Coisa de Cinéfilo

Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis chega forte na fase 4 da Marvel

Diretor Destin Daniel Cretton leva o tempo necessário para construir o universo do filme e criar empatia pelas histórias, especialmente do protagonista

Marcela Gelinski*

Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis chegou aos cinemas como um dos longas mais aguardados do ano, no cenário de fãs da Marvel. A história nos apresenta Shang-Chi, um jovem chinês que foi criado por seu pai com o objetivo de o transformar em um mestre de artes marciais. Quando ele tem a chance de sair desse meio e conhecer o mundo lá fora, acaba se afastando do genitor e procurando viver uma vida comum nos EUA. 

A trama evolui de maneira muito orgânica e interessante ao espectador, mesmo aquele que não é tão apaixonado ou integrado pelo Universo Cinematográfico Marvel (MCU). O roteiro nos apresenta à história do passado da família de Shang-Chi, como as coisas aconteceram, como as forças surgiram. Tudo isso enquanto traça um paralelo com o seu presente cotidiano e sem graça. Conseguimos imergir no personagem com muita facilidade, colaborado pelo carisma do ator Simu Liu. A forma como esse herói é introduzido nesta Fase 4 da Marvel é realmente promissora.

Apresentação de personagens sem pressa
O diretor Destin Daniel Cretton leva o tempo necessário para construir aquele universo e criar empatia pelas histórias, especialmente do protagonista. Somos apresentados à origem da organização Dez Anéis e seu alcance, assim como a origem da energia e força de Shang. 

Shang-Chi é um dos melhores lutadores nas HQs da Marvel e isso é respeitado pelo roteiro. A cenas de ação e lutas marciais são um ponto altíssimo da trama. O cuidado da direção em orquestrar tudo com clareza e efetividade torna a experiência do espectador muito superior aos filmes padrão do estilo. Unindo este elemento à fotografia cuidadosa, temos um filme muito visual e atraente. 

Temos ainda o surgimento do vilão Mandarim, que tem suas motivações bem construídas e explanadas. Em paralelo à construção do protagonista, vemos o mesmo acontecer com esse antagonista, que se mostra tão interessante desde o começo. Tudo isso só é possível, claro, pela atuação excepcional de Tony Leung Chiu-wai.


Representatividade oriental

Assim como foi em Pantera Negra (2018), um elenco composto majoritariamente por asiáticos é fundamental para o cinema de super-herói, que abrange um público tão grande e variado. Existe um cuidado redobrado em não utilizar estereótipos que já estamos habituados e isso se reflete em cena, com um roteiro eficiente e fluido. 

Referências do MCU
Como era de se esperar, o longa é cheio de referências e conexões com outras tramas da Marvel, mesmo que isso surja de maneira muito discreta em alguns momentos. São citados eventos como o estalo de dedos de Thanos, o aparecimento do vilão Abominável, de “O Incrível Hulk”, entre outros. Os fãs mais atentos certamente ficarão procurando estas referências.  

Ao final do longa, temos duas cenas pós-créditos (um clássico da Marvel) mostrando o futuro daquela história e onde ela pode caminhar. São importantes e valem a espera, pois conectam diretamente com outros filmes do Universo. 

Atraente para todos
Por fim, Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis é um ótimo longa de ação e aventura que vai muito além de um simples longa de super-herói. É interessante mesmo àquele público que não é tão atraído pela Marvel, pois oferece ótimas atuações, cenas de luta bem ensaiadas e um equilíbrio de roteiro impressionante. 

*Marcela Gelinski, editora do site Coisa de Cinéfilo