Educação

De olho no Enem: atividades relaxantes ajudam na aprendizagem dos conteúdos

Estresse e a ansiedade não atrapalham apenas na hora de fazer a prova

Agência O Globo
O primeiro dia de provas do Enem ocorre daqui a seis semanas. Neste um mês e meio que antecede o concurso que mais dá acesso ao ensino superior no país, os estudantes costumam ficar tensos por saber que o tempo para estudar está chegando ao fim. Para deixar seus alunos do terceiro ano mais relaxados no processo de preparação para os vestibulares, o Colégio pH desenvolveu aulas de “descompressão”, que mistura técnicas de meditação e yoga.
O estresse e a ansiedade não atrapalham apenas na hora de fazer a prova. Estar tranquilo durante a preparação ajuda a aprender o conteúdo estudado.
— As emoções auxiliam os processos cognitivos e de aprendizagem. Se o estudante não está tranquilo, ele não consegue aprender. Isto também afeta a memória, que no cérebro fica bem próxima dessas áreas emocionais. Por isso que quando nós gostamos da aula de um professor, aprendemos melhor — explica Luciana Brites, psicopedagoga.
De acordo com a psicopedagoga, o estresse prejudica o desempenho dos processos cognitivos, como a atenção.
— Quando ficamos nervosos prestamos menos atenção nos detalhes o que aumenta a possibilidade de erro. E a atenção é a base da aprendizagem — afirma Luciana.
Mas de nada adianta estar tranquilo e não estudar. Por isso, a recomendação é montar um planejamento que envolva conteúdo teórico e resolução de exercícios.
— O aluno deve lembrar que a cada duas horas de estudo ele precisa dar uma pausa. Este é o período máximo que conseguimos absorver o que estudamos — alerta Ellen Moraes Senra, psicóloga e especialista em terapia cognitivo comportamental.
Os métodos usados para relaxar durante o período de estudos devem ser repetidos no dia da prova, para evitar que a ansiedade provoque o famoso “branco”. Tanto tempo de dedicação não podem ser desperdiçados.
Aula diferente dentro de sala
Ensinar técnicas de relaxamento além das disciplinas tradicionais como português e matemática é novidade. A iniciativa partiu de um grupo de professores do Colégio pH, por terem sentido falta deste tipo de suporte quando prestaram vestibular.
— Faço meditação há alguns anos e pensei em como isso poderia ajudar os alunos, a ficarem mais concentrados. Na minha época, não havia nenhuma preocupação com as emoções: era matéria, matéria, estudar, estudar — conta Jorge Stozek Jr., fisioterapeuta, coordenador e um dos professores das aulas de descompressão.
A atividade acontece uma vez por semana, no contraturno dos alunos, e mistura meditação, yoga, massagem em dupla, alongamento e conversas motivacionais, que ajudam a aumentar a autoconfiança dos estudantes.
No início do ano esta “aula alternativa” despertava desconfiança nos alunos.
— No começo, ouvia desculpas do tipo “ah, preciso estudar matemática” e eu falava como que aquela uma hora de aula de descompressão ajudaria no aprendizado. É muito legal ver que os alunos que têm vindo às aulas comentando sobre os benefícios — comemora o professor.
Para o diretor de ensino do curso pH, Vicente Delorme, os pontos positivos da aula ultrapassam o período pré-vestibular:
—Tais atividades visam não só proporcionar tranquilidade e serenidade aos nossos alunos, mas também promover o autoconhecimento, que é muitíssimo importante na construção da personalidade e na formação dos indivíduos que sairão daqui para enfrentar as dificuldades da vida.
"Desde quando comecei a ir, percebi que melhorei muito em relação ao meu autocontrole. No início do ano, eu ficava muito nervosa na hora de fazer a prova do colégio. Em uma delas eu fui muito mal e chorei. Nas aulas de descompressão, nós aprendemos técnicas de respiração, de controle das emoções e isso me ajuda muito na hora de fazer qualquer prova ou simulado que eu precise fazer. Além de ser bom para mim, esta aula também é divertida. Este ano já fiz a prova da Uerj e da Escola Naval, mas como não são meus objetivos principais não fiquei tão nervosa. É claro que quando eu cheguei no local de prova, bateu aquele nervosismo, mas consegui controlar. Quero prestar vestibular para engenharia", afirma Bruna Reis, estudante de 17 anos.