Nem Te Conto

Acusada de racismo, Day McCarthy se considera 'negra' e confirma prisão nos EUA

Socialite afirma que também sofre preconceito e diz que ser 'racista' é como ser 'gay'

Jan Niklas, da Agência O Globo
- Atualizada em

Dayane Alcântara Couto de Andrade, de 28 anos, acusada de injúria racial contra Titi, a filha dos atores Bruno Gagliasso e Giovana Ewbank, admitiu ter sido racista no vídeo que gravou e confirmou que já foi presa nos Estados Unidos por procurar um serviço de prostituição para “comemorar o aniversário do marido”.

Foto: Reprodução

— Nós fomos para um motel e ligamos para essa suposta mulher (prostituta). Porém, quando chegamos lá, era um policial disfarçado — disse Dayane sobre o caso ocorrido em 2015, no estado de Virginia, onde a prostituição é proibida.

Day McCarthy, como é conhecida nas redes, afirmou que se considera “negra” e disse que “nasceu com um pensamento racista”. Segundo Dayane, assim como há pessoas que nascem "trans" ou "gays", haveriam pessoas que, como ela, já "nascem racistas". Além disso, valores difundidos pela sociedade e pela mídia contribuiriam para uma sociedade com padrões brancos.

— Eu já nasci com esse pensamento racista, e acho que isso deveria ser conversado. Lógico que isso é uma coisa que você pode controlar e não falar. Mas, você pensando aquilo, pra mim é a mesma coisa, continua sendo racismo — afirmou Dayane emendando — A mesma coisa é com os gays, eles não vão deixar de ser o que são porque a sociedade não acha correto.

Segundo Dayane, apesar de se incomodar com seu "pensamento racista" ela não pode mudar sua cabeça, apenas controlar o que fala. A socialite afirmou que também é vítima de ataques e humilhações na internet, o que a teriam motivado a gravar o vídeo ofendendo a menina Titi.

— Eu resolvi fazer aquele vídeo pois sofro com racismo na internet. Eu também sofria muito bullying na escola por ser pobre, por ser gorda, por ser feia. Eu sempre fui na delegacia e ninguém dava ouvido. As pessoas também me chamavam de "macaca" de "preta", "nariz de Michael Jackson", me atacando no Instagram. Eu recebo muitas ofensas de racismo e ninguém faz nada por eu não ser filha de famosos, não ser filha de rico — disse Day, afirmando que o vídeo era destinado somente a um grupo fechado e teria sido vazado.

— Assim como ela é negra, eu também sou negra. Então eu achei pura hipocrisia isso. As pessoas que estavam me xingando, me ofendendo pela minha aparência, vão lá no instagram do Bruno Gagliasso e chamam a menina de linda? — disse.

A socialite, afirmou que "não tem nada contra negros". Para ela, assim como brancos, existem negros bonitos e negros feios.

Nascida em Vitória, no Espírito Santo, Dayane afirma que teve uma infância muito pobre. Em sua adolescência, teria trabalhado em salões de beleza, além de vender comida na rua. Ela nunca conheceu o pai, porém foi registrada pelo padrasto, um policial militar. Aos 18 anos sua mãe a abandonou, junto a sua irmã, para fugir com um homem.

Com a mesma idade, conheceu em Búzios um americano com quem ficou casada por sete anos, tendo morado em Nova York e Washington. Após a separação, decidiu abrir uma loja e um salão no Canadá, onde as taxas sobre seu negócio seriam mais baixas do que nos EUA.

PROCESSO NO EXTERIOR

Na segunda-feira, Gagliasso prestou queixa contra a mulher, que se diz socialite e mora atualmente no Canadá. A Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) investiga o caso. Na ocasião, o ator disse que busca justiça e pretende processá-la, inclusive, no exterior. A Polícia Civil informou que mesmo estando fora do país, ela terá que responder à justiça brasileira.

— É crime em qualquer lugar do mundo, e ela vai responder por isso — disse o ator, que classificou as ofensas como “covardias”.

A socialite afirmou que conta com advogados no Brasil e que ainda não foi notificada sobre o processo. Ela disse que não pretende vir ao Brasil responder às acusações.

— Se ele quiser me processar que ele venha para o Canadá — disse.

*Estagiário sob supervisão de Leila Youssef