Luz, Alfazema e Ação

Da Bahia à Cannes: conheça os jovens cineastas que já foram ao evento e irão participar do Festival de Cannes 2022

Neste ano, o evento começou na terça (17) e segue até o próximo dia 28 de maio, de forma híbrida.

Vanessa Aragão
18/05/2022 às 10h30

3 min de leitura

Quando eu conheci Cannes em 2010, andava por lá imaginando a atmosfera que teria aquela cidade pequenina durante o famoso Festival de Cannes, na França. Passei pelo teatro onde acontece o festival e fiquei imaginando como seria sentir tudo isso. Neste ano, o evento começou na terça (17) e segue até o próximo dia 28 de maio, de forma híbrida. Alguns jovens cineastas baianos como Ana do Carmo e Eduardo Tosta já puderam experimentar essa sensação, seja presencial ou de forma virtual.

A cineasta baiana Ana do Carmo, em 2018, co-dirigiu o filme Frutos da Lua com Claudia Sater, que foi selecionado para o Short Film Corner -uma categoria voltada para os novos realizadores e realizadoras do mundo todo. Com isso, elas ganharam credenciamento para participar do evento. Ana assim, fez sua primeira viagem internacional, conheceu cineastas e fez network com gente do mundo todo. Ela inclusive participou de uma mesa com John Travolta (sim, aquele ator norte-americano de Grease e tantos outros filmes). “Surreal ver todas essas pessoas que eu assistia na tela e estar do lado delas”, conta.  

Foto: Acervo / Vanessa Aragão

Já em 2021, seu projeto de longa-metragem, Sol a pino, foi premiado no Nordeste Lab com credenciando para o Marché du Film, onde participou de rodadas de negócios com produtores e distribuidoras internacionais. O longa ficou disponível no catálogo “Cinema do Brasil”, assim como outros filmes brasileiros como Medida Provisória de Lázaro Ramos. “Participar do festival de Cannes dá a possibilidade de assistir filmes em primeira mão que estão competindo e que futuramente estarão em cartaz nos cinemas”, festeja a diretora e roteirista soteropolitana.

Outro jovem cineasta baiano que tem estado pelo Festival de Cannes é Eduardo Tosta. Neste ano, ele vai participar da 75ª edição do evento através do Marché du Film. Tosta participará do festival pela segunda vez consecutiva. No ano passado, ele esteve no evento com o curta-metragem Maratonista de Quarentena no segmento Short Film Corner, segmento voltado à universitários, onde teve uma exibição numa sala de cinema. Dessa vez, o desafio é outro: “Ano passado foi uma experiência singular. Tive a oportunidade de conhecer um pouco do fluxo de produção de outros cineastas universitários que estavam em seus primeiros curtas-metragens, assim como eu. Agora, o formato se torna mais amplo, para projetos maiores. É a tentativa de fazer o nosso cinema entrar em circulação”, afirma o jovem cineasta baiano.

Foto: Hugo Velame / Acervo Vanessa Aragão

Para ele, esta edição do festival é única, tendo uma maior diversidade com Rossy de Palma, presidente do júri. Eduardo desabafa que se manter firme na indústria de cinema é bastante desafiador, principalmente dentro do eixo Bahia-Nordeste, e diz que tem aprendido todos os dias. “Há tanto desgaste emocional e tanto sucateamento com o trabalho dos artistas que desanima, mas também é o que me enche de vontade de produzir. A gente precisa se alimentar disso para justamente não desistir. O cinema baiano tem um poder cultural inesgotável, mentes diversas e que trazem esse requinte para a cena do audiovisual baiano. Desde quando eu era um adolescente que consumia filmes e premiações, sou inspirado por essas pessoas: cineastas que colocam suas intenções e intuições em cada projeto, incluindo os que vieram antes de mim, meus colegas de faculdade e as futuras gerações”.

Leia mais sobre Luz, Alfazema e Ação no ibahia.com e siga o portal no Google Notícias