Tecnologia

Especialista comenta selfies em enterro de Eduardo Campos: "chegamos longe demais"

"Não estou acima disso. Mas você precisa se perguntar: como seria essa experiência se você não a tivesse registrado?"

Redação iBahia (redacao@portalibahia.com.br)
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A prática dos 'selfies' já tomou conta das pessoas no mundo inteiro. No entanto, embora seja comum o registro de momentos com o autorretrato nos tempos atuais, o ato têm fugido ao bom senso em algumas ocasiões, como a do enterro do ex-governador Eduardo Campos, morto no último dia 13 em um acidente aéreo.

Segundo o pesquisador Andrew Hoskins, da Universidade de Glasgow, na Escócia, o avanço da tecnologia tem influenciado bastante para a mudança de postura das pessoas, que têm se preocupado mais com a prática em si, do que com o real registro do momento.

Em entrevista à BBC Brasil, ele comentou os vários 'selfies' tirados durante o sepultamento do ex-presidenciável, apontando a relatividade do que pode ser, ou não, considerado público e levantando a possibilidade de um certo exagero no ato.

"Depende do ponto de vista de cada um. A noção do que é público se transformou com a tecnologia. E há agora o que eu chamo de compulsão pela conectividade. Então a pergunta a se fazer é por que as pessoas estão tirando selfies? Por que elas estão constantemente registrando tudo? A tecnologia sempre esteve presente nesse sentido, mas para mim há um ponto em que chegamos longe demais. É quando registrar o evento se torna mais importante do que ver o que está sendo registrado. Acho que esse momento estamos vivendo agora", disse, antes de rechaçar a necessidade de o momento sempre ser registrado com fotografias.

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"Quando eu vou para um show, eu quero ver uma banda, eu vou para ver a performance. Eu não quero alguém diante de mim balançando o telefone, a câmera ou um iPad. Mas eu sou de outra geração, eu acho isso estranho. Eles claramente acham que não. Eles acham que isso é parte rotineira do que significa estar em um evento ao vivo. Essa "midiatização" dos eventos é algo que mudou muito nos últimos cinco anos".

"Eu também vivo tirando fotos e gravando tudo o que acho interessante, não estou acima disso. Mas você precisa se perguntar: como seria essa experiência se você não a tivesse registrado? O que ela significaria para você uma semana ou dois meses depois sem aquele registro audiovisual? Quão importante é esse registro na formação da memória daquele evento? Outras pessoas construirão suas memórias sem isso e sempre foi suficiente", pontuou. Confira abaixo outros selfies polêmicos.