Tecnologia

Como está o seu sono? Aplicativo conectado a sensor permite fazer exame em casa

Médicos e preparadores físicos tornam programas seus aliados na hora de cuidar da saúde dos clientes

Patricia de Paula, de Agência O Globo
Com a tendência de concentrarmos as mais diferentes tarefas no telefone celular , os aplicativos se tornaram úteis inclusive para ajudar a cuidar da saúde . Quer dizer, isso, se bem usados. Para se certificar de que os clientes estão recorrendo aos programas de maneira segura e eficiente, já há médicos de diferentes especialidades e preparadores físicos usando-os como aliados.
A Vita Check Up Center, no Le Monde Office, vai além: tem exclusividade no Rio sobre o Biologix, que avalia a qualidade do sono e diagnostica apneia e outros distúrbios. O clínico e cardiologista Antonio Carlos Till explica que o monitoramento é feito em casa. O paciente usa um sensor sem fio, conectado ao celular via bluetooth, em um dos dedos das mãos.
— O que o aplicativo traz de fantástico é a possibilidade de o paciente estar no seu ambiente normal de sono, sem fios ou pessoas estranhas para fazerem o monitoramento do sono — conta Till.
Durante o sono, o sensor se comunica com o aplicativo no celular e transmite em tempo real dados como frequência cardíaca e saturação de oxigênio no sangue. Quando o paciente acorda, finaliza o processo e, pouco depois, recebe por e-mail um relatório completo de como foi sua noite.
— Com base nessas informações, é possível descobrir se haverá a indicação de tratamento ou outros exames, como a polissonografia. O que antes levava semanas para ser diagnosticado agora é feito com poucos cliques — afirma o médico.
O exame com o Biologix custa R$ 300. Diretor do campo de golfe da Barra, Carlos José Ruffato Favoretto, de 49 anos, já se submeteu ao procedimento. Ele conta que sempre dormiu pouco, cerca de cinco horas por noite, e sentiu necessidade de buscar o motivo.
— Para minha surpresa, o resultado foi ótimo. O doutor Till explicou que, apesar de eu dormir pouco, meu sono é profundo, tem qualidade. Tinha medo de ser algo relacionado a pressão arterial ou apneia. O relatório foi bem detalhado, e isso me tranquilizou. Fora que fiz o exame na minha cama, com minha esposa do lado, o que fez toda a diferença — conta Favoretto.
Aliados, sim, substitutos, não
Como influenciadora digital, Evelyn Regly, de 35 anos, usa o telefone celular para tudo e se define como “muito tecnológica”. Antes de engravidar, ela utilizava o aplicativo Clue, uma espécie de calendário menstrual que prevê as datas da próxima menstruação, TPM, ovulação e período fértil.
— Ele ainda permite saber os dias nos quais você tem uma maior probabilidade de engravidar. É ideal para fazer um acompanhamento certinho — conta .
Hoje, grávida de 30 semanas do primeiro filho, Lucas, ela não abre mão do aplicativo Baby Center, que acompanha semana a semana o desenvolvimento do bebê e da mãe.
— Os relatórios semanais batem certinho com o que estou sentindo. Mais ou menos fome, fim dos enjoos e por aí vai. Sem falar que também sei como está o crescimento do meu bebê — relata.
Evelyn fez um tratamento de fertilização com Paulo Gallo de Sá, diretor-médico da Clínica Vida e especialista em reprodução humana assistida, seu médico desde que ela tinha 19 anos. Para o especialista, a escolha do melhor aplicativo para acompanhar a gravidez é individual, e o mais indicado é aquele que se adapta às necessidades da paciente. Por isso, ele não recomenda nenhum especificamente. Mas considera-os aliados:
— Eles vieram para ajudar, sem dúvida. Antes era uma loucura. Eu perguntava qual foi a última menstruação e 90% das mulheres não se lembravam. Agora, rapidamente eu tenho a informação da regularidade do ciclo menstrual, que mostra, para quem quer engravidar, o momento ideal para namorar.
Gallo salienta, porém, que os aplicativos só não podem se tornar substitutos dos especialistas.
— A internet é burra e repete informações genéricas. Individualmente, há questões específicas. Se você tiver um sintoma, o aplicativo não vai conseguir raciocinar em cima disso. Nada como a orientação médica, a conversa para tirar as dúvidas e as consultas regulares — diz.
Os aplicativos também invadiram o mundo fitness e passaram a ser companheiros principalmente dos atletas que não têm dia, hora ou local para malhar. A rede de academias Bodytech acompanhou a onda e lançou o BTFIT, programa que oferece personal trainer on-line, desafios, programas de treinamento e aulas coletivas de mat pilates, ioga, balé fitness, 20 minutes workout, abdominal e cardiodance. Não é preciso ser aluno da rede para usufruir os benefícios do app, que tem o valor de R$ 129,90 (anual), R$ 99,90 (semestral) ou R$ 24,90 (mensal).
— O praticante não precisa de nada para treinar, pois propomos atividades que usam o peso do próprio corpo, sempre respeitando o condicionamento físico e os limites do aluno e buscando a melhora a cada treino — diz Fábio Tostes, professor do BTFIT.
A publicitária Isabela Gonzalez Queiroz, de 24 anos, conheceu o app em 2017. Na época, estava atribulada com a rotina de estudo e estágio:
— Fazia exercício em casa mesmo. Depois consegui entrar na academia e hoje concilio as aulas de musculação com as atividades feitas pelo aplicativo. Minhas preferidas são as aulas de 20 minutes workout e de abdominal.