Brasil

Cursos de pós-graduação que Doutor Bumbum fez não são reconhecidos pelo MEC

Ele e a sua mãe, Maria de Fátima Barros Furtado, são acusados de realizar o procedimento estético que levou à morte a bancária

Agência O Globo
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Apesar de citar três pós-graduações em seu currículo, apenas umas das instituições que o médico Cesar Barros Furtado, conhecido como Doutor Bumbum, cita é reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC). E neste caso o curso em dermatologia feito pela Instituição Brasileira de Ensino (ISBRAE) não chegou a ser concluído. De acordo com reportagem da BBC Brasil, os outros dois diplomas que ele afirma possuir - pós-graduação em modulação hormonal pela BARM e pós-graduação em medicina estética pela ASIME - não são válidos.

O "Doutor Bumbum" e a sua mãe, Maria de Fátima Barros Furtado, são acusados de realizar o procedimento estético que levou à morte a bancária Lilian Calixto, de 46 anos. Além deles, outras duas pessoas são acusadas de participar da intervenção. A namorada de Furtado, Renata Fernandes Cirne, de 19 anos, que está presa na unidade prisional de Benfica, e a enfermeira Rosilane Pereira, que não teve o pedido de prisão temporária autorizado pela Justiça.

De acordo com a reportagem da BBC, a Asime foi fundada pela Associação Brasileira de Medicina Estética (ABME). Ela, no entanto, já não existe mais. Já a BARM se apresenta como "uma academia internacional de colaboração científica entre Brasil e EUA", cujo único curso oferecido no site é um módulo online. Mas segundo a BBC não há detalhes sobre preços e datas. O telefone fornecido também não funciona.


Ainda de acordo com a reportagem, segundo o Conselho Federal de Medicina, um médico pode fazer qualquer procedimento mesmo que não tenha especialização. Mas não pode se anunciar como especialista nem mentir aos pacientes sobre a formação acadêmica. Além disso, não pode dar garantias de resultados. A pena para quem infringe as chamadas "regras de publicidade médica" vão de advertência até cassação do registro profissional.

O doutor Bumbum teve seu registro cassado na quinta-feira pelo Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF). Ele também terá o prazo de 15 dias, a partir desta sexta-feira, para prestar esclarecimentos ao Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj). É o que afirma Renata Matos, advogada do Cremerj, que esteve na 16ª DP (Barra da Tijuca) nesta sexta-feira para formalizar uma intimação ao médico.

TRANSFERÊNCIA DE PRISÃO
O médico e sua mãe foram transferidos nesta sexta-feira da 16ª DP (Barra da Tijuca) para o presídio de Benfica. Os dois foram presos na tarde de quinta-feira em um centro empresarial localizado na Barra, na Zona Oeste do Rio. Antes da transferência, os dois prestaram depoimento ao delegado Felipe Santoro. O delegado, no entanto, afirmou que não irá dar informações a respeito do caso e dos depoimentos prestados.

Lilian Calixto saiu de Cuiabá, no Mato Grosso, para realizar um procedimento estético nos glúteos no sábado, dia 14, segundo seu enteado. Após a intervenção plástica na cobertura de Denis, de acordo com a família da vítima, a mulher passou mal e precisou ser atendida no hospital Barra D'or, também na Zona Oeste do Rio, mas não resistiu.

Após dar entrada no hospital, o quadro clínico de Lilian piorou. Ela passou por quatro paradas cardiorrespiratórias, sendo que na última não respondeu às tentativas de ressuscitação. A morte da bancária foi constatada por volta das 1h12 do domingo. Ainda segundo o depoimento, no mesmo dia da internação, o médico recolheu os pertences da paciente (um anel de prata com pedra, uma aliança dourada, um anel de prata, um cordão prata com pingente, uma blusa de manga, uma blusa de alças, um par de tênis e um sutiã) e se retirou do hospital.