Tecnologia

Facebook vai remover ‘deepfakes’ e vídeos manipulados para 'enganar' as pessoas

Sátiras e paródias serão permitidas. Medida visa combater desinformação em ano eleitoral nos EUA

Agência O Globo
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Para combater a desinformação, o Facebook anunciou nesta segunda-feira (6) que vídeos editados, com a intenção de enganar o público, serão removidos da plataforma. A medida se alinha à indústria da tecnologia, que está criando estratégias para lidar com vídeos falsos criados com o uso de inteligência artificial, conhecidos como “deepfakes”. 

Foto: Reprodução

“Manipulações podem ser feitas com tecnologias simples, como o Photoshop, ou com ferramentas sofisticadas que usam inteligência artificial ou aprendizado profundo (deep learning) para criar vídeos que distorcem a realidade, chamados de ‘deepfakes’”, afirmou Monika Bickert, vice-presidente de Políticas Globais do Facebook, em blog da companhia. “Apesar desses vídeos ainda serem raros na internet, eles apresentam um grande desafio para a nossa indústria e a nossa sociedade”.

Monika destaca que a edição de vídeos não é, por si, negativa. É possível, por exemplo, montar sequências mais atrativas ou melhorar a qualidade das imagens e do áudio. Sátiras e paródias, ou vídeos editados “apenas para omitir ou alterar a ordem de palavras” não serão afetados. O foco está no conteúdo criado especificamente para promover a desinformação.

Serão removidos vídeos “editados ou sintetizados — além dos ajustes por claridade ou qualidade — em formas que não são aparentes para uma pessoa média e que possam enganar alguém a pensar que um sujeito do vídeo disse palavras que, na realidade, não disse”; ou que sejam “produto de inteligência artificial ou aprendizado de máquina que mescla, substitui ou sobrepõe conteúdo a um vídeo, fazendo com que pareça autêntico”.

A rede social é constantemente criticada por sua influência em disputas eleitorais, pela distribuição de conteúdos que promovem a desinformação dos eleitores. Em ano de eleição americana, a preocupação aumenta, dada a participação do Facebook no último pleito. Mas definir quais vídeos serão ou não removidos não é tarefa fácil.

No ano passado, o Facebook foi duramente criticado por permitir a circulação de um vídeo, claramente editado, que mostrava a líder democrata na Câmara, Nancy Pelosi, falando de maneira enrolada, parecendo embriagada. O efeito foi alcançado diminuindo a velocidade do vídeo e ajustando o volume em alguns trechos. Contudo, tal edição não seria afetada pela nova política, informou a companhia à agência Reuters.

“O vídeo da Pelosi não atende aos padrões desta política e não seria removido. Apenas vídeos gerados por inteligência artificial para retratar pessoas dizendo coisas fictícias serão removidos”, afirmou a companhia. “Após o vídeo da Pelosi ter sido analisado por checadores de fatos independentes nós reduzimos sua distribuição, e criticamente, pessoas que assistiram tentaram compartilhar ou já haviam recebido alertas de que era falso”.