Caminhos da Bahia

Festa da Boa Morte já começou em Cachoeira

Os trabalhos foram abertos dia 2 de agosto e seguem até o dia 17. Programação conta com devoção, gastronomia e festa

Tatiane Sacramento (tatiane.sacramento@portalibahia.com.br)
Para participar da Irmandade, as mulheres precisam ser ex-escravas ou descendentes

Esse mês, mas precisamente na primeira quinzena, as ruas de Cachoeira ganham uma energia, um sincretismo e uma força de fé especiais. A tradição manifestação da Festa da Boa Morte torna a cidade o destino ideal para quem quer peregrinar e se divertir. Durante diversos dias a icônica Irmandade a Boa Morte percorre as ruas da histórica Cachoeira, com suas mulheres negras, vestidas com roupas altivas e joias, entoam cânticos para a padroeira.

A história da Irmandade remota da época da escravidão para os canaviais do Recôncavo Baiano. Sempre composto por mulheres, os festejos misturam o catolicismo com traços barrocos e muita música e samba. Para ingressar no grupo, as mulheres precisam ter mais de 40 anos, ser ex-escrava ou descendente de escravos e ainda assim, somente se torna irmã após quatro anos. Acredita-se que a tradição começou 68 anos antes da abolição e, hoje, o evento recebe cerca de 60 mil visitantes envoltos em devoção, festa e fé.

Programação Cultural

A programação que começou no último dia 2 de agosto, segue no dia 13 (quarta-feira) com um cortejo anunciando a morte de Maria e uma missa em memória das irmãs falecidas. Ainda neste dia, as irmãs fazem sentinela na Capela e participam da Ceia Branca, na sede da Irmandade.

No dia 14 (quinta-feira) acontece a Missa de Corpo Presente de Nossa Senhora da Boa Morte. Em seguida acontece a Procissão do Enterro. Neste dia, as irmãs vestem-se de preto, carregam velas e não ostentam joias e outros adereços.

No dia 15 (sexta-feira), terceiro dia celebração, a festa começa com a Alvorada pela manhã. Mais tarde, acontece a missa festiva pela Assunção de Nossa Senhora, seguida da Procissão de Nossa Senhora da Glória. Neste cortejo as irmãs vestem branco, usam joias e adereços vermelhos, indumentárias e trajes considerados um dos mais belos e simbólicos dentre as manifestações religiosas de todo o mundo. Durante a noite baianos e turistas se divertem ao som do autêntico Samba de Roda, no Largo D’Ajuda.

O encerramento acontece nos dias 16 e 17 (sábado e domingo) que não conta com cortejos pelas ruas, no entanto são os mais aguardados por muitos visitantes, pois é quando são servidos o Cozido e o Caruru, respectivamente, banquetes da cozinha afro-baiana preparados pela irmandade e oferecidos gratuitamente a todos na própria sede da Boa Morte, localizada em frente à Capela D’Ajuda.