Arte e Decoração

Casa alugada? Confira o que pode e o que não pode ser alterado na decoração

Arquiteto Márcio Barreto explica possibilidades na hora de personalizar o novo lar

Redação iBahia (redacao@portalibahia.com.br)
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Seja em casas ou apartamentos, a sensação de estranheza ao morar de aluguel é um fenômeno comum aos inquilinos. O medo de modificar os espaços, somado as restrições impostas pelos locatários (iluminação, revestimento, paredes e pisos), desanimam futuros moradores a personalizarem os espaços do jeito que desejam.

Segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgada em maio deste ano, os imóveis alugados representam 18,3% das moradias, o equivalente a 13,3 milhões de lares. Para auxiliar inquilinos a personalizarem ambientes sem infringir as normas do locatário, o arquiteto baiano Márcio Barreto respondeu quatro dúvidas essenciais que permeiam a quem acaba de entrar na casa nova. Confira as respostas abaixo:

O que posso e não posso fazer em casas alugadas?
“Pode-se fazer tudo em um imóvel alugado, desde que seja em comum acordo com o proprietário. Segundo a cláusula de contrato padrão, o locatário não poderá realizar obras que alterem ou modifiquem a estrutura do imóvel locado, sem prévia autorização por escrito da locadora. Provavelmente o proprietário não concorde com grandes mudanças, pois um dos acordos mais comuns é o abatimento do valor investido pelo inquilino no aluguel, com grandes obras, o retorno financeiro do proprietário será menor. Tendo essa percepção, eu sugiro que invista na pintura desses imóveis”.

Como um inquilino pode personalizar sua casa, mesmo sendo alugada?
“A maioria dos imóveis para aluguel tem paredes e tetos pintados de branco, aquela neutralidade de cor com a intenção de agradar qualquer futuro morador. Claro que se esse for o gosto pessoal, bingo, é só entrar com os móveis, mas os brasileiros gostam mesmo é de cores, alegria e aconchego. E fica nítido quando entramos em uma casa alugada e percebemos excesso de objetos e móveis pequenos, com a tentativa enganosa de trazer personalidade ao ambiente, mas as paredes estão lá brancas. A melhor forma de dar personalidade a um espaço é inserindo cores”. 

Mais cores significa menos artigos decorativos? 
“Sim! Pode ser apenas uma parede pintada, pintura a meia parede, paredes e tetos na mesma cor, dando a sensação de um cubo da mesma tonalidade. Com as paredes pintadas, você notará uma menor necessidade de usos de itens de decoração, pois as paredes já trarão para todo o espaço seu gosto pessoal, e consequentemente, uma economia nos gastos com decoração. Vale lembrar outra cláusula existente em todo contrato de aluguel: o locatário está obrigado a devolver o imóvel em perfeitas condições de limpeza, conservação e pintura. De qualquer forma o inquilino já será obrigado a entregar o apartamento pintado como o alugou, então por que não aproveitar o ambiente um, três ou cinco anos com sua personalidade?”.

É possível reaproveitar a decoração em caso de mudança?
“Claro! Quadros, vasos, mesas de apoio, plantas decorativas são itens 100% aproveitados em uma mudança de apartamento ou casa. Talvez um móvel da TV ou guarda-roupas não sirva se você mudar para um ambiente menor, ou talvez o móvel fique pequeno e acanhando se conseguiu aquele apartamento maior que tanto deseja; mas os itens de decoração, certamente servirão. Então, gostou muito daquele quadro com uma fotografia que te traz uma memória afetiva da infância, invista nele, e a cada mudança, por mais que o espaço seja novo, você sempre se sentirá no seu lar”.

Devo fazer uma decoração trabalhosa, mesmo correndo risco de me mudar em breve?
“Sim, afinal, pior que isso é correr o risco de viver a vida toda no aluguel e nunca ter a sua casa como deseja. Muitos investidores e especialistas de finanças defendem a ideia de que comprar um imóvel financiado em 30 anos não é a melhor forma de investimento e consideram o aluguel a melhor forma de morar. Será que eles viverão a vida toda em ambientes brancos, frios e sem personalidade?”, brinca Márcio, que em seguida afirma: “Tenho certeza que não”.