Mito da Supermãe

'Eu sempre digo que pari pelo coração', diz aposentada que tem quatro filhos

Natural de Itabuna, Bárbara diz que sofreu preconceito quando decidiu adotar formalmente as filhas

Naiá Braga (naia.braga@redebahia.com.br)
- Atualizada em

A aposentada Bárbara Neuma Cardoso Silveira e Perreira, de 56 anos, vive uma história de amor, dedicação e persistência na relação com seus quatro filhos. Ao todo, Bárbara tem quatro filhos: Ciro, de 32 anos, Diana, 27 anos, Emanuele, de 35 anos e Rosana, de 22 anos. Em entrevista ao iBahia, ela explica que a formação de uma família grande foi uma consequência e não uma escolha natural. "Meu filhos vieram sem eu esperar e eu fui abraçando eles. Eu nasci com uma deficiência física e minha mãe me dizia que eu não podia ter filhos. E não foi o que aconteceu", ri ao falar sobre o namoro, casamento e a chegada dos filhos biológicos: Ciro e Diana. 

Ao ter se solidarizado com as dificuldades de duas crianças, com 7 e 10 anos, na época, Bárbara viu a adoção chegar cada vez mais perto da sua vida. "Rosana perdeu os pais quando era pequena, eles eram alcoólatra ela não chegou a conhecer a mãe. Minha sogra estava em idade avançada, não tinha condições de criar e eu me compadeci e fui cuidando, criando", relembra.

 Ciro, Alexandre meu esposo, Rosana, Diana, Emanuele e Bárbara. Foto:Acervo Pessoal

As dificuldades para mulheres que têm filhos biológicos ou não, as dificuldades são as mesmas. "Todo filho é adotado, sendo ele biológico ou não. Claro que filhos vindos por adoção precisam lidar com uma narrativa de como se fez essa história, o que também ocorre com filhos biológicos. Entretanto no primeiro caso, pode ocorrer de lidar uma ideia de rejeição da família biológica e isso pode ser um dado, mas com segurança e afeto as coisas ficam mais fáceis", afirma o psicólogo e doutor em Educação, Alessandro Marimpietri.

Natural de Itabuna, Bárbara diz que sofreu preconceito quando decidiu adotar formalmente as filhas. "Me chamavam de louca, faziam piada. Eu sempre digo que pari as duas pelo coração. Foi difícil no começo, elas não me chamavam de mãe. Eu me compadeci por aquilo que elas viviam e eu me apaixonei por elas", relata emocionada.  

Para o especialista em educação, não há uma normatividade na criação de filhos adotados, mas pontua a importância de contar a verdade sobre suas histórias. "Em geral é fundamental que a criança tenha chance de construir sua história. O não dito causa mais dano do que qualquer história difícil sendo bem contada as crianças", diz Marimpietri. 

Antes de encerra a conversa pelo telefone, Bárbara relembrou da sua motivação para adotar e criar duas novas crianças."É importante deixar o amor falar. O amor não pode ser baseado em sangue, em pele.Acho que não deve se ter medo. Tape os ouvidos e abrace sua escolha. O mundo é um lugar horrível", finaliza.