Comportamento

Ambiente de trabalho: saiba como reconhecer e lidar com colegas tóxicos

Com ou sem intenção, eles sugam e atrapalham o crescimento profissional

Raphaela Ribas, da Agência O Globo

Fim de ano é sempre aquele momento de repensar a vida e espantar a urucubaca. Mas, depois do recesso, a vida volta ao normal e, infelizmente, nem sempre é possível se afastar de alguns colegas tóxicos que te sugam e chegam até mesmo a atrapalhar o crescimento profissional e a harmonia no trabalho.

Muito se fala dos chefes tóxicos, mas alguns companheiros também cumprem esse papel maléfico nas empresas. Um comentário maldoso aqui, uma fofoca ali e a desqualificação do trabalho alheio acolá podem até ser situações corriqueiras... Ou não! A frequência de alguns tipos nocivos de comportamento que depreciam, sufocam e agridem quem passa o dia ao seu lado pode desencadear problemas de saúde física e mental, além de afetar diretamente na produtividade.

Foto: Reprodução / Pixabay

— Começa com uma afta ou queda de cabelo, por exemplo, e vai evoluindo. Vi casos de paralisia facial e muitos de depressão, que é, inclusive, a maior causa de afastamento do trabalho — conta Alessandra Assad, que, recentemente, lançou o livro “Liderança Tóxica: você é um líder contagiante ou contagioso?”, em que analisou também casos lesivos entre colegas.

E engana-se quem acha que o dito cujo faz tudo consciente e intencionalmente. Às vezes, é alguém que está tentando ajudar e acaba sufocando sem querer, ou que vive reclamando, se fazendo de vítima.
— O colega tóxico não quer que os outros sobressaiam e tenta apagá-los, com medo de que o brilho alheio o deprecie. Às vezes, ele nem percebe sua própria insegurança e ações. O comportamento pode ser fruto da personalidade, de um histórico familiar ruim ou até mesmo doença, por maldade mesmo — diz a escritora.

São vários os tipos de venenos e de colegas tóxicos. A psicóloga e especialista em comportamento Mônica Portella destacou para o BOA CHANCE os mais comuns: agressivo, vaidoso, queixoso, fofoqueiro e a vítima. Para cada caso, ela aconselha uma reação (ver nas laterais).

Um outro tipo de parceiro muito comum (e venenoso) é o desqualificador. — Este tipo de pessoa procura ter o controle sobre as emoções do colega para depois destruir a sua autoestima, levando-o a depender dele e a agir conforme quiser. Este é um exemplo de pessoa tóxica na sua essência. Eles agem de forma devagar e constante. Quando perceber que sua confiança está baixa, olhe para os lados! — orienta Alessandra.

Geralmente, segundo ela, as vítimas são minorias ou pessoas com perfil mais frágil. Infelizmente, mulheres, grupos pequenos religiosos e funcionários com pouca instrução costumam ser os alvos preferidos.

— Uma pessoa que tenha autoestima baixa é a bola da vez para este tipo de pessoa — completa.

Sai pra lá, urubuzada

Cada um sabe onde o calo aperta e o quanto pode aguentar conviver com um parceiro peçonhento. Mas elas ressaltam a importância de se ter sabedoria para discernir quando se trata de um desentendimento pontual ou quando realmente é um caso nocivo a ponto de interferir na vida fora do trabalho. Uma grosseria ou crítica pode ser apenas uma situação isolada. É preciso ser resiliente no trabalho, afirmam os especialistas.
Foto: Reprodução / Pixabay

Lidar com estas situações não é fácil. Para cada tipo de colega tóxico, há uma postura. Ignorar, não dar espaço e se posicionar são algumas, mas o ideal é não ficar segurando a situação.

Entre os sinais que demonstram esgotamento estão a queda na qualidade do trabalho, cansaço frequente, irritabilidade, baixas médicas constantes, sobrepeso repentino, atrasos frequentes, nervosismo e dores de cabeça ou de estômago.

Cobra criada: tipos nocivos costumam se destacar


Ambientes de trabalho tóxicos inevitavelmente reduzem o desempenho e afetam a produtividade de forma contagiosa.

Segundo Alessandra Assad, pesquisas mostram que, a longo prazo, a raiva e tristeza não só desencadeiam doenças, como também começam a interferir no cumprimento de tarefas do dia a dia. Por exemplo, em vez de fazer um relatório, o funcionário fica horas pensando em uma situação que acabou de acontecer — e imagine quando são várias vezes por vários dias...

Caia fora, se não der


Em um ponto, todas orientam a não deixar que o comportamento do outro lhe afete.

— O melhor é olhar de fora e lidar com inteligência emocional. Se o colega tóxico é perfeccionista, por exemplo, não espere um elogio. Já no caso do desqualificador, vale conversar, se houver espaço, porque ele pode não perceber o que faz. Agora, se for intencionalmente, ignore, blinde-se e vá procurar outro trabalho, porque a situação dificilmente vai mudar — sugere Silvina.

Para quem já tentou conversar ou ignorar e não conseguiu, e se sente “contaminado”, sua orientação profissional é que, por mais injusto que pareça ser, procure outro emprego:

Veja quais os tipos e como lidar:


AGRESSIVOS: suas respostas são sempre afiadas e agudas, causando silêncio desconfortável e produzindo um grande desgaste em quem precisa lidar com eles.

Como lidar: Em hipótese alguma bata boca com o agressor. Respire fundo, conte até 10 e responda com racionalidade. Se for preciso, saia de perto durante as explosões de agressão verbal e diga que só irá retornar à conversa quando ele conseguir se controlar.

DESQUALIFICADOR:
sempre dá um jeito de depreciar as conquistas, trabalhos bem feitos e até mesmo sucessos óbvios. Seu objetivo é controlar a autoestima do colega, fazendo com que ele se sinta nada perante os outros, pois, através dessa manobra, sente-se mais seguro para brilhar.

Como lidar: o melhor é não dar crédito ao que ele diz e preservar a sua autoconfiança e valor, focando em suas realizações e qualidades. Não se deixe levar pelo olhar dele.

FOFOQUEIRO:
adora um burburinho e espalhar rumores, sejam eles verdadeiros ou não. Pode ser quem começa o boato ou apenas tem prazer divulgá-los.

Como lidar: não acreditar no que dizem, bem como não dar corda a comentários infundados nos corredores da empresa, nem espalhar tais rumores. Também vale eliminar o ócio no ambiente de trabalho, pois aquele que tem o que fazer, em geral, não tem tempo para fofocar.

ORGULHOSO/VAIDOSO:
soberbo, arrogante, imodesto, pedante, narcisista, envaidecido... Este tipo tem um excesso de autoconfiança no que diz, em que realiza e nas decisões que toma. Para ele, tudo o que faz é perfeito, assim como ele, que está sempre certo (na sua visão).

Como lidar: não dê atenção quando ele começar a sessão de autovangloriação. Se o orgulhoso não tiver plateia, vai parar.

QUEIXOSO: Sempre encontrará um motivo para reclamar. O lamento já faz parte da sua vida e sempre tem uma exigência, censura ou desgosto sobre tudo e todos. O queixoso nunca está satisfeito.

Como lidar: deixe que ele se expresse, mas não lhe dê muita atenção e procure também não reforçar as lamentações deste tipo. Outra dica é não tentar solucionar os problemas dele porque, muitas vezes, não existem. E, além disso, ele sempre terá uma reclamação nova a fazer.

SE FAZ DE VÍTIMA:
responsabiliza os outros pelos seus erros e problemas, tentando fazer com que se sintam culpados. A vítima também terceiriza seu próprio sucesso e assim deixa de assumir a parte que lhe cabe frente aos seus objetivos.

Como lidar: quando ele tentar fazer você se sentir culpado, seja assertivo e não se deixe manipular. Não o trate como se fosse uma vítima e, se puder, mostre que só ela é a responsável pela própria vida.