Saúde

Boa alimentação é a principal preocupação das gestantes, mostra pesquisa

Estudo mostrou que a gravidez fez com que as futuras mamães incluíssem mais frutas e verduras na alimentação e reduzissem o consumo de açúcar

Agência O Globo

Apesar de a alimentação ser a principal preocupação das gestantes (73%), grande parte delas admite não comer tão bem quanto gostaria por causa da correria do dia a dia. Este é o resultado da pesquisa “Como vai a alimentação das gestantes brasileiras? A mãe moderna e o desafio da nutrição equilibrada”.

— Nas últimas décadas, observamos uma mudança no papel da mulher não apenas no mercado de trabalho, mas também na dinâmica familiar. Estamos surpresos pelo grande percentual de mulheres que valorizam a nutrição, mas, por outro lado, há a chance de frustração por não levar a alimentação adiante da maneira como se esperava — diz Eurico Correia, diretor médico da Pfizer, que, junto com a Nestlé, encomendou a pesquisa feita pelo Ibope Conecta.

O estudo mostrou que a gravidez fez com que as futuras mamães incluíssem mais frutas e verduras na alimentação (77%); reduzissem o consumo de açúcar (44%); iniciassem ou aumentassem o consumo de alimentos integrais (31%); e aumentassem a ingestão de proteínas e gorduras boas (25%). Um ponto que chamou a atenção dos pesquisadores foi que 84% das entrevistadas acreditam que um cardápio equilibrado é o suficiente para garantir a nutrição adequada durante a gestação.

— As gestantes e as lactantes têm as necessidades nutricionais aumentadas. Além de precisar consumir 300 calorias diárias a mais no primeiro trimestre, a mulher terá uma demanda de vitaminas e minerais maior, como o ácido fólico, o ferro e a maioria das vitaminas. É preciso revisar a alimentação desta mãe para ver se está apropriada, fazer o balanceamento da alimentação e fazer a suplementação — afirma Tamara Lazarini, diretora das áreas médica, científica e regulatória de Nutrição Infantil da Nestlé.

A pesquisa também constatou que alguns mitos sobre alimentação ainda “assombram” as futuras mamães. Veja o que é real ou não em relação à nutrição das gestantes.

TIRE SUAS DÚVIDAS

A mulher pode e deve consumir cerveja preta durante a gravidez e durante a amamentação, para estimular a produção de leite materno

Mito. O consumo de álcool deve ser evitado durante a gestação, principalmente a ingestão de cervejas com alto teor alcoólico e bebidas destiladas. O excesso de álcool pode trazer prejuízos para a saúde do bebê e até provocar uma síndrome alcoólica fetal

A mulher deve “comer por dois” durante a gravidez

Mito. A mulher deve passar a ingerir apenas 300 calorias a mais no primeiro trimestre da gestação para que o corpo tenha energia para gerar o bebê. Alcançar o valor necessário não é tão difícil. Por isso, a mãe não deve "comer por dois", mas ingerir nutrientes "por dois". Não é uma questão de quantidade, mas de qualidade

É melhor evitar o consumo de peixe cru, comum na culinária japonesa, durante a gravidez

Depende. A mulher não estará proibida de comer peixe cru durante a gestação. O que os especialistas recomendam é observar a qualidade dos alimentos ingeridos, assim como procurar restaurantes de confiança para se alimentar. O consumo deste tipo de alimento não deve ser excessivo para não aumentar os riscos de contaminação

O consumo de café deve ser moderado durante a gestação

Verdade. Se a mãe toma muito café, o consumo deve ser reduzido, a fim de não acelerar o batimento cardíaco da gestante, o que poderia provocar efeitos no bebê. Não é recomendável cortar o café de uma vez para não provocar efeitos de abstinência

Comer canjica durante a gravidez ajuda a aumentar a produção de leite para alimentar o bebê

Mito. Não há comprovação científica de que a canjica ajude a aumentar a produção de leite. As mamães podem comer, mas precisam tomar cuidado com a quantidade de calorias que estão ingerindo nesta alimentação