Salvador

'Foi cena de cinema. Se ele sobrevivesse, seria um milagre', diz testemunha sobre morte de publicitário

De acordo com um funcionário de um estabelecimento próximo, o carro girou três vezes no ar antes de cair no chão

Yne Manuella e Victor Villarpando (mais@correio24horas.com.br)
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Uma batida na Avenida Antônio Carlos Magalhães, no Itaigara, por volta das 4h30 de ontem, provocou a morte do publicitário Daniel Paschoaliq Prata. O rapaz tinha 28 anos e trabalhava como diretor de arte da agência Propeg. Ele dirigia um Hyundai Sonata de cor prata e placa NZO 2210, quando foi atingido por uma caminhonete Nissan Frontier preta, de placa OUP 7258.

Uma amiga de Daniel que viajava no carona — a médica cearense Luciana Lucetti, 35 anos — ficou gravemente ferida. Até o fechamento desta reportagem, ela estava internada no Hospital Geral do Estado (HGE), em estado grave.



De acordo com informações da Transalvador, a caminhonete era dirigida por Roberto João Starteri Sampaio Filho, 38 anos, que teve apenas ferimentos leves. O advogado e professor universitário se recusou a fazer o teste do bafômetro. Por conta disso, após receber socorro do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), ele foi conduzido pela 35ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM) para a Central de Flagrantes, no Iguatemi, onde permanecia detido até a tarde de s´bado (08).No registro da ocorrência no órgão municipal, consta que o condutor foi “enquadrado no Artigo 165 do Código de Trânsito Brasileiro”. O texto da lei se refere a quem dirigir “sob influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa”.



Segundo familiares da vítima, Roberto é professor de Direito de uma universidade particular em Salvador. O CORREIO tentou contato telefônico com a família do advogado, mas não obteve sucesso. Na Central de Flagrantes, nenhum agente quis passar informações sobre a ocorrência ou depoimento do advogado e a assessoria da Polícia Civil não atendeu aos telefonemas durante toda a tarde.Como aconteceuDe acordo com informações da Transalvador, Daniel estava fazendo o retorno pela pista lateral da Av. ACM, em frente ao Shopping Cidade. Ao cruzar a avenida, o automóvel foi atingido, do lado do motorista, pela Frontier. O publicitário morreu na hora e o corpo ficou preso às ferragens.“A caminhonete estava em altíssima velocidade. Foi cena de cinema. Nunca vi um acidente tão feio. O carro capotou e girou no ar três vezes antes de cair no chão. Se ele sobrevivesse, seria um milagre: o corpo foi parar no banco de trás”, conta o funcionário de um estabelecimento próximo, que preferiu não ser identificado.



Publicitário estava em um bar quando foi atingido pelo carro do advogado


De acordo com a testemunha, Daniel esteve no bar mexicano Tijuana, que fica no Shopping Cidade. “Outros dois amigos dele também saíram, em seus carros, na mesma hora. Aí, por volta das 4h15, aconteceu o acidente. O motorista da Frontier saiu cambaleando”, disse o homem. “A Samu chegou em uns 20 minutos e a Transalvador recolheu os carros por volta das 6h30”, complementou.


Os veículos foram levados para o pátio do órgão de trânsito, nos Barris. Do lado do motorista do Sonata, havia um par de mocassins de couro e uma embalagem de perfume. Nem o volante ficou no lugar. Salvo os vidros do lado do carona, todos os outros estavam estilhaçados. A pick up teve a frente e os vidros dianteiros destruídos.