Economia

Bancos aumentam taxa de quem paga mínimo da fatura

Medida foi tomada por Santander, Caixa e Banco do Brasil

Gabriela Valente, de Agência O Globo
- Atualizada em

Depois de o Banco Central proibir os bancos a cobrarem juros diferentes de quem paga o mínimo da fatura do cartão de crédito e quem não arca nem com isso, as instituições aumentaram a taxa dos clientes que eram considerados adimplentes. A norma foi criada no fim de abril com o intuito de diminuir o custo dos empréstimos para os brasileiros que entram no rotativo. Após a medida, três dos cinco maiores bancos do país elevaram o custo de quem paga o mínimo. Duas das instituições são públicas.

O banco que mais aumentou os juros foi o Santander. Antes da medida, cobrava 204,32% ao ano do cliente que pagava pelo menos o mínimo da fatura, mas caia no rotativo. Desde a regra nova até o dia 13 de julho (dado mais recente), o Santander aumentou a taxa em mais de 50 pontos percentuais. Atualmente, o rotativo custa 245% ao ano.

A Caixa Econômica Federal — banco totalmente público — também aumentou o custo para os seus clientes. Antes da norma, cobrava 234,37% ao ano de quem caísse no antigo rotativo regular (quem pagava o mínimo). Agora, ganha 249,99% ao ano. Já o Banco do Brasil, que tem ação em bolsa, salgou um pouco menos os juros para os correntistas que usam o rotativo: quase 11 pontos percentuais. O rotativo do BB está em 173,96% ao ano.

O Banco Itaú foi o único que manteve os juros após as mudanças na norma. Os juros cobrados continuaram na casa dos 218% ao ano. Só não são menores que os do BB.

A única instituição que baixou as taxas foi o Bradesco. Mesmo assim, o banco continuou a ter o rotativo mais caro entre as cinco maiores instituições do país. Os juros passaram de 411,42% ao ano para 266,24% ano: os mais altos entre os concorrentes.

De abril — quando o Conselho Monetário Nacional (CMN) mudou as regras para o rotativo — os bancos subiram as taxas cobradas no “rotativo regular” (que, desde o mês passado, deixou de ter taxas diferenciadas para quem paga o mínimo) de 248,1% ao ano para 261,1% ao ano.

Questionado se havia motivos econômicos para as instituições subirem as taxas mesmo num cenário de queda da Selic e da inadimplência, o chefe do departamento econômico do Banco Central, Fernando Rocha, afirmou que o mercado é livre no Brasil.

— Estamos tratando aqui do mercado de crédito de taxas livres. É um mercado competitivo em que as taxas são fixadas pelas próprias instituições.