Literatura

Conheça cinco livros para inspirar crianças a buscarem um mundo melhor

Na semana das crianças, listamos obras que podem ajudar pais e mães a abordar a igualdade de gênero com os filhos e filhas

Agência O Globo

Que 12 de outubro é o Dia das Crianças todo mundo sabe. Mas é bom anotar que na véspera é comemorado o Dia Internacional das Meninas. Que momento pode ser mais propício para pensar uma educação baseada na igualdade de gênero? Formar uma sociedade que tenha como pilar os direitos iguais para homens e mulheres é algo que pode (e deve) começar a ser realizado logo na infância. Os livros, é claro, podem ajudar pais e mães a colocarem o assunto em pauta dentro de casa. 

Foto: Divulgação

Para fazer do mundo um lugar mais justo, a jornalista Daniela Tófoli defende que os pais são fundamentais nesse processo. Segundo ela, que é autora do blog Mãe de Tween, as crianças devem saber desde cedo que as meninas não precisam assumir o papel passivo e aguardar que os meninos façam tudo por elas, algo que pode ser ilustrado no dia a dia de formas diferentes: 

— Apresentar aos nossos pequenos, seja filho ou filha, livros que descaracterizam o estereótipo tradicional da mocinha à espera do príncipe encantado é fundamental para termos uma sociedade mais justa quanto às desigualdades de gênero. Preparar as crianças para que sejam agentes de transformação e ajudem a construir um mundo melhor começa pelo exemplo de casa e passa pelo tipo de literatura que é apresentada. Quando um menino ou uma menina descobre como as mulheres também podem ser corajosas, empreendedoras, criativas e líderes inspiradoras percebe também que, independentemente do sexo, podem ser o que quiserem — explica Daniela.

Das mulheres revolucionárias às princesas que escrevem seu próprio destino, listamos cinco livros que apresentam a mulher como heroína e autora de sua própria história: 

Para educar crianças feministas - Um Manifesto , de Chimamanda Ngozi Adichie  

Nesse livro, a premiada escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adiche sugere algumas ações para mães e pais, em um texto propositivo sobre como combater o preconceito pela educação. Escrito no formato de carta a uma amiga que acabara de se tornar mãe de uma menina, a obra apresenta 15 conselhos simples de como oferecer uma formação igualitária a todas as crianças, iniciados pela justa distribuição de tarefas entre pais e mães. A lista também apresenta sugestões para transformar meninas em mulheres fortes e independentes, encorajando-as a discordar das regras que determinam o comportamento e o papel feminino, e incentiva conversas sobre sexo, identidade e aparência. 

A princesa salva a si mesmo nesse livro , de Amanda Lovelace 

Amor e empoderamento em versos que levam os contos de fada à realidade da mulher. Nesse compilado de poemas, a autora aborda temas complexos para fazer o leitor perceber que é possível se salvar sozinho do dragão. Na obra, a autora Amanda Lovelace faz menção aos assuntos que a perturbaram durante a infância, a adolescência e o início de sua vida adulta como abuso emocional e sexual, distúrbio alimentar, alcoolismo e luto. Nos versos, Amanda também fala dos sentimentos que a fazem superar as questões negativas como amor, perdão, coragem e aquele sentimento que não tem nome, mas que motiva todos, mesmo no fundo do poço, a acharem uma escada ou uma corda para escapar. 

A pior princesa do mundo , de Anna Kemp 

Uma história sem lindos vestidos, casamentos de contos de fadas e bailes reais, na qual não se encontram príncipes que salvam donzelas. No livro, a nada convencional princesa Soninha é aventureira e especialista em fazer amigos bem diferentes. Cansada de ficar num castelo esperando alguém que a resgate, ela deseja sair em busca de aventuras e se divertir montada num dragão, sugerindo que lugar de princesa é onde ela quiser. 

Histórias de ninar para garotas rebeldes , de Elena Favilli e Francesca Cavallo 

O livro é um compilado de cem biografias de mulheres que entraram para a história. A ideia das autoras é despertar nas crianças entusiasmo e convicção de que a beleza está em todas as formas, cores e idades. Além disso, propõe um mundo onde gênero não define sonhos e conquistas. 

O título tem dois volumes e reúne pequenas narrativas em forma de fábulas. Muitas delas começam com o clássico “Era uma vez” para dar a sensação de um conto de fadas moderno e embalar o sono das crianças. São histórias de mulheres reais de diferentes épocas, nascidas em diversos países, e que se destacaram em esporte, arte, ciência ou política. 

O formato de histórias infantis busca estimular meninas a correrem atrás dos sonhos, rompendo com o senso comum que estabelece papéis por gênero. As fábulas provam que as mulheres sempre resistiram à opressão, provaram historicamente a capacidade para atuar em várias áreas do conhecimento e, mesmo que em condições desiguais, foram parte da construção social, econômica e política do mundo de hoje.

Malala e seu lápis mágico (Malala Yousafzai)

Escrito pela paquistanesa Malala Yousafzai, esse livro ensina às crianças a importância de lutar pelos seus direitos. Em sua primeira obra, a mais jovem ganhadora do Prêmio Nobel da Paz conta a história da própria infância para inspirar as gerações futuras a levantarem a voz para transformar o mundo. 

Quando era apenas uma menina, o maior desejo da ativista era ter um lápis mágico para desenhar uma sociedade mais pacífica e igualitária. Mas quando seu direito à educação foi colocado em perigo por homens que proibiam as meninas de irem à escola, Malala percebeu que o ambiente em que vivia precisava de mudanças, e enfrentou obstáculos até descobrir as ferramentas necessárias para mudar sua realidade e de tantas outras crianças.