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Comissário nega ter ficado em posição fetal durante queda de voo

Erwin Tumiri afirmou que todos estavam sentados e com os cintos afivelados aguardando o pouso normal

Redação Correio 24h
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Um dos sobreviventes do tragédia com o voo da Chapecoense que deixou 71 mortos na última quarta-feira (29), o técnico de tripulação Erwin Tumiri, recebeu alta do hospital em que estava internado, na cidade de Cochabamba, na Bolívia. Ele concedeu entrevista ao programa Fantástico e durante a conversa negou que tenha ficado em posição fetal, o que foi divulgado pelo jornal boliviano La Razón e que teria sido crucial para salvar a sua vida. 

"Avisaram que iríamos pousar, um pouso normal. (Sobre seguir o protocolo) Não disse nada disso para a imprensa. É a primeira vez que estou falando para a imprensa. Ninguém percebeu que ia cair. Estavam todos prontos para pousar, normal. Em nenhum momento fiz isso (ficar na posição fetal). Era a preparação para um pouso normal", explicou ele.

"Falei com o técnico (Caio Júnior) e ele estava me ensinando a falar português. Quando disseram "afivelem os cintos, vamos pousar", todos voltaram a suas poltronas. As luzes se apagaram e começou a vibrar. Pensei que era do pouso, mas não foi. Apenas ouvi e não me lembro de mais nada. Depois me levantei do chão", continuou ele.

Erwin foi um dos primeiro a ser encontrado após a queda. Ele lembra que não sabia o que tinha acontecido e que apenas viu a companheira de equipe Ximena, que estava a poucos metros. Ele começou a gritar e usou a lanterna para orientar os socorristas que faziam o resgate.

No momento do acidente era como um pesadelo, porque nem eu mesmo acreditava. Acordei e pensei: "o que aconteceu aqui?". O que fiz foi pegar minha lanterna, iluminar e gritar por socorro. Comecei a piscar a lanterna para que me vissem. Ximena estava a cinco metros de mim, eu estava com o rosto no chão e levantei assustado. Levantei de repente e corri em direção a ela. Ela estava presa e gritando. Quando me viu foi se acalmando e eu disse: "Vamos embora". Era mato, escuro e eu pensei em ir em direção ao aeroporto. Vi muitos corpos espalhados, mas não tinha o que fazer. Eu também não via sinais de vida e, além disso, me preocupava se o avião fosse explodir ou se desmanchar. Por isso fui me afastando com Ximena

Falha no planejamento 

Para Erwin houve uma falha no planejamento feito pela empresa Lamia durante a viagem. Ele contou que pelo roteiro a aeronave deveria fazer uma parada na cidade de Cobija após deixar Santa Cruz de La Sierra, mas a pausa não aconteceu. No plano de voo recebido pelas autoridades colombianas o avião também sairia de Cobija. De acordo com o laudo técnico a causa do acidente foi falta de combustível. O avião que levava a delegação da Chape teria chegado ao aeroporto de Medellín no limite da autonomia.

"Nós, como técnicos, fazemos o pré-voo. Temos uma lista de checagem de tudo que é preciso fazer no avião. A Lamia tem seu gerente, seu pessoal, é outra coisa. Eu faço meu trabalho. Sei tudo aquilo que me ensinaram sobre o avião. Eu fiz o relatório de que íamos até Cobija, mas no momento da decolagem voltei a perguntar, e (o piloto) disse: "Não, vamos a Medellín", disse.

"Em relação a autonomia, carga, quem faz isso é o despachante de voo. Isso é responsabilidade da LaMia. Eles sabiam o peso, o combustível correspondente. Eles me diziam qual era o combustível necessário para abastecer. Supus que eles sabiam o que faziam. Acho que pode não ter sido uma boa ideia do piloto ter tomado essa decisão, ou da pessoa responsável por isso na Lamia", afirmou.

"Vou continuar com meu trabalho, continuar me preparando para não deixar de voar. Quero terminar meu curso de pilotagem, quero ser piloto comercial. Um dia quero ir a Chapecó, conhecer a cidade. Porque às vezes sinto como se eu tivesse sido salvo por eles. Como se eles tivessem dado sua vida pela minha. Por isso, quero conhecer essa cidade", finalizou ele.