Eleições: conheça a trajetória do candidato Aécio Neves

Descendente de portugueses e austríacos, Aécio Neves da Cunha tenta chegar, pela primeira vez, à cadeira mais importante do país

Redação iBahia (redacao@portalibahia.com.br)
Aécio Neves
Candidato à presidência pela primeira vez em 2014, Aécio Neves não traz consigo uma daquelas histórias de vida sofrida, de superação e chegada ao topo, mas nasceu com a política nas veias. Seu avô materno era o ex-presidente Tancredo Neves e, do lado paterno, é neto e filho dos ex-deputados federais Tristão Ferreira Cunha e Aécio Cunha, respectivamente. Casado com a ex-modelo Letícia Weber desde 2013, é pai de três filhos — os gêmeos Júlia e Bernardo, fruto do relacionamento com Letícia, e Gabriela, fruto do casamento com a advogada Andréa Falcão, que foi de 1991 a 1998.

Início na política
Nascido em 10 de março de 1960, em Belo Horizonte, Aécio Neves da Cunha se formou em Economia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Começou na política participando da campanha do avô materno, em 1981, mas para isso foi obrigado a transferir os cursos de administração que fazia no Rio de Janeiro e se mudar para a capital mineira, onde dividiu um apartamento com o avô e seu pai. Participou de reuniões, comícios e campanhas em mais de 300 municípios do Estado até ficar conhecido e, em 1983, após Tancredo ser eleito governador, passou a ser seu secretário particular.
Tancredo Neves e Aécio

Aécio se encontrou na política e, nos anos seguintes, participou do movimento "Diretas Já", além da campanha do avô à presidência da República. Acompanhou Tancredo em visitas a outros países por estratégias políticas, até ser nomeado secretário de Assuntos Especiais da Presidência da República. No entanto, renunciou após a morte de Tancredo e a posse do vice-presidente José Sarney, junto aos outros ministros e assessores nomeados pelo avô.

Deputado federal
Depois disso, foi agraciado com a nomeação de diretor da Caixa Econômica Federal, mas em 1º de fevereiro de 1987 se desvinculou para iniciar seu primeiro mandato como deputado federal pelo Estado, cargo que ocupou até 2002, totalizando quatro mandatos. Foi eleito com 236 mil votos, tornando-se o deputado federal mais votado de Minas até aquele momento. No cargo, foi vice-presidente da Comissão da Soberania e dos Direitos e Garantias do Homem e da Mulher, e foi um dos autores da emenda que dá direito de voto aos dezesseis anos.

Em 1992, Aécio concorreu à prefeitura de Belo Horizonte, mas foi derrotado. Entre os trabalhos como parlamentar, criou o "Pacote Ético", que acabou com a imunidade parlamentar para crimes comuns; o Conselho de Ética da Câmara e o Código de Ética e Decoro Parlamentar. A ascensão de Aécio no ramo foi meteórica. Ao sair da Câmara dos Deputados, local que presidiu nos anos de 2001 e 2002, se lançou candidato ao governo de Minas após Itamar Franco desistir de concorrer à reeleição por não querer disputar a vaga de candidato do PMDB com Newton Cardoso. Os deputados federais e estaduais do PSDB então escolheram Aécio para disputar o cargo e ele terminou eleito, batendo Nilmário Miranda (PT), Newton Cardoso (PMDB) e iniciando o mandato em 1º de janeiro de 2003.
Aécio fazendo campanha ao lado da esposa, Letícia Weber

Governador Aécio
Como governador, disse ter pago o teto salarial para os professores, mas em contrapartida, o salário-base dos médicos no Estado era de R$ 1.050,00, o segundo mais baixo do Brasil na época. Apesar de alegar que seus índices na educação foram positivos, tornando Minas o primeiro estado do Brasil a colocar as crianças de seis anos na escola e garantindo um ano a mais no ensino fundamental da rede pública, criando o programa Aluno em Tempo Integral, o projeto Escola Viva, Comunidade Ativa, que apoia escolas em áreas urbanas com população carente; carregou pontos negativos como contratar 98 mil servidores públicos sem realização de concurso algum.

O talvez principal ponto do governo Aécio em Minas foi o chamado "Choque de Gestão", que visava à redução de despesas, reorganização e modernização do aparato institucional do Estado, envolvendo todos os órgãos e entidades do Poder Executivo Estadual, tendo em vista a melhoria da qualidade e redução dos custos dos serviços públicos do estado. A medida previa o investimento na capacitação do servidor público, adoção de novos modelos de parcerias público-privadas. Nesse Choque aconteceu também o fim da escala de pagamentos. Os salários voltaram a ser pagos em dia, assim como o décimo terceiro salário, fator que não ocorria desde 1989. Além disso, foi promovida a implantação dos Planos de Carreiras e foram liberados R$ 100 milhões em verbas retidas.

Durante seu governo em 2010, construiu e inaugurou a Cidade Administrativa Tancredo Neves, feita para ser a nova sede do Governo de Minas em homenagem ao seu avô. O conjunto de cinco prédios, que foi projeto por Oscar Niemeyer, concentra em um único local todas as secretarias e órgãos públicos estaduais, bem como seus mais de 16 mil servidores.

Na saúde, o governo de Aécio criou o programa Pro-Hosp, que regionalizou a saúde pública em Minas Gerais, distribuindo os investimentos feitos nas regiões. Em 2003 foi criado o programa Rede Viva Vida, que visava reduzir a mortalidade infantil e materna em Minas. Dentre outros programas nas áreas de Segurança Pública, Desenvolvimento Social e Transportes, Aécio foi avaliado durante uma pesquisa do Datafolha em dezembro de 2007, março de 2008, dezembro de 2009 e liderou o ranking de avaliação dos governadores. Em uma escala de 0 a 10, sua nota foi 7,0 em julho de 2006; 7,7 em março de 2007; 7,6 em março de 2009 e 7,5 em dezembro do mesmo ano. Saiu do governo com uma aprovação de 92%, após pesquisa Vox Populi.

Candidatura à presidência em 2010
Em 2010, Aécio tinha a expectativa de ser o candidato do seu partido à presidência da República no lugar de José Serra. Além de declarar que sua prioridade naquele ano seria eleger o vice-governador Antônio Anastasia como seu sucessor em Minas, negou a possibilidade de formar uma chapa "puro-sangue" com Serra em seu topo. Esperou, esperou e diante da hesitação do PSDB e de Serra em se posicionar como candidato, se lançou ao Senado Federal e foi eleito. Ainda assim, foi recebido no lançamento da pré-campanha presidencial de Serra em Brasília, onde compareceu a eventos e fez campanha a favor do colega de partido. No entanto, Serra perdeu a disputa para a atual presidente, Dilma Rousseff, sucessora de Lula.

Senador
No senado, onde chegou após ser eleito com 7.565.377 votos, defendeu a elaboração de um novo pacto federativo, o fortalecimento da ação parlamentar, com a restrição ao uso das medidas provisórias; a redução de impostos; a transformação do Bolsa Família em uma política de Estado; a ampliação dos direitos dos trabalhadores domésticos; o direcionamento de 10% da receita do governo federal para a saúde; a mudança no cálculo utilizado para pagamento dos royalties da mineração, dentre outras coisas.

Corrida presidencial
No final de 2012, Aécio foi lançado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como pré-candidato do PSDB à presidência da República em 2014 e, quando Serra anunciou sua desistência da corrida pelo Palácio do Planalto, em dezembro de 2013, tornou-se o único pré-candidato do partido, oficializando a candidatura em 14 de junho, durante a Convenção Nacional do PSDB.

Quando o primeiro turno das eleições deste ano aconteceram, no dia 5 de outubro, esperava-se um segundo turno entre Dilma Rousseff e Marina Silva, apoiada por vários partidos e, principalmente, pela comoção do país com a morte do então candidato Eduardo Campos. No entanto, Aécio correu por fora e conseguiu 34.883.224 votos válidos, cerca de 33,5%, desbancando Marina. No segundo turno, foi apoiado tanto por Marina, quanto pela maioria dos derrotados no primeiro confronto eleitoral.

Polêmicas
Embora possua uma vida política relativamente bem sucedida, Aécio  se envolveu em diversas polêmicas, como quando se recusou a fazer o teste do bafômetro e teve a carteira de habilitação apreendida em uma blitz da Lei Seca no Rio de Janeiro, em abril de 2011.

Na situação, a CNH de Aécio foi apreendida por estar vencida, mas ele não apresentava sinais de embriaguez. Através de sua assessoria, o então senador tentou explicar a situação, afirmando que o bafômetro não foi realizado e que ele não sabia que a carteira de habilitação estava vencida.

Outra polêmica em que Aécio se envolveu diz respeito ao helicóptero do seu colega e senador Zezé Perrella (PDT-MG), apreendido com quase meia tonelada — 445 kg — de cocaína em uma fazenda na zona rural de Afonso Cláudio, em novembro de 2013. O veículo estava em nome da empresa fundada por Perrela, Limeira Agropecuária, que tem como sócio seu filho, o deputado estadual Gustavo Perrela.
Helicóptero foi achado com quase 500 kg de cocaína

Na época, Aécio negou qualquer envolvimento com a apreensão da droga e salientou que não soube de nada que apontasse o envolvimento de Perrela, mas cobrou explicações do mesmo. Quem pilotava o helicóptero era o assessor parlamentar Rogério Almeida Antunes e o valor da carga era estimado em R$ 10 milhões. Aécio Neves ainda é, até hoje, bastante questionado também pela construção de um aeroporto no município de Cláudio, em Minas Gerais. A estrutura foi levantada no fim do seu segundo mandato como governador e ele acabou acusado de realizar uma obra privada com dinheiro público, o que ainda não foi provado. Durante o debate entre os presidenciáveis na Band, ele explicou que se tratou de uma obra aprovada pelo Ministério Público.

"Foi uma obra feita numa área desapropriada, em desfavor de um tio-avô meu, para beneficiar uma região próspera, onde estão mais de 150 indústrias. O estado determinou o valor da desapropriação em R$ 1 milhão. Esse senhor, de mais de 90 anos de idade ou em torno disso, reivindica, até hoje, R$ 9 milhões por esse terreno e não foi beneficiado. Beneficiada foi a população de Minas Gerais. Se a senhora tivesse alguma familiaridade com Minas Gerais, candidata, e não tem, até por quê foi em Minas Gerais mais vezes depois que virou candidata do que nos 40 anos anteriores, saberia que essa e todas as outras obras, o Ministério Público disse que são corretas", disse.