Arte e Decoração

Aconchego e praticidade: pais solteiros investem em apartamentos adaptados aos filhos

Arquitetas orientam como aproveitar melhor o ambiente para receber os filhos, mantendo o espaço aconchegante e acolhedor

Redação iBahia (redacao@portalibahia.com.br)

Segundo o último dado divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2015, o número de pais solteiros no Brasil representa cerca de 3,6% dos genitores. Apesar de parecer baixo, o percentual cresceu 16% em dez anos, se comparado ao levantamento anterior feito pelo órgão.

Esse crescimento reflete no número de pais solteiros, divorciados ou viúvos, que têm buscado um lugar para morar só, acompanhados ou não de seus filhos. Os dados divulgados pelo IBGE, mostram que durante a quarentena decretada pela pandemia do novo coronavírus, em 2020, a quantidade de pessoas vivendo só aumentou 18,7%. Ainda, de acordo com o instituto, em dez anos este número cresceu de 10,4% para 14,6%.

O reflexo deste aumento de pais em carreira solo, aparece também na busca pela nova residência. Eles têm dado preferência por imóveis pequenos, que tragam conforto e atendam às suas necessidades do dia a dia. Além disso, a escolha por este tipo de imóvel ocorre por suas características, como sala; cozinha; banheiro; e um quarto ou – no máximo - dois quartos, pois garantem praticidade de limpeza e maior cuidado com o ambiente, além de ser melhor para deixá-lo mais confortável para os filhos.

As arquitetas Agnes Carvalho e Samara Carvalho, sócias Casa Carvalho Arquitetura, afirmam que quando se é pai e mora sozinho, é importante pensar na melhor opção de organização desses espaços para receber as crianças em casa da melhor forma.

Agnes Carvalho fala que no início deste processo, é importante considerar que a arquitetura e a decoração do lar devem ser pensadas como aliadas, para facilitar o processo de transição entre uma casa e outra. “A criança precisará se familiarizar com o novo espaço, então é importante que ela tenha itens pessoais ali: roupas, toalhas etc. De modo que não seja preciso ficar carregando malas entre as casas, causando a sensação de andarilhos sem lar”, destaca.

As arquitetas ressaltam que, além do espaço aconchegante, a criança precisa se sentir dona deste novo lar, independentemente do tamanho da residência.

“Nesse aspecto, é importante que ela faça parte do processo de construção do novo ambiente, de forma que não exista uma competição entre qual casa é melhor. Ela pode participar de escolhas que vão além da decoração do quarto, por exemplo, assim como ajudar o pai a escolher um tapete para sala, a nova geladeira ou uma planta para a varanda, orienta Samara.

Agnes acrescenta que independentemente da idade do filho, é relevante que o pai, em carreira solo considere uma produção de espaços que possam ser aproveitados a qualquer momento, mesmo que o filho não more com ele. “É importante que os filhos sintam que ali também é o lugar deles. Um local que eles são bem-vindos e propício à criação de memórias, independente da situação entre os pais”, salienta.

Como forma de exemplificar, as arquitetas falam que o quarto, ambiente onde o filho(a) estará mais presente, deve ser feito e pensado para a criança. “É interessante ter objetos de uso pessoal presente nesse local. Além disso, é importante garantir que a criança possa deixar os pertences por lá, para quando ela retornar, os itens estejam no mesmo lugar”, frisa Samara.

Para orientar os pais solteiros a respeito dos cuidados com as crianças, Agnes lembra que a maioria dos acidentes que as crianças sofrem são acidentes domésticos e complementa com algumas dicas que ajudarão a evitá-los. “Se possível, o acesso a cozinha deve ser restrito, às áreas molhadas devem ter piso antiderrapante e móveis altos perto de janelas devem ser evitados. Móveis com quinas arredondadas ou com cantos protetores também são um bom investimento”, finaliza.