Economia

Antecipar pode custar caro: veja quando vale a pena adiantar pagamento do IR

Juros dos bancos para antecipação variam entre 1,79% a 4,36% por mês e podem levar até 28% do valor

Júlia Vigné, do Correio 24 horas (julia.nunes@redebahia.com.br)
Apesar das declarações do Imposto de Renda terem começado nesta quinta-feira (1º) e da liberação do valor iniciar apenas no dia 15 de junho, os bancos já abriram linhas de crédito para quem quer fazer a antecipação do pagamento. As ofertas podem até parecer tentadoras à primeira vista, com possibilidade de resgatar 100% do valor e antecipação da quantia em 9 meses, mas especialistas chamam atenção para os juros, que variam entre 1,79% a 4,36% por mês.

Na Bahia, 29.403 pessoas já entregaram suas declarações e, portanto, estão aptas a contratar a linha de crédito. No entanto, o contribuinte deve ficar atento às condições do empréstimo, tendo em vista que dependendo das condições, ele pode perder até 28% do valor para o banco por conta dos altos juros. 
“Esperar sempre é vantajoso. Principalmente porque quanto mais demorar, mais o contribuinte irá receber, porque o valor é corrigido com a taxa Selic (taxa básica de juros). Se a pessoa não tiver questões muito fortes, como saúde ou uma outra dívida com taxas maiores para quitar, eu indico que não antecipe. Se não for por razões de verdadeira necessidade, simplesmente não é recomendável”, explicou o economista Edísio Freire. 
Ele ressaltou, ainda, que muitas pessoas fazem a retirada para comprar supérfluos, sem perceber que a taxa de juros pode retirar quase ⅓ do valor restituído pela Receita. A possibilidade da restituição não vir com o valor total esperado e demorar até dezembro para sair também é levantada por Edísio. “Se isso acontecer, a pessoa terá que pagar do próprio bolso e o valor ser ainda mais corrigido pelo banco”, destacou.
O presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros, Reinaldo Domingos, ressalta a importância de ter a certeza de que a declaração está completamente correta antes de enviá-la ao governo. “Se tiver algum erro, a pessoa pode cair na malha fina e o contribuinte terá que arcar com o empréstimo do próprio bolso”, disse.
Em cada banco, os juros variam de acordo com o perfil de risco do cliente e do relacionamento dele com o banco. Para contratar, por exemplo, a pessoa tem que ter conta corrente do banco, ter o valor do crédito aprovado e receber o valor da restituição do Imposto de Renda por esse banco em que o crédito será contratado. Os bancos exigem o recibo de entrega da declaração e fazem o cálculo da restituição de acordo com o saldo dos dados enviados à Receita.

Quando vale a pena
Quem está com dívidas no cartão de crédito, parcelando as faturas, por exemplo, podem trocar uma grande dor de cabeça por uma menor. Dentre o Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú e Santander, a taxa de juros para parcelamento varia de 8,19% a 8,49%, de acordo com o Banco Central. Dependendo da quantia e da quantidade de parcelas, antecipar o valor para quitar essa dívida valerá a pena. A situação pode ser ainda pior para quem está utilizando o cheque especial do banco. Nele, as taxas de juros podem variar entre 12,53% e 14,76%. 
Dívidas de crédito consignado, por exemplo, que estão variando, em média, de 2,48% a 3,20% nos grandes bancos, de acordo com o Banco Central, podem valer a pena, se a pessoa conseguir uma taxa menor para antecipar o Imposto de Renda.
Em geral, trocar uma dívida com juros mais altos pelos do adiantamento pode valer a pena. A indicação, no entanto, é sempre colocar tudo na ponta do lápis e comparar quando de fato pode ser positivo fazer o adiantamento.
É importante prestar atenção, para além das taxas de juros cobradas no adiantamento da restituição, no Custo Efetivo Total (CET) do crédito, que inclui taxas e outros encargos cobrados pelo banco.
Calendário 
A Receita Federal divulgou nesta sexta-feira, 2, o cronograma dos lotes das restituições do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) referente ao exercício de 2018, ano-calendário 2017. Segundo Ato Declaratório publicado no Diário Oficial da União desta sexta-feira, a restituição será efetuada em sete lotes, no período de junho a dezembro deste ano
Como ocorre todos os anos, a Receita esclarece que as restituições serão realizadas na ordem de entrega das declarações do imposto de renda, levando em consideração que terão prioridade os contribuintes com idade igual ou superior a 60 anos, sendo assegurada prioridade especial aos maiores de 80 anos, aos contribuintes portadores de deficiência física ou mental, os portadores de moléstias graves e aos contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério.
Os lotes de restituição serão nas seguintes datas: 15 de junho; 16 de julho; 15 de agosto; 17 de setembro; 15 de outubro; 16 de novembro e 17 de dezembro de 2018