Comportamento

Amor ou cilada? Saiba como identificar se você está em um relacionamento abusivo

O abusador(a) pode criar um enredo e envolver a vítima de tal maneira que situações tóxicas são "superadas" por presentes e pedidos de desculpas que contribuem ainda mais na redução da autoestima da mulher

Maria Beatriz Pacheco* (maria.beatriz@redebahia.com.br)

Na última semana, a ex-bbb Mayra Cardi viralizou nas redes sociais após revelar que viveu um casamento tóxico com Arthur Aguiar. A declaração da coach pegou muitos fãs de surpresa, porque o casal esbanjava momentos românticos. Porém, independentemente do que tenha rolado nos bastidores da vida dos dois, o desabafo da artista chamou a atenção para a importância de identificar, o quanto antes, relacionamentos abusivos.

Foto: reprodução
Na fase adulta ou ainda na adolescência, sendo celebridade ou não, independentemente de condição financeira ou profissão: relacionamentos tóxicos podem acontecer com qualquer mulher. Em entrevista ao iBahia, a psicóloga Juliana de Oliveira apontou quais os principais comportamentos que caracterizam os relacionamentos abusivos e trouxe recomendações sobre como superá-los, ou de que forma ajudar alguém que esteja passando por isso.



1-Quem ama cuida? Os limites entre preocupação e abuso

Quem ama cuida e quem tem ciúmes é por proteção? É preciso entender os limites de casa coisa. De acordo com Juliana, em um relacionamento abusivo, o parceiro (a) começa, gradualmente, a controlar a vida do outro. A vítima tem o senso de realidade distorcido, a autoestima colocada para baixo e passa a viver nos moldes do que é projetado pelo outro.

Por mais que a violência física seja mais facilmente identificada, os abusos nem sempre começam assim e podem se manifestar de diferentes formas. "A persona que é abusiva tenta diminuir e desmerecer o parceiro a todo custo, ocultando isso sob a justificativa de cuidado", alertou a especialista.

2- Atenção com os comentários dele


Para Juliana, o abusador (a) deseja embutir a mulher em regras, alegando que tudo é para o bem dela, quando na verdade, são ações para que ele alcance os próprios desejos. Por meio de comentários que, disfarçados de conselhos, menosprezam os sonhos e vontades da parceira, ele concretiza os objetivos dele.

Dessa forma, frases ditas pelo parceiro que, de certa forma, tentam encaixar a companheira em moldes e a diminuem, como "Melhor usar outra roupa", "Esse amigo não é para você" e "Você não tem ninguém" podem ser um sinal manipulação emocional e merecem atenção redobrada.

3- "Ele me humilha, me bate, e mesmo assim não consigo largá-lo". Por que é tão difícil sair de um relacionamento abusivo

Segundo Juliana, o abusador(a) pode criar um enredo e envolver a vítima de tal maneira que situações tóxicas são "superadas" por presentes e pedidos de desculpas que contribuem ainda mais na redução  da autoestima da mulher. "O amor cega, a mulher vê o companheiro (a) como alguém sem defeitos e não consegue enxergar determinadas situações", complementou a profissional.

4- Como sair de um relacionamento abusivo?

Deixar um companheiro (a) que faz mal não significa, necessariamente, parar de amá-lo, mas sim, iniciar um processo de autoconhecimento e valorização do amor próprio. De acordo com a especialista, o primeiro passo é reconhecer quais são as atitudes abusivas do parceiro. "As mulheres são culturalmente educadas a corresponder o anseio do próximo e o autocuidado funciona como peça-chave no processo de emancipação e empoderamento feminino".

No caso de familiares e amigos que conhecem alguém que está passando por esse tipo de situação, o mais importante é conversar e oferecer apoio. Juliana também alerta para a importância do acompanhamento da vítima com um terapeuta, pois ela, que normalmente enxerga os conhecidos como "julgadores", tem no profissional, a ajuda que nem sempre se sente apta para pedir aos parentes.

5-Não permita que problemas do passado te proíbam de amar novamente

A pessoa que foi vítima de um romance abusivo acaba apresentando dificuldades de começar um novo relacionamento. No entanto, é preciso impedir que traumas a impeçam de amar novamente. De acordo com a psicóloga, a mulher que passou por essa situação precisa de um tempo e pode vir a apresentar dificuldades de conversar e expressar emoções. Por isso, é fundamental entender que o outro que virá não tem qualquer relação com o abusador e ter em mente que, muito mais do que se apaixonar de novo, ela é capaz de ser amada.

*Sob supervisão da repórter Lívia Oliveira