Carnaval

Tradição e cultura marcam preparação de afoxé Filhos de Gandhy

Neste ano, uma alegoria desfilou pela primeira vez ao lado do bloco

Júlia Vigné, do Correio 24h
- Atualizada em


Onde Está Meu Trio?


Um ano antes de completar 70 anos de história, o afoxé Filhos de Gandhy formou mais uma vez o tradicional tapete branco pelas ruas do Centro da cidade. Com o tema “Do cais do porto para o mundo”, em 2018, a história do Filhos de Gandhy foi representada pelos 4.500 integrantes do afoxé.

Foto: Elói Corrêa/GOVBA

O presidente, Gilsonei de Oliveira, creditou o sucesso dos Filhos de Gandhy e a sua resistência por 69 anos à religiosidade do bloco. “Nós somos um afoxé, ou seja um candomblé na rua. A nossa religiosidade nos mantém”. É por isso que o nosso bloco sempre está cheio e encanta por onde passa”, afirmou.

Uma grande novidade foi inaugurada no desfile neste ano: uma alegoria de 6x5m que desfilou a avenida junto com os Filhos de Gandhy. Uma pomba branca foi representada em um carro pela primeira vez. De acordo com o presidente, ela foi construída por artistas plásticos do Rio de Janeiro e de Parintins. 

“Filhos de Gandhy é um afoxé patrimonializado. É um bloco de resistência e tem uma postura política pela busca da paz”, disse a secretária estadual de Cultura, Arany Santana.

A procura pela sede do afoxé, no Pelourinho, começou cedo. Às 8h, as costureiras que transformam toalhas brancas nos turbantes, já estavam no local realizando o trabalho. Toda uma tradição envolve a saída do bloco. Antes do evento foi realizado o tradicional padê - cerimônia do candomblé em que alimentos e bebidas são oferecidas a Exu. A tradição de Gandhy também é passado na roupa: o traje reúne toalha, lençol, faixa, fitas, sandálias, alfazema e meias.

A diarista Ivone Sousa, 54, foi uma das pessoas que chegou ao Pelourinho às 8h. Na calçada em frente à sede do afoxé é onde Ivone costurava turbante por turbante. “Eu nem sou do candomblé, mas faço os turbantes desde 2009. Chego aqui 8h e só saio 19h. Tô desde segunda-feira passada e fico até terça que vem”, contou. 

Nos 9 anos de trabalho, Ivone já chegou a arrecadar R$ 3 mil costurando os turbantes. Em 2018, ela espera arrecadar R$1,5 mil. “Ano que vem que vai ser bom, que é os 70 anos do bloco. Aí eu volto a arrecadar isso tudo”, disse rindo.

Jorge Mendes, 54, já sai no Gandhy há 20 anos. O serralheiro conta que o que o atraiu para o trio foi a fantasia e a tradição do grupo. “Todo ano eu venho pra cá, coloco meu traje completo e saio pelo Gandhy. Vou para a praça e lá sigo com o bloco”, contou.

O cadeirante José de Jesus, 50, faz parte de um bloco de cadeirantes que foi convidado a desfilar no Gandhy esse ano. A ala de cadeirantes funcionará durante os dias de desfile de Gandhy, na segunda-feira (12) no Circuito Dodô (Barra-Ondina) e na terça-feira (13) retornam para o Circuito Osmar Macedo (Campo Grande/Avenida). 

Turistas

Dos 4.500 integrantes dos Filhos de Gandhy, 15% são turistas. “Eles vêm atrás da religiosidade e do diferente”, afirmou o presidente. O secretário estadual de Turismo explica: “Os turistas estão atrás de uma emoção diferente. Agora o turismo não é só contemplativo, é também de experiência. Então eles buscam as excentricidades de cada cultura. É o que a Bahia tem mais a oferecer”, disse José Alves.


Memorial Gandhy

Em visita à sede do Filhos de Gandhy, o governador Rui Costa, indicou a realização de um Memorial Ghandy. “Quem visita o Pelourinho, a Bahia, precisa conhecer a história do Ghandy. Hoje a história é contada através das músicas, somente em via oral. Então eu orientei que prepare um projeto, entre com edital pela secretaria de Cultura para que a gente possa fazer uma reunião de acervos com jornais e levantar essa história, contratar historiador”, disse. O afoxé Filhos de Gandhy é o maior afoxé do Carnaval de Salvador. Fundado por estivadores portuários de Salvador em fevereiro de 1949.