3 Letrinhas

Entrevista Pri Ferrari

Ilustradora e autora do livro "Coisa de Menina"

3L – Como surgiu a idéia do livro Coisa de menina? E como foi o processo criativo?

Pri Ferreira – Eu não sei exatamente quando que começou, não teve um dia específico ou uma situação que gerou a ideia. É só um assunto que me acompanha há bastante tempo e sempre me incomodou. Eu, como todas as meninas, já me senti privada de muitas coisas simplesmente por ser menina e vejo desde pequena o termo feminino sendo usado de forma pejorativa. Desde pequena me incomoda muito frases do tipo “parece uma menininha” em aulas de educação física.

MONTANHA (1)

3L – O livro é só para meninas? Porque seria bom ler ele para os meninos também?

Pri Ferreira – Não, o livro é para meninos também. Meninos também precisam aprender que meninas podem ser o que quiserem.

DRAGAO

3L – A sua campanha no Catarse foi um sucesso! Como foi a idéia de fazer um financiamento coletivo para viabilizar o lançamento do livro? Ele existiria sem esse recurso?

Pri Ferreira – Eu sempre tive bastante afinidade com tudo que é colaborativo e digital, eu gosto de fazer as coisas dessa maneira pois é muito bacana ver outras pessoas se engajando no mesmo projeto. Mas se não rolasse com financiamento coletivo, eu tentaria procurar outras formas.

MUSICA

3L – Como surgiu a idéia da Meta Extra? Você está preparando algo especial para a entrega desses livros?

Pri Ferreira – Ah, uma amiga minha tem esse projeto maravilhoso chamado Plano de Menina e desde que a meta começou a ficar perto de bater eu já pensei o que seria feito com o dinheiro extra. Como eu acredito que para o livro realmente ser válido ele também precisa chegar nas comunidades, para garotas pobres que não possuem o acesso a esses livros, o meu foco vai ser distribuir alguns e outros deixar em creches, bibliotecas.

LUA

3L – Como você enxerga o atual cenário de empoderamento das mulheres e como você imagina a próxima geração de meninos e meninas? Tenho uma filha de 1 ano e um filho de 3! Você acredita que eles já vão conseguir sentir alguma diferença? (Aqui o desespero da mãe querendo que dê, mas pensando que talvez não dê tempo dos meus pequenos viverem em uma sociedade livre do machismo…)

Pri Ferreira – Olha, com certeza eles vão crescer em uma sociedade machista :/ infelizmente demora muito pra se ter essa diferença, já que o problema é estrutural e mundial e infelizmente nós vivemos em um país que é muito conservador no que se é conveniente, e muito machista. Mas o que eu acho que vai ser a maior diferença é que a próxima geração de meninas vão ter a informação e o poder de reconhecer melhor as coisas que acontecem com elas desde pequena. Durante muito tempo da minha vida eu sofri machismo de diversas formas, como todo mundo, mas eu não entendia o que era e não sabia me portar contra. Espero viver num mundo onde sua filha, quando mais velha, saiba se impor e não se sinta culpada quando um chefe ser “saidinho” com ela no primeiro dia de emprego, entende?

Logo

3L – Quando criança, a literatura infantil era importante na sua vida? Alguém te incentivou a gostar de livros? E o que é coisa de criança?

Pri Ferreira – Eu, por incrível que pareça, era uma criança muito introspectiva. Meus pais sempre me deram muitos livros e eu tenho a forte lembrança de ficar lendo com lanterninha antes de dormir. Coisa de criança é ter direito de ser criança, de não ser negligenciada, cobrada e reprimida por ser quem ela é. Vejo muito que hoje em dia nós transformamos muito nossos filhos em mini adultos, né? O mundo, a internet, o fácil acesso. Eu não gosto da ideia de criança prodígio, criança é criança, tudo que faz é pra se conhecer, ser reconhecida e amada. Cabe a gente segurar a onda pra não ter crianças com 11 anos com problemas de ansiedade, cobrança própria, sexualização precoce e tudo isso que acontece quando a gente não dá tempo ao tempo.

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