Tecnologia

Estudo revela facetas inéditas sobre o bloqueio do WhatsApp no Brasil

Você sabia que é possível criar um mecanismo para monitorar as mensagens dos investigados da Justiça, mesmo com a criptografia fim-a-fim do WhatsApp?

Dino


Os recentes bloqueios do WhatsApp pela Justiça Brasileira geraram muita polêmica. Desde o final de 2015, a Justiça Brasileira determinou sucessivas interrupções nos serviços do aplicativo, porque a empresa se recusou a cumprir ordens judiciais para entregar o conteúdo das comunicações realizadas por pessoas investigadas. A Ventura Enterprise Risk Management, empresa especializada na gestão de riscos corporativos, acaba de lançar um estudo intitulado WhatsApp vs. Justiça Brasileira.


Domingo Montanaro, CEO e Co-founder, lançou um olhar aprofundado com nuances e facetas inéditas sobre o tema. Ele pondera sobre possíveis mudanças de filosofia do WhatsApp, no que tange a privacidade do conteúdo das comunicações como core value do seu negócio. Recentemente, o WhatsApp implementou a moderna criptografia ponta-a-ponta. O que isso quer dizer do ponto de vista de segurança? "Agora, mesmo dispondo de um poder computacional incrível para descriptografar conteúdos, as agências de segurança, caso bem-sucedidas nesse esforço colossal, terão acesso a apenas uma mensagem e não à conversa inteira - tornando praticamente impossível descobrir o conteúdo e o contexto de uma longa conversa, devido ao fato de cada mensagem trocada ter teoricamente uma chave diferente", explica Montanaro.


Esta tecnologia faz do WhatsApp um aplicativo seguro no quesito privacidade. Por outro lado, dificulta a investigação de grupos criminosos que se utilizam do aplicativo. O whitepaper revela as técnicas que as forças policiais podem se utilizar para investigar os suspeitos, com a experiência de quem já assistiu a mais de 200 detenções por crimes cibernéticos. Domingo Montanaro revela que é possível, sim, o WhatsApp criar um mecanismo para atender aos pedidos da Justiça. No entanto, esta ação exigirá elevados custos e riscos aos bilhões de usuários do aplicativo.


O estudo faz dois alertas para empresas que utilizam o WhatsApp para conversar sobre atividades confidenciais de trabalho. Primeiro, é impossível afirmar que o conteúdo das conversas realmente não é gravado em nenhum lugar sem um exame pericial. Segundo, os recentemente atualizados termos de uso do WhatsApp não abordam a utilização profissional da plataforma. Por isso, há de se pensar duas vezes e avaliar o risco de forma profissional quando se pondera sobre quais plataformas de comunicação devem ser utilizadas para troca de segredos corporativos.


O whitepaper da Ventura ERM é leitura obrigatória para profissionais de TI, forças policiais, advogados, promotores, juízes e todos que tem interesse em se aprofundar sobre o tema. As partes mais técnicas são abordadas de maneira clara, ilustrada e didática para facilitar a compreensão de todas as nuances do tema. 

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