Empreendedorismo

Dona de Wakanda: saiba quem é a baiana na lista da Forbes under 30

Com apenas 27 anos, Karine Oliveira ganhou notoriedade por trazer o empreendedorismo para uma linguagem acessível

Carlos Bahia* (carlos.filho@redebahia.com.br)
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Se você teve acesso a edição brasileira da "Forbes Under 30" de 2020, que traz os maiores destaques brasileiros com menos de 30 anos em diversas áreas, pôde se deparar logo na capa com uma soteropolitana de 27 anos, cria do bairro do Engenho Velho da Federação, em Salvador. Essa é Karine Oliveira, CEO da Wakanda Educação Empreendedora (@wakanda_educacao). Em uma linguagem condizente com o trabalho dela, podemos resumir como a dona de Wakanda.

O trabalho de Karine à frente do negócio próprio é justamente trazer a linguagem do empreendedorismo, marcada por expressões em inglês e siglas, para um formato mais acessível para a população periférica, "a galera dela", como a própria jovem definiu, em entrevista ao iBahia.

"Esse mundo em inglês sempre coloca os termos como se eu não estivesse aqui em Salvador e eu amo esse lugar", explicou. A Wakanda foi criada em 2018 e, até então, já impactou mais de 600 microempreendimentos através de cursos e diversas trocas com as clientes, em sua maioria mulheres.

Foto: Lane Silva

Paredão e cabelo "loiro pivete"

Nascida e criada no Engenho Velho da Federação, Karine é irmã caçula de um pai mestre de obras e uma mãe que trabalhou informalmente como professora na comunidade. Dona Kátia Santos, inclusive, é a grande inspiração e responsável pela "infância muito boa" que a dona da Wakanda teve. "Foi tudo graças aos 'corres' dela", resumiu Karine. Ainda criança, viu os pais se separarem e precisou ajudar a mãe na venda de salgados no colégio que trabalhava.

Se engana quem pensa que a jovem é só trabalho. Karine conta que ama dançar música baiana e não abre mão do seu "paredão". "Eu tinha ranço da tecnologia, adoro uma aglomeração, mas assim como todo mundo tive que aprender na marra o tal do 'fique em casa'", disse.

A empreendedora fez questão de levar a periferia da Bahia com ela para o programa Shark Tank, reality show de empreendedorismo da Sony Channel Brasil que ela participou no fim de 2020. "Eu tinha que fazer o loiro pivete para ir no Shark Tank justamente para representar o lugar de onde eu venho".

O empreendedorismo na vida de Karine

Todo esse lado "família" de Karine, incluindo o estilo do cabelo, é o que ela diz ser a ponte do que a jovem é no lado pessoal, e que quer trazer para o lado profissional. "Desde pequena eu vi minha mãe pensando em distribuição de renda, economia solidária. O trabalho dela abriu as portas para esse caminho que eu tracei", orgulha-se. 

Mesmo com toda a bagagem que a vida lhe deu, Karine foi conhecer o termo empreendedorismo somente em 2016. Dois anos depois, veio a grande virada de chave. Perto de terminar a faculdade de serviço social, mas insatisfeita com o lado acadêmico, participou de uma imersão.

"Vi nessa imersão mais uma empresa de São Paulo só dando exemplos de empreendedores de fora do país, e a cada exemplo que eles davam eu rebatia com alguém daqui. Foi assim que as mulheres que estavam lá comigo passaram a se reconhecer", conta. 

Ainda na faculdade, ela desenvolveu o projeto da Wakanda e se apaixonou pelo que fez. Pouco depois, em 2018, conseguiu iniciar o trabalho. "Senti uma receptividade enorme das pessoas mais simples. A galera do dia a dia acha que está só 'fazendo corre', só fazendo bico, não sente que é empreendedora, e eu consegui justamente alcançar essas pessoas", relata Karine. 

Forbes e Shark Tank

Além de todos os frutos colhidos durante o período, veio no fim de 2020 a aparição na lista da Forbes Under 30. "Foi 'A' validação. Era um sonho sair na capa da Forbes, e ainda mais sabendo que foi por indicação", se orgulha a soteropolitana.

Também no fim do ano passado, Karine participou do reality show Shark Tank, em busca de oferecer aos jurados (tubarões) uma chance de crescimento do negócio. O projeto da Wakanda gerou propostas de quatro jurados, e um 'match' (encontro) com Camila Farani, uma das principais investidoras-anjo do país.

"Nem nos meus cenários mais positivos eu imaginaria ganhar quatro propostas, mas já idealizava Camila. Ela sempre foi uma mulher muito ícone para mim, e seria a pessoa ideal para (a Wakanda) chegar no Brasil todinho", relata.

Com Camila, Karine pretende tocar o próximo passo de expansão da Wakanda, mas sem se esquecer das origens. "Me disseram que eu não ia crescer em Salvador, mas olha onde chegamos. Nós vamos nos estabelecer aqui para, no segundo semestre de 2021, buscar a expansão para o Brasil todo", explica a baiana, sem perder de vista o legado do projeto dela.

"Foi muito legal poder mostrar para as pessoas do ecossistema do empreendedorismo que existe uma outra forma de falar sobre isso", resume.

*Sob supervisão da repórter Isadora Sodré