Coisa de Cinéfilo

Será que filme de terror tem que dar susto?

Terror tem que causar incômodo no espectador, fazendo ele se sentir desconfortável na poltrona

*Marcela Gelinski

Estamos tão acostumados com sustos em filmes de terror, especialmente nas produções da última década, que não conseguimos visualizar um longa sem esse artifício. Mas será que o gênero tem que se resumir a isso? NÃO! 

Jumpscare é um recurso muito utilizado no cinema e consiste basicamente em uma mudança brusca de imagem ou a implicação de som alto e assustador após longo período de silêncio. Ora, a descrição já deixa bem explícito que não é algo restrito ao gênero de terror. Sendo assim, não deveria ser o seu único recurso. 

Um filme de terror de qualidade vai utilizar essa técnica como um dos elementos, mas vai explorar outros detalhes muito mais importante. Terror tem que causar incômodo no espectador, fazendo ele se sentir desconfortável na poltrona. Se você já assistiu Midsommar - O Mal Não Espera a Noite (2019) vai compreender o conceito. O longa não propicia praticamente susto algum e é um terror de qualidade que entra na mente do espectador. 

O mesmo podemos dizer de longas mais recentes como Corra! (2017), Nós (2019) – ambos do excelente diretor Jordan Peele –, A Bruxa (2015) ou Hereditário (2018). São filmes que recuperaram a essência principal do gênero de terror, que é deixar o espectador transtornado. O medo implicado por esses roteiros persiste mesmo quando a sessão acaba e isso é fascinante. 

Imagem ilustrativa | Foto: pixabay

Clássicos de terror não exigiam susto

Longas clássicos de terror, como O Iluminado (1980), O Bebê de Rosemary (1968), Hora do Pesadelo (1984) não ficavam restritos apenas aos jumpscares e iam muito mais para o terror psicológico vivido por seus personagens e transmitido para o espectador. A angústia, tensão, asco, nojo. Tudo isso associado a cenas de susto criaram roteiros muito mais interessantes e memoráveis. 

Filmes como Atividade Paranormal (2007) criaram um legado de pequenas produções de terror que ofereciam apenas sustos ao espectador, gerando uma grande frustração. Além disso, incutiu no público a noção de que este é o único recurso possível e que precisa ser amplamente explorado.



Mas será que tem que ter susto?

Não é essencial que um filme de terror tenha momentos de susto. É importante que ele meta medo e cause sentimentos de completo desconforto em quem assiste. O susto entra como um dos recursos possíveis e que deve ser utilizado sabiamente. 

Um filme como Invocação do Mal 3 – A Ordem do Demônio (2021), que está passando atualmente nos cinemas, não oferece praticamente jumpscare algum. Ele vai construindo um roteiro de tensão nata no espectador, que sabe o tempo inteiro que algo péssimo está para acontecer, mesmo que o vilão não se revele tão facilmente. 

Um outro bom exemplo é O Homem nas Trevas (2016), disponível na Netflix. Um grupo de amigos assalta a casa de um idoso cego e acaba refém dele, sofrendo os piores tipos de terror psicológico de perseguição. Tem vários momentos de pulo na cadeira, mas a tensão constante é o que sustenta a qualidade do longa

Dito isso, quais filmes o Coisa de Cinéfilo indicaria para você ficar apavorado(a) e transtornado(a)?

  1. Corra! (2017) – Claro Video
  2. Midsommar - O Mal Não Espera a Noite (2019) – Prime Video
  3. A Bruxa (2015) - Netflix
  4. Hereditário (2018) – Claro Video
  5. Invocação do Mal (2013) – Telecine Play
  6. O Homem nas Trevas (2016) - Netflix
  7. Psicose (1960) – Telecine Play
  8. O Iluminado (1980) – Telecine Play/ Globoplay
  9. Sexta-feira 13 (1980) – Google Play
  10. O Bebê de Rosemary (1968) – Telecine Play

*Marcela Gelinski, editora do site Coisa de Cinéfilo