprender português.  Aí alguém me viu estudando em um café em Nova York, ele me deu uma dica extraordinária: se quiser melhorar seu português, vai até Leticia na Colômbia, atravessa a fronteira com o Brasil e pega um barco até Manaus, vai ficar preso em um barco com 100 brasileiros por quatro dias e seu português vai melhorar mesmo. Ele estava 100% certo. E alguns anos depois uma agência de notícias estava procurando correspondentes no Brasil e fui!

iB: A língua portuguesa é conhecida como uma das mais difíceis do mundo, mas para você como foi a experiência de aprender português? E qual dica você compartilha com os leitores que têm vontade de aprender um idioma novo?

SK: Eu acho que isso é um grande mito. O alemão é claramente mais complicado, e nem precisa aprender um novo alfabeto. Russo é mais complicado ainda. Mandarim tem que aprender milhares de ideogramas. E para mim, que já falava espanhol, entendi 30% de português do começo. Primeiro dia de aula consegui entender a professora, e dentro de meses estava lendo livros em português. Minha dica para aprender idiomas é fácil: nunca vai aprender só de aulas. Vai ter que dedicar várias horas por semana fora da aula, além das tarefas da aula. Escute podcasts americanos, especialmente do National Public Radio, onde as pessoas falam devagar e bem claro. Recomendo comprar livros infantis (ou encontrar online) e ficar lendo com um dicionário ao lado. E claro que tem muitos canais de YouTube que podem ajudar também.

iB: No seu novo projeto, algumas cidades do nordeste estão no roteiro de viagem. Sobre Salvador, quais foram suas primeiras impressões? E que você espera desse encontro com os fãs baianos?

SK: Na verdade, conheci Salvador em 2009 quando escrevi uma matéria sobre a cidade para o caderno de viagens do New York Times. Voltei para o jogo Estados Unidos - Bélgica em 2014, e para dar uma palestra em 2017.  Salvador é uma cidade única no Brasil, pela cultura afro-brasileira e a comida apimentada, que me faz muita falta quando estou em outras regiões onde os brasileiros parecem ter muito medo de uma gotinha só de pimenta. Claro que as praias também são bonitas, mas isso não é só na Bahia, muitos estados do nordeste também têm. Também acho os soteropolitanos bem acolhedores, tem um orgulho da sua cidade e sempre são simpáticos aos visitantes. Dessa vez o que mais tenho gostado é de comer lambretas no bairro de Mouraria, que nunca tinha conhecido antes. 

iB: Qual o melhor roteiro turístico para fazer em Salvador?

SK: É uma pergunta impossível de responder. Não existe um só roteiro, depende do que a pessoa gosta: Se for praia, é praia, se preferir comida é fazer um roteiro de moqueca e acarajé o dia todo. Se a preferência for pela cultura é a casa de Jorge Amado (bom, eu acho, ainda não fui mas vou hoje.) Salvador é ótimo porque é como Nova York: tem mil roteiros possíveis para todos os gostos. 

Veja foto:



iB: Em muitas entrevistas você declarou que o Brasil é dos seus países favoritos, mas qual é seu destino preferido no país?

SK: Meu destino favorito no país é alugar um carro em Belo Horizonte, ir para algum cantinho do interior, e andar perguntando quem faz a melhor pinga caseira da região. Aí vou para a casa dessa pessoa e peço para ver o alambique e comprar uma garrafa (que muitas vezes é garrafa PET porque não tem garrafas de vidro). Esse alambique é meu destino favorito. Mas também adoro os Lençóis Maranhenses.

iB: O que você mais gosta e menos gosta no Brasil? E qual foi a experiência mais marcante que você viveu até agora?

SK: Meu destino favorito no país é alugar um carro em Belo Horizonte, ir para algum cantinho do interior, e andar perguntando quem faz a melhor ping caseira da região. Aí vou para casa dessa pessoa e peço para ver o alambique e comprar uma garrafa (que muitas vezes é garrafa PET porque não tem garrafas de vidro). Esse alambique é meu destino favorito. Mas também adoro os Lençóis Maranhenses.

iB: No seu canal do YouTube, 'Amigo Gringo', existem vários vídeos seus experimentando comidas típicas e convidando outras pessoas para provarem também. Já aconteceu alguma cena inusitada nos bastidores desses vídeos ou em alguma das suas experiências?


SK: No canal a gente não esconde nada. Eu não lembro de ter provado uma comida e fingir que gostei quando não gostei. Na verdade já comi minhocas na África e peixe podre na Islândia, aí tinham cenas interessantes nos "bastidores", mas ninguém estava gravando, felizmente!  E nunca fingi gostar de pequi. Acho que a maioria de baianos vão concordar comigo, né pessoal?

iB: Em uma coluna publicada, você escreveu que o turista americano é o mais irritante do mundo. Por quê? E o turista brasileiro?

SK: Já ouvi muitos brasileiros dizerem que ficam com vergonha de turistas brasileiros em outros países. E quando a gente faz um vídeo ensinando para os brasileiros como não serem "puta babacas" em Nova York, às vezes nos comentários aparecem brasileiros falando que é uma vergonha ser brasileiro, etc. Claro que não é. Turistas sempre são puta babacas quando vão para países onde não conhecem a cultura. Americanos são os piores de todos, porque não pensam muito no mundo fora dos Estados Unidos. Não é necessariamente nossa culpa, a gente tem de tudo e agora quase o mundo inteiro fala inglês. Mas quando eu vejo americanos em outros países falando muito forte, não respeitando culturas locais (como no caso do youtuber Logan Paul) e pensando que são os anfitriões que devem mudar seu jeito em vez deles mesmos, fico frustrado!

*Sob supervisão e orientação da repórter Naiá Braga.