Hoje (sempre) é dia de Maria


Foto: Divulgação

Ela é filha de baianos, nasceu em São Paulo e veio para a Bahia com 11 anos. Maria Mango, fotógrafa e realizador audiovisual, dirige a Marias Produtora e há sete anos tem produzido conteúdos audiovisuais belos e sensíveis, com destaque para a direção de fotografia, que é sempre impecável. Da área de saúde, seu estímulo visual fez com que ela fosse para o campo das artes visuais, e assim participou do Laboratório de Fotografia da Facom/Ufba, de grupos de pesquisa sobre cinema até chegar na sua atuação de hoje em dia.

Conheci Maria quando ela fotografava na Facom e depois trabalhamos juntas numa empresa audiovisual de dança. Ela sempre me passou uma sensibilidade, inquietação e uma força guerreira de ir sempre além. Por isso, trago ela por aqui, porque, sem dúvidas, é uma profissional que inspira muito. Conheça a trajetória dessa jovem artista do audiovisual baiano aqui abaixo.  

1. Como foi sua trajetória até chegar ao audiovisual?

Após concluir o Bacharelado Interdisciplinar em Saúde, ainda que cursando Enfermagem, eu já sentia e produzia com a imagem. Foi só uma questão de tempo e aceitação de um processo de ruptura para seguir em uma das minhas múltiplas possibilidades. Quando decidi seguir carreira de fotógrafa, eu fazia a mínima ideia do que era, nesse momento, o Laboratório de Fotografia da Facom foi importantíssimo para experiência e compreensão.

Em contra-ponto a esse processo de formação, eu já trabalhava em quase tudo que aparecia. Me mudei para Salvador porque queria poder trabalhar e estudar. Já que eram experiências distintas e importantes. Eu acredito que sempre tenha sido da ação, sabe? A prática, o real, o instante, para mim sempre foi a forma mais genuína que eu lido com as imagens e o mundo.

Transitar entre o Grupo de Pesquisa Poéticas Tecnológicas: Corpoaudiovisual, o Curso Livre de Cinema, ambos como bolsista, pode trazer olhares de linguagens distintas da construção de narrativa e significado através da imagem. Eu acabei fazendo muita coisa, talvez não conseguiria listar todas aqui, mas tudo sempre com muita intuição, percepção e trabalho. Entre ensaios fotográficos, vídeo dança, curtas, publicidade e vídeo-clipes, tenho caminhado por aí há uns 7 anos existindo através da imagem.

2. Hoje em dia, como está sua relação com o audiovisual?

Com certeza não foi uma escolha fácil, o mercado fotográfico e audiovisual parecia instável, em algum grau. Mas ao mesmo tempo, eu tinha um sentimento, ou um pressentimento, talvez percepção, de que eu levava jeito pra isso e com um consumo exacerbado da imagem, talvez fosse um mercado… A minha relação com o audiovisual é com certeza desafiadora. Talvez tenha sido um dos processos mais complexos que eu tenho atravessado nos últimos anos. É um sentimento de vai ou racha. Hoje sou diretora na Marias Produtora, empresa que conduzo junto com meu sócio Wendel Assis, e tenho feito muita coisa, ainda bem. Nossa ideia sempre foi poder fazer algo interessante, acolhedor, atento e com sensibilidade. Sensibilidade em tudo.

3. Me fale dos seus trabalhos mais notórios, que você mais gostou de fazer.

É difícil falar dos trabalhos mais notórios. Porque nem sempre os números significam algo. Pelo menos na minha seleção. Destaco o clipe Maresia de Rachel Reis, que co-dirigi com Bruno Zambelli, o clipe Não Fosse Tão Tarde, de Lou Garcia que fiz a direção e a direção criativa, entre outros como Murilo Chester, Melly, Janaína Noblah, Maya e mais.

CLIPE MARESIA: https://www.youtube.com/watch?v=3zxPluMRilI

4. Como você tem visto o cinema e o audiovisual feito por mulheres na Bahia ultimamente? Em que momento estamos?

A onda potente, inovadora, política, representativa, e definitivamente, criativa, dos conteúdos gerados por mulheres nos últimos anos e principalmente agora, me fazem sentir uma fagulha de esperança para as transformações necessárias que precisamos passar, urgentemente, enquanto sociedade. Estamos mais integradas ao mercado, mas ainda em minoria. Estamos nos fortalecendo, mesmo que distantes ou produzindo coisas distintas. Estamos conectadas de alguma forma, mesmo que pelas redes. Acompanhando, acontecendo. Há muito o que se fazer ainda, há muitas ainda para existir, resistir, transgredir nesse meio. Mas com certeza o movimento que tem acontecido hoje vai fazer parte desse caminho.

5. Cite outros trabalhos/filmes/mulheres da Bahia que te inspiram desse ramo.

Desde que entendi o que de fato poderia significar o impacto da representação, tenho acompanhado, consumido, fortalecido trabalhos feitos por mulheres e pessoas LGBTQIA+.  Há tantas aqui para citar, mulheres incríveis, artistas! Ana do Carmo cineasta, Dandara Tainá produtora, Mariana Ayumi multiartista, Helen Salomão e Maiara Cerqueira, fotógrafas, e tantas outras que caminham comigo ou que eu acompanho o trabalho com muito carinho e admiração.

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