Coronavírus

Peguei covid-19, e agora? Infectologista explica como funciona o tratamento da doença

"O primeiro passo é se isolar para evitar transmitir a doença e a partir daí começar a prestar atenção na evolução desses sintomas", aconselhou Álvaro Costa

Lívia Oliveira (livia.oliveira@redebahia.com.br )

As estatísticas da pandemia de covid-19, a doença causada pelo coronavírus (Sars-CoV-2), estão subindo em uma velocidade assustadora. De acordo com o balanço diário do Ministério da Saúde, divulgado no domingo (28), o total de pessoas infectadas desde o início da pandemia chegou a 12.534.688 e o número de óbitos já ultrapassa 312 mil. 

Em meio a esses dados e a dificuldade de encontrar leitos nas unidades de saúde do país, é imprescindível saber o que fazer diante de um diagnóstico positivo para doença. Por isso, o iBahia conversou com o infectologia Álvaro Costa, da Sanar Medicina, e reuniu as principais informações sobre cuidados e tratamentos. 

De acordo com o infectologista, a covid-19 é uma doença de apresentação clínica muito ampla, ou seja, se você tem algum sintoma não significa necessariamente que esteja com a doença e ausência de sintomas também não é um motivo de achar que está tudo bem. 

"Preste bastante atenção ao seu corpo. Se você está bem e do nada começa a ficar mole, cansado, com dor de garganta, aquela sensação de corpo quente e mal-estar, esse conjunto de sintomas pode sinalizar a infecção", alerta Álvaro Costa. 

Foto: reprodução / Pixabay

Apresentei sintomas, e agora? 

"O primeiro passo é se isolar para evitar transmitir a doença e a partir daí começar a prestar atenção na evolução desses sintomas, porque nem todos os pacientes vão ter a forma grave da doença", explicou Álvaro. 

Diante da superlotação dos hospitais, o médico sinalizou que o ideal é evitar ir para um pronto-socorro e buscar um teleatendimento para uma primeira orientação.

"Em caso de febre muito alta e falta de ar é preciso procurar um atendimento médico privado ou do Sistema Único de Saúde (SUS). A falta de ar precisa ser avaliada, para saber se tem a necessidade de uma tomografia, de colocar oxigênio", pontou o médico. 

Quais testes podem ser feitos para detectar a covid-19?

Os laboratórios estão realizando dois tipos de exames: RT-PCR ou de sorologia. 

O RT-PCR constata a presença do material genético do vírus no paciente. Neste procedimento, é colhida a secreção respiratória no nariz e na garganta do paciente com o swab, instrumento semelhante a um cotonete. A realização deste procedimento é indicada após a apresentação dos primeiros sintomas, mais o menos depois de 72h. 

Os testes sorológicos detectam a presença de anticorpos, ou seja, se a pessoa adquiriu uma defesa ao entrar em contato com o vírus. É coletada uma amostra de sangue após sete ou dez dias de sintomas. 

O procedimento de sorologia mostra a presença dos anticorpos da classe das imunoglobulinas – IgA, IgM (que aparecem mais precocemente, em torno de dez dias após a infecção) e IgG (estes chamados de memória tardia).

Na entrevista, o infectologista pontuou que como existe a possibilidade de um resultado falso negativo é essencial manter sempre todas as recomendações de prevenção. Distanciamento social, uso de máscara e a higienização.

Foto: reprodução
O que fazer para tratar a doença? 

Vale comprar um termômetro para monitorar a febre e, se possível, ter um oxímetro (aparelho que é colocado no dedo da pessoa para medir a saturação de oxigênio no sangue, ou seja a porcentagem de oxigênio que está sendo transportada na circulação sanguínea) em casa. 

O indivíduo com covid-19, além de ficar monitorando a evolução dos sintomas, deve buscar fazer repouso, se alimentar e se hidratar bem. Ele pode também fazer uso de medicamento para dor e febre (antitérmicos e analgésicos). 

Em um teleatendimento, o profissional de saúde vai orientar os remédios mais adequados para combater os sintomas. 

"O que realmente vai fazer a diferença para "vencer" a doença é a identificação do quadro clínico, para agir rápido em caso de piora dos sintomas", acrescentou Álvaro. 

Observação 1: se o paciente tem alergia a alguma medicação é ainda mais importante que ele busque um teleatendimento, consultar um profissional, para saber qual remédio tomar. 

Observação 2: cuidado com as informações falsas que circulam nas redes sociais sobre o uso de remédios - ivermectina, hidroxicloroquina e azitromicina - para prevenir ou acabar com a covid.

"Não tem nenhuma comprovação científica em toda literatura médica no mundo sobre a eficácia dessas medicações. Teve casos de pessoas tomarem essas medicações e desenvolveram hepatite grave", alertou o especialista. 

Estou com falta de ar. Se eu for para o hospital serei intubado?

Não necessariamente. De acordo com o infectologista, o paciente vai passar por uma série de outras medidas de tratamento. A intubação logo na chega ao pronto-socorro só acontece em casos de insuficiência respiratória muito grave. 

O paciente com covid-19 será colocado no concentrador de oxigênio (um espécie de tubo que permite a entrada de oxigênio pelas narinas até o pulmão), com o objetivo de facilitar a respiração do paciente, aliviando os sintomas da obstrução pulmonar.  A partir de então, ele ficará sendo monitorado.

Se não houver melhora ou em caso de piora do quadro, a equipe médica vai tentar a ventilação não-invasiva, feita com uma máscara de oxigênio que envolve todo o rosto do paciente e que, além de fornecer oxigênio em concentração mais alta, manda o ar com uma pressão maior.

Não teve melhora de novo? O paciente apresenta muito desconforto respiratório? Nesse caso, a intubação é adotada. Ele vai precisar ser conectado a um ventilador mecânico para possibilitar a manutenção da via aérea e propiciar conforto respiratório ao paciente.

"A intubação não é uma sentença de morte. É um procedimento que pode salvar a vida do paciente. Tem muitos casos de pessoas que foram intubadas e saíram do quadro. Depende muito da circunstância - idade, presença de comorbidades, etc", explicou Álvaro. 

Como vou saber se estou curado da covid? 

"A evolução da doença acontece em duas semanas. Então, geralmente, depois desse período o paciente melhora, mas isso não é uma regra. Depende muito da gravidade do quadro de cada paciente", afirmou Álvaro. Ele deixou claro que tem pacientes que podem piorar depois desse tempo ou até mesmo desenvolver sequelas da doença. 

Vale fazer uma avaliação pós-covid e até a realização de um novo exame após o período das duas semanas e a identificação da ausência de sintomas.

Em casos graves - paciente ficou internado e/ou teve dificuldade respiratória -, é importante que o indivíduo receba acompanhamento profissional multidisciplinar, que combina especialistas de diferentes áreas (médicos, fisioterapeutas, etc). 

Dica do especialista

De acordo com o infectologista, a pandemia chama atenção para necessidade de colocarmos nossa saúde e a qualidade de vida em primeiro lugar. 

"A covid-19 tem mostrado de forma muito clara a importância de se alimentar bem, beber bastante água, perder peso, praticar atividade física e evitar fumar e beber. Quando a gente 'planta' um organismo saudável temos uma evolução mais leve da doença", analisou. 

Outra orientação do médico é não deixe de usar máscara e se prevenir, mesmo após ter a doença e se recuperar, pois tem vários desfechos para essa doença, inclusive caso de reinfecção. 

Fonte: Álvaro Costa - médico infectologista e professor. Ele atua no Hospital das Clínicas da FMUSP como preceptor de alunos e residentes no ensino da especialidade, além de ser médico do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Álvaro também faz parte da Sanar Medicina.