Coronavírus

Sputnik e Covaxin: só adultos entre 18 e 60 anos sem comorbidades serão vacinados com elas

Solicitação foi concedida após a apresentação de documentos exigidos pela Anvisa

Adriana Mendes, Evelin Azevedo e Renata Mariz, Agência O Globo

Nesta sexta-feira, 4 de junho, a Anvisa autorizou, com várias condições, a importação excepcional e temporária de Covaxin, da Índia, e da Sputnik V, da Rússia. A decisão desta sexta-feira vale apenas para lotes específicos de imunizantes trazidos de fora e não configura autorização de uso emergencial pela agência. A Sputnik V foi requisitada por seis estados: Bahia, Maranhão, Sergipe, Ceará, Pernambuco e Piauí. A Covaxin faz parte de uma encomenda do Ministério da Saúde.

Segundo o diretor da agência Alex Machado Campos, as duas vacinas só poderão ser aplicadas em adultos entre 18 e 60 anos sem comorbidades, gestantes, lactantes e puérperas, bem como mulheres que pretendem engravidar nos próximos meses, não podem receber os imunizantes.

A solicitação foi concedida após a apresentação de documentos exigidos pela Anvisa. Esta é a segunda vez que os imunizantes passam pela análise dos diretores da agência. Da primeira vez, ambas foram negadas.

Jenssen ainda em junho

Também nesta sexta-feira, 4, dia em que o Brasil passou dos 470 mil mortos pela Covid-19, o Ministério da Saúde informou que o país obterá um adiantamento de vacinas contratadas da Janssen, braço farmacêutico da Jonhson & Johnson. Serão antecipadas três milhões de doses, com previsão de entrega ainda em junho. O total contratado com a empresa é de 38 milhões de doses, mas o envio só começaria no quarto trimestre desse ano.

A vacina da Janssen já tem registro de uso emergencial na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e é aplicada com apenas uma dose. Dessa forma, a remessa adiantada ao Brasil será suficiente para imunizar três milhões de pessoas.

Em outra frente, o Ministério da Saúde pretende assinar em breve a intenção de compra da vacina da Moderna. O plano é adquirir até cem milhões de doses do imunizante, começando as entregas em de outubro. O preço em discussão seria em torno de US$ 15 a dose (cerca de R$ 75, na cotação de ontem), segundo fontes ouvidas pelo EXTRA. O preço é considerado competitivo, tendo em vista que a vacina já teria sido prospectada com valores mais elevados meses atrás. Os cronogramas publicados anteriormente pelo ministério em sua página na internet citavam a Moderna, mas o laboratório foi retirado das previsões em meados de abril porque as negociações estavam travadas.

A aquisição de diferentes vacinas é uma frente da gestão do ministro Marcelo Queiroga, que assumiu a pasta da Saúde em março, tendo em vista que as poucas opções de imunizantes vêm resultando na lentidão da vacinação no Brasil. Duas das três vacinas em uso no país, AstraZeneca e CoronaVac, tiveram suas produções temporariamente suspensas pela Fiocruz e pelo Butantan em maio devido a dificuldades de recebimento de insumos para a fabricação.

Vacinação lenta preocupa ministro

Ainda ontem, sexta-feira, 4 de junho, em reunião com a diretoria do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Marcelo Queiroga se mostrou preocupado com a redução recente no ritmo de vacinação no Brasil — que caiu 16% em maio, na comparação com abril. Segundo pessoas que estiveram no encontro, o ministro ressaltou que busca mais imunizantes, destacou que a testagem feita até agora não foi adequada e disse considerar que o país vive uma onda só de Covid-19, enquanto especialistas falam em terceira onda.

Ele também reafirmou a intenção de executar um plano de testagem em massa, indicando que concentrará esforços em locais como aeroportos, rodoviárias, escolas e unidades de saúde. Fernando Pigatto, presidente do CNS, e conselheiros da entidade foram recebidos ontem numa reunião solicitada desde o início da gestão de Queiroga. Segundo participantes do encontro, o ministro concordou com a necessidade de ajudar mais estados e municípios.

Dados informados pelo governo na reunião apontam aquisições de mais dois milhões de insumos necessários para combater a pandemia, como sedativos, dos quais 800 mil itens já foram recebidos pela pasta. Queiroga teria ainda reclamado de burocracias, em meio à necessidade de concentrar esforços na vacinação, brincando que há no país uma “mania de criar leis”.