Economia

Desemprego perto da aposentadoria? Entenda o que é preciso fazer

Confira orientações para conseguir trabalho depois dos 50 anos

Agência O Globo

Em meio às discussões sobre a reforma da Previdência, um grupo de brasileiros se vê especialmente preocupado. São os trabalhadores que estão perto da aposentadoria, mas ainda não têm tempo suficiente para garantir o benefício e acabam demitidos. Em um mercado de trabalho em crise — apesar da recuperação gradual desde o ano passado o país tem 12,7 milhões de desempregados —, aqueles mais velhos têm ainda mais dificuldades para retomar sua atividade profissional porque precisam enfrentar resistências por causa da idade.

Manter a rotina de encontros de relacionamentos, buscar atualização em suas áreas de atuação, mostrar-se aberto para projetos de curto prazo e até partir para o empreendedorismo são alguns dos caminhos apontados por especialistas em recursos humanos nessa situação. E pode ser necessário enfrentar alguma perda em remuneração e tipo de ocupação, alertam.

"Quem ficou desempregado precisa olhar para si mesmo como se fosse um produto. Levantar suas qualidades, seus diferenciais e também seus problemas. É preciso avaliar em quais áreas consegue se encaixar e pensar quais são os setores que estão crescendo, senão essa recolocação no mercado fica mais difícil", diz o diretor-executivo da consultoria de recrutamento Michael Page, Ricardo Basaglia.

A taxa de desemprego das pessoas entre os 40 e os 59 anos era de 7% no Brasil no quarto trimestre de 2017, abaixo dos 11,8% da média dos trabalhadores. Entre aqueles com 60 anos ou mais, a taxa era ainda menor, de 4,2%. Só que muitas vezes o desemprego entre os mais velhos é até mascarado. Isso porque muitos desistem de buscar trabalho diante das esperadas dificuldades e acabam saindo das estatísticas: a classificação de desempregado é aquela pessoa que está em busca de trabalho. É o fenômeno conhecido como desalento.

Mas especialistas sugerem deixar as dificuldades de lado e partir para a organização de uma rotina que inclua encontros de relacionamentos, cursos de atualização e a abertura para oportunidades diferentes, sejam contratos de curto prazo ou projetos de empreendedorismo. Há quem veja espaço também para uma mudança de atividade. Nesse caso, explica Ricardo Basaglia, o processo passa por uma reflexão sobre os mercados em que o trabalhador tem habilidades, a identificação do perfil dos profissionais daquela área e a necessidade de requalificação, mas pode significar um recomeço financeiro:

— Muitas vezes, quando há uma mudança de carreira, é preciso dar um passo atrás em remuneração e em cargos.

Empreendedorismo
Diretor de recrutamento da Robert Half, Lucas Nogueira diz que os trabalhadores devem ficar abertos tanto às novas dinâmicas do trabalho — com projetos que permitem contratações temporárias — quanto ao empreendedorismo, especialmente as oportunidades ligadas às experiências de cada profissional e não necessariamente um negócio como uma loja, por exemplo, como muitos pensam inicialmente.

"É bom ficar de olho em projetos que permitem contratações temporárias e também em empreendedorismo. Por um lado, a dinâmica do trabalho está mudando. Há projetos especializados, que tem empregabilidade mais rápida, embora com prazos, como seis meses a um ano de contratação. Por outro lado, às vezes o empreendedorismo às vezes dá mais chance de retorno ao trabalho que buscar uma posição no mercado. Não é necessariamente abrir um café, mas prestar serviços para o setor que trabalhou, por exemplo. É um empreendedorismo ligado à experiência da carreira, afirma Half.