Comportamento

Desmistificando a autoestima: mini guia sobre amor próprio e autocuidado

iBahia conversou com a psicóloga Beatriz Vianna e com a atriz e influenciadora Jacy Lima para te ajudar no processo de autocrítica e conquista do bem-estar consigo mesma

Lívia Oliveira (livia.oliveira@redebahia.com.br )

Ter autoestima é um desafio diário, principalmente para as mulheres, que vai muito além de se sentir bem com o que ver no espelho. Ela afeta diretamente o modo como nos comportamos, agimos e pensamos no dia a dia. Aproveitando que neste mês de março, no dia 8, comemora-se o Dia Internacional da Mulher, o iBahia conversou com a psicóloga Beatriz Vianna e com a atriz e influenciadora digital Jacy Lima sobre o assunto e montou um manual para te ajudar no processo de autocrítica e conquista do bem-estar consigo mesma. 

Mas, afinal, o que é autoestima? Ela tem relação com o ato de "amor a si mesmo", que parte da imagem e opinião, seja positiva ou negativa, que cada pessoa tem/faz de si mesmo. Ela é construída com base nas experiências pessoais, emoções e crenças. "Ter autoestima é você saber quem você é, suas capacidades, saber resolver seus problemas e lidar com adversidades", acrescenta Beatriz Vianna. 

Autoestima é amar a si mesma (o) | Foto: reprodução 

Autoestima e pressão estética 

É muito comum associar a autoestima com se sentir satisfeito com a aparência e isso pode desencadear em problemas sérios. Constantemente, vemos na mídia casos de mulheres que perderam a saúde e até a vida ao embarcar na corrida por procedimentos estéticos (lipoaspiração, silicone, rinoplastia, etc) ou por causa de distúrbios alimentares. 

"Acredito que as pessoas resumem a autoestima a aparência por alguns fatores. Entre eles: a pressão da sociedade por ser magra, bonita, estar sempre bem arrumada; a criação e a convivência com familiares e amigos; as comparações promovidas por pessoas próximas ou da própria pessoa ao ver a história de outras nas redes sociais e usar isso para se inferiorizar", analise a psicóloga. 

Para Jacy Lima, que constantemente aborda autoestima e amor próprio em suas postagens nas redes, o foco em mudar a aparência para alcançar a "perfeição" tem relação com situações mal resolvidas. 

"Muitas pessoas buscam nos procedimentos estéticos um refúgio para algum conflito interno, para fugir das suas dores e histórias. Por isso, eu que quando eu abordo autoestima digo para elas esquecerem a indústria da beleza, a sociedade, o patriarcado, e se voltar para elas mesmas", afirma a influenciadora. 

Pressão por ser "perfeita" é muito prejudicial | Foto: reprodução

Como sair da visão superficial da autoestima e desenvolver amor próprio? 

O primeiro ponto é saber separar o que você acha de si mesma da visão das pessoas a seu respeito. A psicóloga alerta que as críticas externas sempre vão surgir independente do que você faça. 

"A dica é tente olhar para si mesma. Pense 'o que eu faria se eu tivesse mais autoestima?', 'o que eu faria se eu quisesse me sentir bem comigo mesma?', e comece a aplicar isso na sua rotina aos poucos. Caso perceba que essa reflexão interna, a não aceitação consigo mesma, tem sido muito prejudicial, dolorosa, procure ajuda de um especialista", orienta Beatiz Vianna. 

Jacy Lima acredita que para alcançar a autoestima de verdade você precisa se voltar para o seu passado, para suas dores e encará-las. "Eu fiz isso  quando, após receber o relato de algumas seguidoras sobre abuso, resolvi gravar um vídeo falando sobre o abuso sexual que sofri na infância. Ali eu mostrei minha fraqueza e foi libertador para mim", desabafa. 

Cobranças estéticas e rede sociais 

A psicóloga alerta para não enxergar as redes sociais como um espaço de verdade absoluta. "Você segue pessoas por achar que a vida delas é perfeita, que são bem resolvidas e bem-sucedidas, mas a rede social é um recorde de bons momentos. É importante não idealizar a vida dos outros", pontua. 

Ao iBahia, Jacy Lima aproveitou para sinalizar o perigo de querer definir e induzir o outro, principalmente os famosos, a tomar decisões. "É muito comum as pessoas condenarem uma pessoa magra por ter problema de autoestima. Por exemplo, Marina Ruy Barbosa e Bruna Marquezine, elas são consideradas mulheres lindas, cheias de publi, de fotos de corpo, mas elas também têm momentos de conflitos internos". 

Como somos todos influenciadores e influenciáveis, vale lembrar que cada pessoa tem sua história e não tem como se basear na forma como influenciadora x ou y age para pautar suas atitudes e desenvolver autoestima. 

Para um trabalhar autoestima pode ser fazer atividade física e se alimentar bem, para outros pode ser fazer um programa que gosta muito, comprar algo para uso próprio e até mesmo fazer um procedimento estético. "Do mesmo jeito que são vários corpos, são vários universos dentro da mente humana. As necessidades são muito particulares", acrescenta a influenciadora. 

Na entrevista, a psicóloga ainda aproveitou para sugerir a leitura dos livros "Reinvente sua vida", de Jeffrey E. Young e Janet S.Klosko, e "Apaixone-se por si mesmo", de Walter Riso. 

Ações para ajudar a aumentar a autoestima 

Faça sua listinha | Foto: reprodução / Pixabay
1- Tenha sempre um tempinho para você no seu dia, seja para se cuidar, refletir ou até ficar em silêncio sem fazer nada. 

2- Crie uma rotina mensal, trimestral ou o período que achar conveniente para se analisar. Com um papel e uma caneta em mãos, liste suas qualidades, limitações e defeitos. Depois, pense o que pode fazer para melhorar cada aspecto; 

3- Defina o que você almeja com si mesma e com as coisas externas - estudo, trabalho e relacionamento. Vale estabelecer metas e prazos para colocar em prática ou realizar cada coisa; 

4- Valorize suas qualidades e conquistas. Tenha o hábito de se olhar no espelho e se elogiar e se exaltar. Seja porque conseguiu fechar um novo negócio no trabalho, tirou nota boa na prova da faculdade ou até mesmo porque conseguiu dizer não para uma coisa que te machuca. 

5- Aprenda a filtrar o que você recebe de informação nas redes sociais. Não precisa repetir cegamente o que uma famosa falou. Crie o hábito de refletir sobre o que ler/ver e pensar se aquilo vale para você. Caso positivo, avalie as proporções de colocar dica x ou y em prática, porque cada pessoa tem seu próprio processo. 

Fontes: 

Beatriz Vianna - psicóloga, colunista do Movimento Corpo Livre. Ajuda pessoas a mudar a forma como elas pensam, direcionando para o autoconhecimento. CRP 08/24627

Jacy Lima - atriz e influenciadora digital. Em suas redes sociais, ela aborda temáticas variadas - amor próprio, autoestima, sexualidade, dicas de autocuidado, moda, entre outros.