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Imóveis: Fernando Peixoto cria projetos que se comunicam com a cidade

Fernando buscou uma ‘identidade diferenciada’ para que o hotel se destacasse entre os prédios maiores do seu entorno

Rachel Vita (rachel.vita@hotmail.com)


Quem passa tem a impressão de que o prédio, na foto acima, não tem janela e a fachada foi construída com volumes diferentes. Pura ilusão de ótica, uma característica, aliás, de diversos projetos de Fernando Peixoto. Seja pelo efeito de revestimentos diversos, nesse caso, ou da utilização de duas fachadas, em outros empreendimentos, o arquiteto busca na composição do todo criar um estilo que se comunica tanto com quem compra uma de suas unidades quanto com quem circula pela capital baiana.



“Não queria que as janelas aparecessem, virassem um pombal, mas sim que se diluíssem na composição geral”, revela Fernando Peixoto. Seus projetos, explica o arquiteto, têm uma linguagem diferente, mas não excludente. “Pode haver sofisticação, mas de um jeito que fique claro pra todo mundo”, diz. “Que cada um entenda do seu jeito. Pode ser como a bandeira do Vitória ou uma zebra, mas entenda”, conclui Fernando Peixoto, com muito bom humor.


Com mais de 2 milhões de m² de projetos residencias e comerciais executados em dez estados no Brasil, o arquiteto acaba de lançar o livro Quatro Projetos, sobre sua carreira, que reúne também empreendimentos fora do país. Peixoto não liga para quem diz que seu projeto, como ele mesmo cita, não é funcional.


“Nem discuto. Se não fosse, teria feito só o primeiro. E não tantos outros”, lembra. Sobre a arquitetura atual da capital baiana, no entanto, não poupa críticas. “Salvador tem personalidade, mas hoje a arquitetura da capital baiana paulistou”, reclama. “Como pode uma cidade com essa luminosidade ter prédios todo envidraçados. Não é nada sustentável”, diz.



O terreno em declive, segundo o arquiteto, restringiu a entrada do Shopping Paralela a uma fachada única frontal à Avenida Paralela. “Estes aspectos não só permitiram, como induziram a soluções arquitetônicas e funcionais diferenciadas”, explica no livro.