Tecnologia

Amigo oculto virtual permite excluir desafetos da lista de sorteio

Site cobra preços diferentes para cada escolha. Ideia divide opiniões

Agência O Globo

Está preocupado com o clima do amigo-oculto em família no Natal pós- eleições polarizadas? Foi convocado para a brincadeira na firma, mas tem receio de tirar aquele desafeto? É tímido e fica nervoso só de pensar em falar em público sobre alguém que mal conhece? Seus problemas acabaram. Criado para facilitar a troca dos tradicionais papeizinhos, o site Amigo Secreto agora vende uma novidade que faria corar o Papai Noel —os usuários podem apostar no “jeitinho” virtual e pagar para interferir no sorteio. Dependendo da quantia, é possível “tirar”um nome específico, com sigilo garantido pela plataforma.

Foto: Divulgação

Por R$19, o usuário tem direito a vetar um nome da lista, que não será sorteado para ele. Quem tem mais desafetos pode, por R$ 29, excluir três nomes que não deseja presentear. Também é possível optar por alguém querido, mas, nesse caso, é mais caro. Para que o site faça o sorteio entre três pessoas indicadas é preciso pagar R$ 39. O pacote que mais pesa no bolso permite a escolha direta do seu amigo secreto, por R$ 49.

O fundador do site, Marcelo Abrileri, argumenta que o “jeitinho” melhora a experiência da brincadeira.

—Ser amigo secreto de alguém que você não gosta pode criar situações difíceis, de saia justa, e transformar em obrigação o que era para ser prazeroso. Cheguei a ver pessoas que não queriam brincar pelo medo de tirar alguém indesejado. Agora, isso não é mais problema. Você pode comprar o direito de escolher o seu amigo. Ninguém jamais ficará sabendo. Isso deixa tudo mais colorido — defende.

Polêmica entre amigos

A ideia, no entanto, já virou alvo de críticas entre clientes do site. Nas redes sociais, há relatos de quem deixou de usar o serviço por conta da novidade. Os ex-participantes consideram que o recurso tira a surpresa da brincadeira e argumentam que amigo- oculto existe justamente para integrar as pessoas.

Nesta quarta-feira, o sorteio “batizado” dividiu opiniões de um grupo de amigos que trocava presentes em um bar da Cinelândia, num evento natalino bem antecipado.

Naiara Bastos foi categórica:

— Assim não tem graça. Não usaria, não.

Já André Vidal se mostrou mais pragmático. Ele acha que o sorteio programado pode livrar usuários de situações desconfortáveis.

— Eu usaria. É difícil saber o que dar de presente ao chefe, por exemplo.

Perto dali, em uma happy hour no Arco dos Teles, Gilbrant Santos contou que seus amigos vetaram o amigo-oculto de fim de ano e ponderou que, fora do mundo virtual, também é possível interferir — atire o primeiro papelzinho quem nunca alegou ter tirado o próprio nome só para poder participar novamente do sorteio e se livrar de uma pessoa que não queria presentear.

— Sempre teve a troca de papelzinho, o recurso de contar quem tirou para um amigo mais chegado e tentar trocar se não gostasse mesmo da pessoa. Mas pagar por isso? Nunca. Já tirei e fui tirado por várias pessoas de quem não gostava e sempre levamos numa boa, foi tudo tranquilo, não é nada demais.

Outras novidades do Natal 2018 são bem menos polêmicas. Não há quem não se encante nas lojas no Centro do Rio com os itens de decoração que prometem se tornar a sensação deste ano: lustres com bolas natalinas, árvores em formatos inusitados, e brinquedos infláveis. A garçonete Luciana Tavares, mãe da pequena Yasmin, de 2 anos, ficou tentada a levar para casa um carrossel inflável, onde os tradicionais cavalinhos foram substituídos por renas e ursos vestidos de Papai Noel. O empecilho foi o preço: R$ 499.

— Bonecos infláveis fazem sucesso, mas esse carrossel está lindo, fica rodando. Se não fosse tão caro, eu levaria um agora mesmo .

Quem quiser “causar” gastando menos pode optar pelos lustres natalinos. Com dez bolinhas de acrílico iluminadas e penduradas de forma sinuosa por fios de LED, os enfeites são encontrados nas versões vertical e horizontal, com preços de R$ 100 a R$ 130. Funcionam com pilhas ou eletricidade.