Eleições 2018

'Brasil tem que abraçar todas as religiões', diz Haddad ao criticar Bolsonaro

Candidato petista ataca 'mentiras' de rival sobre religiosidade e faz aceno a FH

Agência O Globo

O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad , disse neste domingo, em São Paulo, que o estado brasileiro "não pode ter uma religião, tem que abraçar todas as religiões ". Haddad falou aos jornalistas após um encontro com entidades representativas de pessoas com deficiência, no Centro da capital paulista. 

—  Vejo com preocupação, quando uma igreja tem um projeto de poder que, inclusive, está descrito em livros —  disse o candidato petista, em referência ao bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, que declarou apoio ao candidato do PSL, Jair Bolsonaro, e complementou:

— É importante manter o Estado brasileiro aberto a todas as religiões.  

Haddad também atacou Bolsonaro por espalhar "mentiras" na internet sobre sua religiosidade. E incluiu a imprensa no desabafo:  

— Não entendo por que razão a imprensa não está denunciando isso. 

O petista também comentou a neutralidade do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo", publicada neste domingo, FH disse existir um muro entre ele e Bolsonaro, e que, por enquanto, havia uma porta a ser aberta na direção de Haddad. 

—  Se depender de mim, essa porta vai ser aberta em nome da democracia — disse o candidato, que mantém uma relação cordial com Cardoso, além de amigos em comum.

—  Independentemente de o PSDB ser oposição ou situação no próximo governo, o mais importante hoje é garantir as liberdades democráticas, que estão em risco em nosso país, como ele mesmo reconhece na entrevista.  

Haddad também comentou a campanha de Bolsonaro na TV e no rádio, que aponta o PT e seus principais líderes como defensores dos regimes de Cuba e Venezuela: 

— Olha, o PT nunca violou um princípio democrático enquanto esteve no comando do governo. O Estado democrático de Direito era e continua sendo um princípio basilar nosso. O meu adversário, ao contrário, defendeu tortura, a morte de 30 mil pessoas durante a ditadura, chamou Dom Paulo Evaristo Arns de vagabundo e charlatão. E está tudo registrado. 

O candidato petista também comentou um tuíte publicado pelo filósofo Olavo de Carvalho, e republicado por um dos filhos de Bolsonaro, dizendo que o candidato do PT defendia o incesto. Carvalho apagou a publicação logo em seguida.  

—  Já disseram que sou dono de uma Ferrari e que meu relógio, presente da minha família quando me formei, custa R$ 400 mil reais —  disse —  Onde essa loucura vai parar?