Tecnologia

Especialista dá dicas de segurança para a compra de ‘coisas conectadas’

Consumidores devem estar atentos com qualidade de alto-falantes, smartwatches e outros objetos que se conectam à internet

Agência O Globo
O futuro das coisas conectadas está chegando ao Brasil, com cada vez mais produtos à disposição dos consumidores, a preços acessíveis. Nesta semana, o Google trouxe ao país o alto-falante inteligente Nest Mini , para concorrer com a linha Echo , trazida pela Amazon no mês passado. Os caros smartwatches ganharam opções mais em conta, com produtos da chinesa Xiaomi . Mas interessados em comprar dispositivos desse tipo devem tomar alguns cuidados.
Segundo Martin Hron, pesquisador sênior de segurança da Avast, o primeiro passo é a comparação de preços. Lógico, quanto mais barato, melhor, mas desconfie de produtos muito em conta e de promoções que fujam da realidade. Existem muitos sites que oferecem produtos de qualidade duvidosa a preços bem abaixo da concorrência.
A marca é um bom indicativo da qualidade. Para marcas menos conhecidas, Hron recomenda que o consumidor pesquisa em quais sites o produto é vendido, e busque pela página do fabricante por detalhes como especificações técnicas, atualizações de software e suporte. Por fora, o dispositivo pode ser atraente, mas por dentro com qualidade inferior.
Foto: reprodução
“Verifique cuidadosamente o design do site”, recomenda Hron. “Se a empresa em questão usa HTTP ou HTTPS em seu URL? As empresas mais preocupadas com a segurança usarão definitivamente o HTTPS, o protocolo de internet que criptografa a conexão entre o usuário final e o site. Embora isso esteja relacionado à segurança do site do produto e não ao produto em si, pode ser um bom indicador do quanto a empresa valoriza a segurança”.
A privacidade também deve ser motivo de preocupação. Quais informações o dispositivo coleta? Faz uso de câmeras ou microfones?
“Considere os dados que ele poderia coletar e avalie o risco versus a recompensa se essas informações, que podem incluir dados confidenciais, caírem em mãos erradas”, diz o especialista. “Mais importante, questione a integridade da própria coleta de dados. É correto que o dispositivo tenha acesso à essas informações? Se a resposta for ‘não’, vale a pena pensar duas vezes antes de comprar o produto”.
Os comentários e avaliações de outros consumidores são uma boa fonte de informações. Se o produto não tiver nenhum comentário na rede, é melhor procurar por outro. E se tiver, preste mais atenção nas críticas que nos elogios. Consumidores mais técnicos podem fazer buscas por vulnerabilidades conhecidas do produto, no site CVE, de Exposições e Vulnerabilidades Comuns .

Após a compra, os consumidores devem observar alguns cuidados para a proteção dos dispositivos. A primeira medida é a troca da senha padrão. Muitos produtos possuem credenciais padronizadas, disponíveis em manuais na internet. Hron recomenda a criação de senhas fortes, com no mínimo 12 caracteres, que sejam fáceis de se recordar, para evitar anotações escritas.

A segurança da rede onde o dispositivo se conectará também é importante, por isso, caso ainda não tenha feito, altere a senha do roteador. E logo após a instalação do produto, busque por atualizações do firmware, para mantê-lo protegido de vulnerabilidades já resolvidas.
“Os dispositivos IoT podem ser extremamente convenientes e divertidos, mas o que muitas pessoas não percebem é o quão vulneráveis podem ser”, diz Hron. “Um cibercriminoso precisa apenas de um dispositivo vulnerável, para obter acesso a toda a rede residencial. Portanto, é aconselhável fazer uma pesquisa adequada antes de comprar um dispositivo IoT, especialmente como presente nesta temporada de final de ano, para evitar colocar as pessoas que ama em risco de roubo de dados pessoais, perda financeira e comprometimento de privacidade da tecnologia”.