Tecnologia

Confira dez aplicativos para manter as contas no azul em 2020

Na prática, os sistemas alertam para o excesso de gastos e o vencimento de contas e boletos

Pollyanna Brêtas, da Agência O Globo
Esqueça o papel de pão amarelado e a caneta multicolorida para a anotação das despesas do mês. A tecnologia tem ajudado o controle das finanças e dos gastos pessoais. Alguns dos aplicativos mais populares já ultrapassaram a marca dos cinco milhões de downloads no Brasil. Na prática, os sistemas alertam para o excesso de gastos e o vencimento de contas e boletos. Eles também podem ajudar no acompanhamento detalhado da vida e da educação financeira do usuário, orientar sobre o pagamento de dívidas e dar dicas sobre as melhores opções de investimento para começar o ano com as contas no azul.
De acordo com o tipo de informações que o usuário oferece ao app, é possível gerar relatórios e acompanhar o fluxo de caixa, identificar perfis de consumo e saber o dia da semana que concentra o maior volume de gastos do usuário. As informações sobre geolocalização das despesas permitem saber em que locais da cidade o usuário está mais propenso a fazer compras, além da possibilidade de habilitar alertas sobre o risco de não pagamento integral da fatura do cartão de crédito ou de entrar no limite do cheque especial.
Em alguns aplicativos, é possível até sincronizar os dados do cartão de crédito e da conta bancária, o que pode ser um risco do ponto de vista do vazamento de dados. Ricardo Teixeira, coordenador do MBA de Gestão de Financeira da Fundação Getulio Vargas (FGV), lembra que é preciso ter uma rotina disciplinada de anotação das despesas e controle de gastos e receitas. —Ter o controle é importantíssimo. Os aplicativos podem ser úteis até para quem não tem muita intimidade para fazer contas — explicou Teixeira.
Renatta Gomes, especialista em educação financeira, ressalta que é preciso reavaliar todo o planejamento mensal de gastos. Para ela, é importante fugir da tentação do parcelamento no cartão de crédito. — No primeiro dia de cada mês, retome tudo aquilo que você planejou anteriormente. Encare sempre o começar de todo mês como um novo início de ano. Evite ao máximo utilizar meios de parcelamento, como o cheque especial e o cartão de crédito, principalmente se não tiver como pagar o valor total — disse ela.
Parcelamento no cartão de crédito
Samuel Barros, coordenador do curso de Administração do Ibmec/RJ, alerta que um dos maiores desafios para manter o orçamento pessoal equilibrado é identificar onde estão os gastos supérfluos. Segundo ele, o parcelamento excessivo de compras no cartão de crédito acaba comprometendo o planejamento financeiro e as metas de poupança e investimento:
— A alimentação fora de casa é uma torneira de gastos que a gente abre muito facilmente, especialmente no verão. Aquela cervejinha antes de chegar em casa acaba ficando muito cara no fim do mês. Os gastos supérfluos são usados por muitos consumidores para que se recomponham de episódios de tristeza. Consumir faz bem — ressaltou o professor: — O valor baixo das parcelas do cartão de crédito faz o consumidor ficar iludido sobre seu gasto real.
Carlos Terceiro, fundador do aplicativo Mobills, afirma que cerca de 80% dos usuários da plataforma têm compras parceladas no cartão. — Em média, o limite no cartão de crédito é 30% maior do que a renda mensal dos usuários. Isso é um crédito muito perigoso, porque é muito mais do que as pessoas têm capacidade de pagar. A ferramenta de como ele fará o acompanhamento financeiro nem é o mais importante. Se preferir, pode ser numa planilha ou um caderno. O importante é fazer — ressaltou Carlos.
Cuidado com os dados
A pretexto facilitar a vida do usuário, aumentar a praticidade da navegação e facilitar a atualização dos dados, boa parte do aplicativos permite ou solicita a sincronização de dados pessoais e bancários considerados sensíveis, como números de cartão de crédito, conta bancária, pagamentos, investimentos e localização do consumidor. Para evitar o risco de vazamentos de informações e golpes, o usuários devem, primeiramente, observar os termos de uso e privacidade da plataforma (confira as dicas abaixo).
Além disso, o Ricardo Teixeira, coordenador do MBA de Gestão de Financeira da Fundação Getulio Vargas (FGV), recomenda uma avaliação criteriosa sobre a necessidade de preencher alguns campos de informação. — Em principio, os aplicativos não deveriam estar armazenando certas informações. Sugiro dar o menor número de informações que não sejam necessárias para rodar o aplicativos. Sua privacidade vai para o espaço e seus dados podem cair em mãos inesperadas — avaliou Teixeira.
Samuel Barros, coordenador do curso de Administração do Ibmec/RJ, alerta que é preciso ter cuidado ao habilitar certas funcionalidades, especialmente de sincronização com outros aplicativos, como o do banco ou o do cartão de crédito. — Vincular dados de conta-corrente e cartão de crédito é abrir muita brecha para até ser manipulado por publicidade adequada ao seu perfil de compras e produtos mais procurados. Pode ser uma armadilha para deixar as pessoas mais suscetíveis — afirmou Samuel.
Veja dez aplicativos

1 – Mobills
Permite o gerenciamento das despesas por geolocalização, o que ajuda os usuários a entenderem onde gastam mais. É possível cadastrar metas financeiras em curto, médio e longo prazos. Por meio de gráficos, o usuário analisa diariamente como está a evolução do planejamento. O sistema oferece uma versão gratuita ou opções de relatórios mais avançados, com cobrança de anuidade de R$ 79,90 ou de mensalidade de R$ 14,90.
2 – Spendee
Permite adicionar contas bancárias ou rastrear os gastos manualmente, o que é bom para quem prefere inserir as informações sem que a ferramenta se comunique diretamente com os dados do banco. Além disso, há opções como a classificação de transações em filtros como “recorrentes”, o que ajuda a entender qual é a maior fonte de gastos.
3 – Wallet
Permite o compartilhamento das informações da conta com outras pessoas, o que pode ser útil para casais e famílias. As informações são organizadas em gráficos, o que pode ser mais fácil de entender do que um extrato. Os usuários também podem tirar fotos de seus recibos e utilizá-las posteriormente.
4 – GuiaBolso
Integra-se com os cartões de crédito e contas bancárias de modo que as finanças possam ser administradas numa plataforma centralizada. A comparação com outras pessoas de mesmo perfil ajuda a ter um parâmetro da média de despesas e da organização dos usuários. Também é possível contratar empréstimos e comparar taxas no aplicativo.
5 – Organizze
É possível estabelecer metas pessoais para economizar e entender para onde vai o dinheiro. Os cartões e as contas podem ser sincronizados na plataforma. O usuário também pode conferir relatórios, configurar alertas e, futuramente, ter os dados salvos na nuvem para acesso remoto.
6 – Expense IQ
Oferece relatórios com a separação de despesas por categoria e até um fluxo de caixa mensal. Permite rastreamento de despesas, cadastro de cheques e planejamento de orçamento, além de configurar lembretes de pagamento de contas.
7 – Fortuno
Permite que as contas sejam agrupadas para saber quanto dinheiro o usuário tem e quanto está disponível para gastar. Elabora um balanço financeiro mensal na forma de gráfico, notifica o vencimento de contas e pendências financeiras e mantém as informações salvas na nuvem.
8 – Orçamento Fácil
As contas podem ser criadas e modificadas, além da possibilidade de escolher entre mais de 90 moedas diferentes para os cálculos do aplicativo. As despesas e as rendas diárias também podem ser organizadas da maneira que quiser.
9 – Money Lovers
Funciona como um gerenciador gratuito de finanças pessoais. Alerta o usuário sobre possíveis dívidas e contas que precisam ser pagas.
10 – Wally
Permite adicionar o valor do salário, da poupança e dos gastos. Ainda é possível marcar o local onde uma compra foi realizada, criar notas das despesas e tirar fotos dos recibos impressos.
Dicas de segurança
- Leia os termos de uso de dados e de privacidade antes de usar um aplicativo: uma das opções é buscar por termos como "compartilhar" ou "venda de dados". O usuário pode saber se o aplicativo não venderá seus dados pessoais a terceiros para anúncios direcionados
- Verifique o nível de segurança: esses aplicativos lidam com suas informações financeiras e, por isso, devem usar medidas de segurança do nível de um banco. Verifique os padrões de criptografia que o app usa para os dados do usuário e veja se tem autenticação com login e senha.
- Proteja seu dispositivo: estabeleça senha ou impressão digital para desbloquear a tela inicial do dispositivo que você usa. Isso também é importante para proteger a conta bancária.
- Use um antivírus em seu celular: tentativas de golpes vem aumentando
O usuário não deve verificar sua conta bancária nem usar um aplicativo para controle de gastos em uma rede pública de internet. É muito fácil para os cibercriminosos descobrirem as senhas.