Empreendedorismo

Estudantes faturam até R$3 mil por mês vendendo lanches na faculdade

Aluno conseguiu dar entrada em um carro zero graças às vendas dos alimentos

Priscila Morais* (priscila.morais@redebahia.com.br)
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Com a crise batendo à porta, muita gente ficou preocupada como lidar com a situação financeira, muitas vezes, "no vermelho". Em busca de uma saída para sobreviver, estudantes de universidades de Salvador tiveram a ideia de vender lanches para os colegas. O portal iBahia conversou com quatro alunos de diferentes faculdades e com atendente das lanchonetes das próprias instituições para saber o quão isso foi afetado na venda deles.

Foto: Divulgação | Jackeline Menezes
A estudante de Jornalismo, Jackeline Menezes, ficou bem preocupada quando foi demitida do seu emprego e buscou alguma saída para se manter. "A partir do momento que sai do trabalho, tive que pensar em uma alternativa que me trouxesse algum lucro para me manter", afirmou. 

Ainda segundo a estudante, no início das vendas, ela sentiu um pouco de medo, mas em nenhum momento pensou em desistir. "Comecei ainda meio receosa, com bolos de pote e trufas. Hoje em dia, graças a Deus, tiro um valor que dá pra me manter e comprar minhas coisas", finalizou.  
Foto: Divulgação | Jackeline Menezes
Lorena Mascarenhas, aluna de Fonoaudiologia, precisava garantir uma renda extra para poder pagar seus livros, transporte e alimentação. Com isso, ela teve a ideia de vender bolos de pote e brigadeiro na faculdade e com o dinheiro que conseguiu juntar, resolveu aplicar em um curso de bolos.

Foto: Reprodução | Instagram
"Os bolos e brigadeiros me ajudaram muito. Resolvi fazer um curso de Naked Cake, o bolo 'pelado', como costumamos dizer. Levei uma vez para uma colega experimentar e ela simplesmente amou. Criei um Instagram para divulgar e graças a Deus, tenho muitos pedidos", revelou Lorena

"Como não tenho como vender o Naked Cake na instituição, apenas faço por encomendas. Entrego a domicílio e cobro o valor entre R$12 e R$20, dependendo do local. Na faculdade vendo apenas os bolos de pote", afirmou ela.  
Foto: Reprodução | Instagram

Para ajudar nos custos da faculdade, a acadêmica do curso de Gastronomia, Magnólia Sacramento, afirmou que começou a pensar na venda dos alimentos em preocupação de ver os seus amigos de sala. "Meus colegas chegavam muito cansados depois de um dia inteiro de trabalho e queriam comer uma coisa gostosa com sabor de comida de casa, então comecei a vender na sala da aula para eles", disse a estudante.

Foto: Divulgação | Magnólia Sacramento
Com o sucesso das vendas, Magnólia foi convidada para participar de um projeto da própria instituição. "Quando surgiu o Campus Costa Azul, junto com ele veio o projeto 'Chef 'Empreendedor', onde eu fui indicada para participar pelos meus professores", vibrou. 

A estudante ainda comentou que, começou vendendo apenas salgados, café e sucos, mas com os pedidos de outros alimentos aumentando, ela teve a ideia de inovar e colocou até o abará no cardápio, um dos quitutes preferidos para nós, baianos. 

"Temos sopas de dois sabores, caldos de aipim e sururu, salada de frutas e o famoso abará gourmet, recheado de camarão seco ou charque", disse Magnólia. A depender do bairro e da quantidade, a taxa de entrega fica totalmente gratuita. "A taxa varia de R$10 a R$30 e a depender do bairro e da quantidade, pode até sair de graça. Além disso, nós aceitemos todos os cartões de crédito e débito", finalizou a estudante de gastronomia. 
Foto: Divulgação | Magnólia Sacramento
João Almeida, estudante do curso de Direito, estava desesperado por não ter mais condições de pagar a faculdade e chegou a pensar em desistir do seu grande sonho, que é se tornar Juiz. "Foi um momento muito difícil. Ficava em casa pensando o que fazer, pois não queria trancar a faculdade e terminar os meus estudos. Sou filho de doméstica e sei o que minha mãe passou por não ter conseguido fazer um curso superior", contou ele. 

 Em uma conversa com uma amiga, João recebeu a sugestão para ganhar dinheiro e não comprometer os estudos. A chegada desse "anjo", como ele mesmo se refere à amiga, foi o grande empurrão para deslanchar no negócio. "João, por que você não vende trufa?", foi o start.

"Para você ter noção, eu não tinha dinheiro nem para comprar os materiais. Tive que pedi emprestado para ela que, no mesmo momento, foi até o supermercado comigo e comprou tudo", lembrou João. "Comecei com os sabores tradicionais. 'Chocolate', 'maracujá' e 'morango', mas os pedidos foram crescendo e inovei. Aí vieram 'chocolate com leite ninho', 'paçoca' e por aí vai", disse o estudante. 

Além disso, João teve a ideia de pedir para o padrasto vender no trabalho as trufas e foi o maior sucesso. "Quando eu vi que estava dando certo, resolvi investir mais e entregar uma certa quantidade para o meu padrasto vender. Hoje, graças a Deus, consigo pagar o meu curso tranquilamente e ainda dei entrada em meu carro", comemorou ele. 
Foto: João Almeida | Divulgação
Com a chegada de novos empreendedores, alguns donos de lanchonetes não veem com os bons olhos a novidade. Mara dos Santos, trabalha no ramo há mais de 10 anos e viu o rendimento cair depois de alguns meses. "Antigamente, eu faturava quase R$800 por dia. Agora, com os próprios alunos vendendo os lanches, o valor caiu muito. Não chega nem a R$300", afirmou. Mara ainda comentou que não pode abaixar muito o preço dos alimentos porquê se não, o lucro não valeria à pena. 

"Infelizmente não podemos abaixar o preço. Faço o que eu posso! Coloco promoção. Na compra de um salgado, o suco é gratuito, mas ainda assim, fica pouco. Pagamos o aluguel do espaço, por isso, não se pode fazer muito", finalizou.

*Sob a supervisão e orientação da repórter Naiá Braga