Empreendedorismo

As Donas do Pedaço: conheça às Maria's da Paz de Salvador

O iBahia conversou com quatro mulheres tão fortes quanto a da personagem da novela das 21h; confira

Lucas Sales* e Priscila Morais* (lucas.sales@redebahia.com.br e priscila.morais@redebahia.com.br)
- Atualizada em

Desde o dia 20 de maio, os telespectadores acompanham a nova novela das 21h, 'A Dona do Pedaço' (TV Globo). Bem comentada, a trama é escrita por Walcyr Carrasco e conta a história de uma jovem que tem uma paixão interrompida por causa da rivalidade entre as famílias em Vitória, no Espírito Santo. 

Foto: Victor Pollak | Divulgação

Os personagens principais são de Juliana Paes, que dá à vida a Maria da Paz e Marcos Palmeira, que interpreta Amadeu. Na primeira fase da novela, os dois se casam e, em plena cerimônia, Amadeu recebe um tiro nas costas. Com medo de morrer e achando que o seu amado havia falecido, Maria muda-se para São Paulo e, com a ajuda de uma senhora, começa a vender bolos na rua. 


O sucesso foi aparecendo e a protagonista montou uma rede de confeitarias intitulado como 'Bolos da Paz'. Em Salvador, existem muitos casos parecidos com a personagem da novela e o portal iBahia conversou com quatro empreendedoras que ganham a vida vendendo o doce.

  • Um plano B que virou realidade

Foto: Divulgação | Lorena Mascarenhas
Lorena Mascarenhas, de 33 anos, decidiu começar as vendas há um ano e meio, para poder aumentar a renda familiar. Mãe de duas filhas, a jovem criou a marca 'Nalu Cakes', e viu, em poucos meses, os pedidos crescerem. 

"Aconteceu como melhoria de vida. Foi um plano B, que acabou virando realidade", contou ela. De acordo com Lorena, a visibilidade do seu trabalho ganhou ainda mais força após a estreia da novela. 

"Muitos clientes e amigos comentaram e relacionaram a minha história com a da protagonista. Isso enaltece e valoriza meu ofício", vibrou. 

Foto: Reprodução | Instagram @nalucakes
  • A dona do famoso bolo de milho com queijo

Foto: Ana Santos | Divulgação
Desempregada, Ana Santos, de 50 anos, começou a vender bolos em 2018, e afirmou que a ideia partiu do seu filho, Guinho Santos. "Um dia eu fiz um bolo em casa, e ele levou para os colegas de trabalho. As pessoas gostaram e começaram a fazer encomendas com ele", pontuou. 

Segundo Ana, existem épocas do ano que os pedidos crescem ainda mais e, por conta dos festejos juninos, os clientes a procuram mais no mês de junho. "Recebo muitos pedidos por conta do São João. O bolo de milho com queijo é um dos mais procurados e, o retorno do público é excelente", declarou ela. 
Foto: Reprodução | Instagram @donanabolosartesanais

  • Largou o trabalho formal para gerir o próprio negócio

Foto: Divulgação | Eliene Rodrigues


Há sete anos, Eliene Rodrigues, de 40 anos, decidiu largar seu trabalho em um restaurante da capital baiana para investir no ramo dos doces. Sua vida andava estagnada quando, de repente, resolveu apertar o botão de start e se profissionalizar para abrir seu próprio negócio. 

"Eu trabalhava em um restaurante com sobremesas e, do nada, me veio na cabeça aquela ideia de começar a fazer bolo em casa para vender. Fiz um curso e, após o término dele, veio o meu casamento. Me veio outra ideia: fazer o bolo do meu casório. Essa seria a minha primeira experiência. O bolo foi sucesso, agradou a todos, aí sim investi no negócio", contou ela aos risos. 

A confeiteira ainda pontuou que fazer os doces lhe traz paz e que tomou a decisão certa ao aplicar seu tempo e renda em seu empreendimento.  

"Fazer bolo me traz paz. É um sentimento de carinho, é o que eu realmente amo fazer. Ver aquela obra de arte em pé e saber que eu mesmo fiz é indescritível. Não tem prazer melhor. Ver todos os elogios e retornos... Isso é realmente o que amo fazer”, concluiu.

Foto: Reprodução | Instagram @lnconfeitaria
  • Os doces como uma luz no fim de túnel

Foto: Divulgação | Daniela Reis  
Afastada do seu trabalho de assistente social - área na qual trabalha há 22 anos -, por causa de uma queda onde fraturou suas duas pernas, Daniela Reis, 47, se encontrava em um momento conturbado há três anos. Ela passava por um sério problema de saúde e enxergou nos doces uma luz no fim do túnel. 

"Estava numa fase complicada na minha vida e comecei a fazer pipocas gourmet como uma terapia. Aprendi, elaborei receitas e ao conhecer o bico de confeiteiro pensei que dali poderia sair uma brincadeira legal. Ao rolar o feed do Instagram vi uma foto de uma confeiteira de Caruaru (PE) convidando para fazer um curso de bolos caseiros, os tradicionais 'bolos da vovó'. Desse 'intensivão' despertei para fazer um outro curso, um mais elaborado, que me ensinasse outras técnicas, diferentes das que eu já sabia. Foi aí que eu acordei e comecei a fazer bolos."

A confeiteira relata que a ideia no início era para a família, no entanto os elogios rendidos pelos bolos foram tão grandes que resolveu investir no negócio: "no início era para a família, mas aí mandei para alguns vizinhos e amigos experimentarem e o retorno não poderia ser melhor", pontuou.

Ao associar sua história com a da personagem da novela de Walcyr Carrasco, Daniela destacou que a história é bastante parecida com a sua, principalmente a relação da personagem de Juliana Paes com a avó, Dona Dulce, personagem interpretada por Fernanda Montenegro. 

"Ver Maria da Paz com a avó me lembra muito meu passado. Era mais ou menos daquele jeito a fazenda onde meus avós moravam e eu ia sempre pra lá nas férias. Via minha vovó cozinhando no fogão a lenha e todas as medidas no 'olhometrô' como a avó da Maria Paz fazia na novela. Eu via aquilo mas tinha medo - da cozinha -, por meus avós dizerem que eu estava estudando para ser alguém na vida", contou emocionada. 

Foto: Reprodução | Instagram @bolosemsalvador

A confeiteira ainda destacou que a satisfação em fazer os doces é grande e que não há sensação melhor. "O que eu transmito fazendo meus bolos é gratidão. Pela pessoa me confiar em estar ali, me contratando para pôr o meu bolo na mesa. Adoçar a vida das pessoas não é pra qualquer um. Não somos nós que escolhemos a confeitaria e sim ela que nos escolhe. Ser boleira é uma honra.", finalizou.

*Sob supervisão e orientação da repórter Isadora Sodré