MUSICA

'Este cenário só não é pior do que as vidas perdidas', declara Adelmário Coelho sobre o SJ

Cantor falou da própria história, carreira e sobre mais um ano sem grandes festejos juninos

Maria Beatriz Pacheco* (maria.beatriz@redebahia.com.br)
- Atualizada em

Como o próprio Adelmário Coelho bem diz em 'Bahia, Forró e Folia', ele representa "o forró bacana animando o mês junino do Sertão ao litoral". São 27 anos de carreira, 26 CDs, 3 DVDs gravados, um livro lançado, e, não menos importante, muita história para contar. Em conversa com o iBahia, o cantor relembrou  momentos marcantes da carreira, falou sobre projetos futuros e fez um balanço sobre estar vivendo mais um ano de São João dentro de casa por causa da pandemia do coronavírus.

Foto: divulgação
O começo de um sonho: mudança para Salvador e saudade da vida interiorana

Nascido e criado no distro de Barro Vermelho, pertencente à Curaçá, norte da Bahia, Adelmário carrega no peito a tradição forrozeira. Aos 17 anos, motivado pelo sonho de se tornar militar, se mudou para Salvador. Após seis anos servindo ao exército, chegou até a trabalhar no polo petroquímico de Camaçari, porém, uma coisa ainda o incomodava: a resistência de Salvador com a cultura forrozeira que só dava o ar da graça no mês de junho.

Com o sonho de ser cantor,  ele prometeu à esposa durante o  São João de 1994, em Caruaru, que gravaria o primeiro disco. Dito e Feito. Mas, a fama só viria com o tempo e não é que, para Adelmário, a frase "há males que vem para o bem" nunca fez tanto sentido?

O forrozeiro viu a carreira decolar mesmo com o lançamento da música "Não Fale Mal do Meu País". "O caminhão que trazia 3 mil cópias do CD virou e a carga foi toda saqueada. Mas uma senhora pegou algumas cópias e levou para uma rádio em Porto Seguro. Foi a partir daquele momento que comecei a plantar sementes", relembra.

Ser nordestino: preconceito e resistência

Como nordestino, o cantor revela que nunca sofreu preconceito. No entanto, reconhece que o problema sempre existiu. "O Nordeste tem essa tradição junina que não se aplica às outras regiões. Luiz Gonzaga, Marinês e Dominguinhos tiveram que viajar para o Rio de Janeiro e São Paulo, onde a discriminação era gigante. Fico triste quando me deparo com essas situações, mas devemos acreditar nos nossos sonhos, meus pais me ensinaram a nunca desistir. O meu forró me enche de orgulho", argumenta.



Pandemia do coronavírus e cancelamento de São João: Um pesadelo que se repete

Em março de 2020 o Governo da Bahia decretou estado emergência por causa da pandemia do coronavírus, três meses antes das festas juninas. Pego de surpresa como boa parte dos brasileiros, Adelmário se viu sem chão.

"Eu tenho 27 anos de carreira e nunca me deparei com uma realidade como essa. Quando recebi a notícia o meu chão sumiu. Só não é um cenário pior do que as mais de 400 mil vidas perdidas durante a pandemia, pois não há preço que pague a dor de perder a quem se ama", explica.

Os impactos financeiros de mais um ano sem festas juninas também foram sentidos pelo artista. "Essa questão do dinheiro também foi muito difícil. É uma cadeia produtiva que por mais que a gente tente quebrar a sazonalidade, ela ainda existe", completa.

Na falta de uma festa de rua, a gente faz o arraiá dentro de casa

Com saudade do público, o artista optou por não ficar parado. Em maio, lançou uma daquelas canções feitas para dançar agarradinho com o companheiro, chamada de 'Coração de Gelo'. Para não deixar a data passar em branco, o forrozeiro também programou a live especial que realizará: ela será transmitida no dia 24 de junho, no canal do Youtube do cantor, a partir das 19 h. 



*Sob supervisão da repórter Isadora Sodré