INTERIOR

Gestores de Senhor do Bonfim e Cruz das Almas falam sobre impacto do 2º ano sem São João

Pandemia segue e com números crescentes de casos e mortes, o que fez o governador Rui Costa cancelar o São João em toda Bahia

Cláudia Callado (claudia.callado@redebahia.com.br)


Quando a pandemia do novo coronavírus se instalou no Brasil, em março de 2020, a primeira grande data comemorativa que precisou cancelar os festejos foi o São João. O baque, tanto econômico quanto cultural, claro, foi grande. Neste ano, a expectativa de que as coisas já teriam voltado ao normal foi frustrada. A pandemia segue, e com números crescentes de casos e mortes, o que fez o governador Rui Costa cancelar o São João em toda Bahia, assim como suspender o transporte intermunicipal

Em duas das cidades com maior tradição de festa junina do estado, Senhor do Bonfim e Cruz das Almas, os gestores classificam os impactos econômicos como imensuráveis e enorme. Ao iBahia, o prefeito de Cruz, Ednaldo Ribeiro, destaca que a pandemia afeta vários setores da cidade, que normalmente tinha nesse período um aumento de renda. 

“É um impacto muito negativo para nossa cidade. Seja no comércio, seja na questão do agricultor familiar. É uma cadeia que envolve todo mundo que espera esse momento, especialmente em Cruz das Almas, as pessoas realmente esperam esse movimento maior no São João. Aí tem os turistas, que envolve a rede hoteleira. É um prejuízo muito grande para a economia do nosso município”, pontuou. 

O secretário de cultura de Senhor do Bonfim, Jailson Oliveira, lembra que o São João, para cidades do interior com essa tradição, significa o mesmo que o Carnaval para Salvador, por isso diz que o prejuízo é imensurável. 

“Já recebemos aqui na rua [de Bonfim] 50, 60 mil pessoas. Então imagine só esse pessoal em hotel, em restaurantes, em chácaras, pousadas, além das pessoas que abastecem na cidade, as pessoas que compram roupas na cidade.  Então dois anos pra gente é algo que nos preocupa, porque muita gente vive esse movimento, no artesanato, da produção do licor, né? Do chapéu de palha, enfim tantos produtos”, elenca o secretário. 

Alternativas 

Sem poder aglomeração, por conta do decreto do Governo do Estado, os municípios buscam alternativas para fomentar a economia das cidades e ajudar a população. Em Cruz das Almas, por exemplo, a prefeitura promoverá lives com artistas locais nos dias 23 e 24. 

“É uma forma de a gente está contribuindo e ajudando com os artistas da terra. Sabemos que é um momento muito difícil, com a questão da pandemia, é um momento que os holofotes estão voltados para a saúde pública, mas nesse momento a gente está olhando também para os artistas”, explicou o prefeito. 

Em Senhor do Bonfim não estão previstas lives, mas de acordo com o secretário, medidas serão estudadas dentro do permitido pelo decreto.