Brasil

Associação de caminhoneiros diz que greve só será suspensa após 'assembleias locais'

CNTA, que diz ter um milhão de associados, afirma que motoristas decidirão por 'redes sociais'

Agência O Globo

A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), que representa cerca de um milhão de caminhoneiros em 120 entidades, soltou uma nota na manhã desta sexta-feira informando que vai levar as propostas feitas pelo governo com a categoria para que cada grupo de manifestantes em seus sindicatos decida por meio de assembleias através das redes sociais e de mensagem.

"Sabemos que nenhuma pessoa ou entidade tem, sozinha, o poder de acabar com essa mobilização e isso sempre foi deixado muito claro para o Governo. Diante disso, as entidades que assinaram o documento, assumiram um único compromisso, que está sendo cumprido por meio desta nota: apresentar as propostas à categoria que está mobilizada nas rodovias para que cada local decida se isso é suficiente para suspender o movimento ou de continuar", destacou a nota.

Mais cedo, o presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes, informou vai disparar mensagens nos grupos de WhatsApp dos filiados em vários estados, como São Paulo, Rio, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, deixando claro que a decisão de suspender a greve é do caminhoneiro. A Associação representa 60 sindicatos, cinco federações e cerca de 600 mil trabalhadores.

A nota é assinada ainda pelas Federação dos Caminhoneiros Autônomos de Cargas em Geral do Estado de São Paulo (Fetrabens), Federação Interestadual dos Transportes Rodoviários Autônomos de Cargas e Bens da Região Nordeste (Fecone), Federação dos Transportadores Autônomos de Cargas do Estado de Minas Gerais (Fetramig), Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg) e Federação dos Caminhoneiros do Espírito Santo (Fecam-ES).

A CNTA destacou que o documento assinado na noite de quarta-feira com o governo federal "só foi assinado para garantir que o governo manteria aquelas propostas caso a categoria as aceitasse". Fontes ligadas à CNTA destacaram que a proposta feita pelo governo não é suficiente.

- Os caminhoneiros ainda estão parados em muitos pontos. As informações estão sendo repassadas a todas às lideranças, em todo o país para que os sindicatos, nas suas bases, realizem assembleias, e decidam pelo melhor. Ontem não foi dada uma posição de que a paralisação iria terminar, mas sim que a proposta do governo seria levada à categoria. E é o que está sendo feito - disse ao GLOBO uma fonte ligada ao movimento grevista.

Em nota, a CNTA destacou que, além das propostas feitas pelo governo, é "preciso redução urgente e imediata de 50% do ICMS sobre o óleo diesel, a se dar na reunião emergencial do Conselho das Secretarias de Estado da Fazenda, que ocorre na data de hoje em Brasília".