Coisa de Cinéfilo

Guilty Pleasure: aquelas produções que amamos odiar

Na tradução literal do inglês, “guilty pleasure” significa “prazer com culpa”. Trocando em miúdos, é aquela produção que você sabe que é ruim, mas gosta do mesmo jeito

Marcela Gelinski*

Sabe aquele filme que você tem vergonha de assumir que gosta, mas que toda vez que está passando na televisão, acaba assistindo? Pode ser que ele esteja incluído no conceito de guilty pleasure.

Na tradução literal do inglês, “guilty pleasure” significa “prazer com culpa”. Trocando em miúdos, é aquela produção que você sabe que é ruim, mas gosta do mesmo jeito, por algum motivo que às vezes nem você sabe explicar. Uma trilha sonora boa, cenas de ação emocionantes, um casal apelativo. Qualquer motivo pode ser utilizado na hora de justificar porque continuamos gostando de produções que são claramente ruins.

Mesmo sendo execradas pelas críticas, essas produções acabam levando multidões aos cinemas e seguem sendo assistidas constantemente nos streamings.

O Coisa de Cinéfilo separou alguns exemplos para você se inspirar e fazer a sua própria lista. Garantimos que esse é um bate-papo divertidíssimo numa roda de amigos!

  • As Branquelas (Netflix)

Já começamos com um filme que é queridinho dos fãs de besteirol. Dois policiais negros que se vestem como mulheres brancas e ricas para conseguir desvendar um mistério. Enquanto isso, têm que lidar com a alta sociedade e as amizades doidas das meninas que estão se passando. O roteiro é completamente aleatório e sem compromisso com continuidade, existem várias questões problemáticas de gênero, mas é uma das comédias mais assistidas das últimas décadas, pois consegue arrancar crises de risos até daquela pessoa mais sisuda.

  • Franquia Velozes e Furiosos (Claro Video, Telecine Play)

A franquia, que já está no nono filme, começou sendo sobre rapazes que gostavam de correr com carros legais em pegas de rua. Há essa altura do campeonato, no último longa lançado este ano, eles foram para o espaço, capotaram um caminhão cegonha e estavam armados até os dentes. Não procure coerência onde não tem. Velozes e Furiosos nos oferece ótimas cenas de ação, 100% mentirosas e absurdas, mas que entretém o espectador o tempo inteiro. Além de tudo, temos um protagonista, Dominic Toretto, que é pura simpatia.

  • Franquia Crepúsculo (Netflix)

Com absoluta certeza você conhece mais gente que fala mal desta franquia do que bem. E isso tem um motivo muito justo: ela é bem ruim. Baseada numa série de livros (que também é ruim), o filme é basicamente uma humana querendo namorar e ter relações íntimas com um vampiro, enquanto ele foge brilhando com medo de matar ela, uma vez que está perdidamente apaixonado. No meio do caminho, temos um lobo envolvido e algumas ameaças sem importância. Qual o benefício desta franquia? Justamente falar mal. Tirando a trilha sonora, que é realmente boa, quase nada se salva ali. O bom mesmo é assistir falando mal e se chocando em como todo mundo estava atuando porcamente.

Franquia Premonição (Prime Video, Claro Video, Telecine Play)
E vamos com mais uma franquia? A série de filmes Premonição fez o maior sucesso nos anos 2000, com uma linha de suspense interessante aonde a morte literalmente vai atrás de quem tenta

se livrar dela na sorte. Mesmo com atuações ruins e propostas de roteiros bem duvidosas, esses filmes têm ótimas e chocantes cenas de mortes que deixam o espectador completamente fissurado na cadeira. Quem assiste, nunca mais fica atrás de um caminhão com toras de madeira na estrada.

  • Grey’s Anatomy (Netflix)

Claro que tinha que incluir uma série nesta lista e ela não poderia deixar de ser Grey’s Anatomy. Há 16 anos no ar e ainda ativa, este seriado que fala sobre a história de Meredith Grey e todas as nuances de sua vida complicada no hospital em que trabalha já poderia (ou deveria) ter acabado há muito tempo. Maior parte do primeiro elenco já morreu ou saiu enxotado, deixando o público carente e tendo que se desapegar o tempo todo. Ainda assim, a audiência segue altíssima porque eles conseguem inserir temáticas importantes, cenas de emoção profundas e personagens que facilitam, e muito, a nossa empatia. Assistimos reclamando que já poderia ter acabado, mas seguimos assistindo!

E você? Qual a sua lista de guilty pleasure?

*Marcela Gelinski, editora do site Coisa de Cinéfilo