Educação

Inep garante calendário do Enem após falência de gráfica

Assim que a notícia da falência da RR Donnelley foi anunciada, houve temor em relação a um possível atraso no cronograma do Enem 2019

Agência O Globo

Um dia após a gráfica responsável por imprimir o Enem pedir falência, encerrando as atividades no Brasil, o órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC) que cuida do exame garantiu que as provas não serão adiadas. Em nota, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) afirma que, mesmo sem previsão de quando será aberta uma licitação para contratar uma nova gráfica, o "cronograma está mantido, com as provas marcadas para 3 e 10 de novembro, conforme prevê o Edital".

A autarquia informa que, no momento, está analisando "alternativas seguras" de empresas que possam substituir a gráfica RR Donnelley, que paralisou suas operações na segunda-feira, dia 1º.

"O Inep informa que as etapas para a aplicação do Enem 2019 transcorrem normalmente e que o cronograma está mantido, com as provas marcadas para 3 e 10 de novembro, conforme prevê o Edital. Em relação à falência da gráfica contratada para a diagramação e impressão dos cadernos de prova da edição deste ano do Enem, existem alternativas seguras sendo avaliadas", diz a nota.

Contrato com gráfica tinha sido renovado

O Inep chegou a publicar no Diário Oficial da União, no mesmo dia do anúncio da falência, um termo aditivo estendendo o contrato com a grafica RR Donnelley para o Enem 2019. O termo prorroga o contrato por 12 meses, com vigência até 30 de março de 2020, no valor de R$ 4.277.163,74.

Esse documento foi assinado no último dia 29, dando a entender que, até essa data ao menos, o Inep não tinha ciência de que a gráfica estava prestes a falir. O GLOBO questionou o instituto sobre isso, mas ainda não obteve resposta.

Segundo informações do G1, neste momento, o Inep está avaliando duas gráficas: a Valid Soluções S.A, que cobra pelos serviços R$ 143 milhões, e a Thomas Greg & Sons Gráfica e Serviços, que pede R$ 167 milhões.

Assim que a notícia da falência da RR Donnelley foi anunciada, houve temor em relação a um possível atraso no cronograma do Enem 2019. Isso porque, em geral, as provas são enviadas para impressão em maio — isto é, no próximo mês.

O Inep também ainda não respondeu sobre mais detalhes em relação a como e quando seria feita a licitação para escolher a nova gráfica. A RR Donnelley era conhecida por ser uma das poucas empresas com tecnologia suficiente para garantir a impressão das provas com um risco reduzido de fraudes.

A organização assumiu a responsabilidade pela diagramação e impressão do Enem em 2009, quando o exame foi roubado na gráfica anterior, a Plural. Na época, a RR Donnelley foi escolhida pelo MEC justamente porque tinha um esquema de segurança que contava com pouquíssimo contato humano.

Em entrevista ao GLOBO no ano passado, a então presidente do Inep, Maria Inês Fini, chegou a considerar o esquema de segurança da prova como "quase doentio". Fini também disse que o maior perigo para a prova era o interno, de dentro da gráfica, e que este, naquele modelo, estaria controlado.

Processo de impressão é complexo

Segundo informações oficiais divulgadas pelo MEC em setembro do ano passado, foram impressos para o Enem 2018 cerca de 11 milhões de cadernos de questões para aplicação do exame a 5,5 milhões de inscritos.

O ministério também informou que, na mesma gráfica, eram impressos mais de 50 itens de material administrativo necessários para a aplicação do Enem, que vão desde folhas de coleta de biometria até etiquetas de identificação dos malotes.

As provas do Enem são impressas durante dois meses, demandando um volume de 50 toneladas de papel por dia. Ao todo, são consumidas cerca de duas mil toneladas de papel.